Sem censura, restricoes ou julgamentos, Nelson Motta narra com paixao e irreverencia a vida eletrizante de Tim Maia.
"Mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo!". O grito de guerra ainda ecoa nas festas, vivo nas cancoes de Tim Maia. Transgressor, amoroso e debochado, o cantor que gostava de se definir como "preto, gordo e cafajeste" se consagrou como um dos artistas mais queridos e respeitados da musica brasileira, rei do samba-soul.
Nelson Motta (ou "ônelsonmotta", como Tim gostava de chamá-lo) escreve tão bem que qualquer tópico em suas mãos vira um livro gostoso e de consumo rápido. Antes de começar a ler "Vale Tudo", eu tinha apagado várias músicas do Tim Maia do meu computador por achá-las velhas e brega. Mas essa biografia do grande - e muito doidão - Tim Maia me fez desejar ouvir todos seus albums, em particular os clássicos do início de sua carreira.
Motta conta a estória da vida de Maia, começando com sua infância num subúrbio carioca, o encontro com Erasmo e Roberto Carlos, a viagem aos Estados Unidos com um grupo de padres quando tinha 17 anos (e os 5 anos de vida por lá), as mulhers, as drogas, as bebidas, as comidas, os shows (a maioria que ele não compareceu), a grana, a falta de grana, as maluquices, as amizades, as brigas, as vaias... e muito mais. Maia era uma criatura maior que a vida, bizarra, contraditória - é surpreendente que ele conseguiu viver por tanto tempo aprontando da maneira que ele adorava aprontar.
O livro não é ruim, tem momentos bem engraçados, mas os episódios narrados são um tanto repetitivos e a escrita sem coesão e sem muito contexto não ajuda. Talvez seja mais interessante para quem é fã do cantor, mas vale por algumas histórias curiosas dos bastidores da música brasileira.
Eu sempre quis ler esse livro - desde quando eu era um pré-adolescente e eu via nas listas de best seller das revistas que eu via enquanto estava no dentista. Meus pais não deixaram eu ler porque o Tim Maia era uma péssima pessoa.
Enfim, resolvi ler. Eles estavam certos sobre o caráter do Tim Maia, e no fim foi ótimo mesmo ler agora.
O livro é cheio de name-droppings, a primeira parte deles de músicos - quando eu tinha 13 anos eu não sabia quem eram João Gilberto, não conheceria Jorge Ben Jor e Os Mutantes Nem Se Fala. Que são importantíssimos para a leitura - principalmente na primeira parte. Quando o Tim Maia era apenas o Sebastião e finalmente virando o Tim Maia dos sucessos, o livro estava excelente.
A sensação que a segunda metade do livro foi filler: Tim Maia bebendo pra caralho, cheirando pra caralho, tocando bem pra caralho, tocando mal pra caralho, se dando bem pra caralho, se dando mal pra caralho, dando calote e faltando em show pra caralho, qualquer coisa "pra caralho". Porque o Tim Maia realmente era intenso, e adorava palavrões de intensidade. E o estilo de escrita do Nelson Motta foi ficando mais preguiçoso - informações repetidas, falta de ligação entre fatos relacionados.
Talvez também a partir da página 200, a vida do Tim Maia virou uma repetição e, como livro é fiel, este virou uma repetição também. Os name droppings eram de empresários de casas de show que, convenhamos, who cares - nem mesmo o Tim ligava, e aparentemente o Nelson Motta também não, porque esses personagens sumiam em questão de linhas.
O Tim falava pro pessoal de som quando ficava puto (95% do tempo): "mais tudo mermão". Eu acho que o Nelson Motta podia ter ido bem menos.
Uma das críticas que eu li na Internet, não me lembro onde, dizia mais ou menos assim: "Só o bunda-mole do Nelson Motta para conseguir fazer uma biografia decepcionante de um cara como o Tim Maia". E é mais ou menos por aí. O livro praticamente se escreve sozinho, mas o Motta não se aprofunda, por falta de conhecimento ou excesso de receio, em várias passagens que poderiam render muita coisa interessante.
Tim Maia foi tudo o que disseram dele e muito mais. Nelson Motta pode n'ão ser o melhor escritor do mundo, mas a credibilidade de quem estava lá, conta muito.
Quando uma pessoa é aquilo que quer ser sem pensar nas consequências vemos algo parecido com o que foi Tim Maia.
Sua voz poderosa e cheia de variações combina perfeitamente com a pessoa que ele era, um cara que ao mesmo tempo que era um escroto era um doce de pessoa, tudo em sua vida era extrema, exagerada, intensa e rebelde. E ao meu ver, um dos maiores artistas que passaram por esse mundo, apesar de todos os apesares. A música brasileira seria muito diferente sem ele.
Sobre a escrita de Nelson Motta, caramba, que coisa sensacional. É muito fácil e gostosa de acompanhar e a versão de audiobook é especialmente boa porque o próprio autor que narra o livro e ele imita muito bem a voz do Tim Maia, os maneirismos e toda sua malemolência. Ele escreve tudo de um jeito muito realista e sem julgamentos morais, lembra às vezes o jeito do Bukowski, que eu odeio, mas que aqui cabe perfeitamente.
Não tenho muito mais o que falar, agora é só torrar um baurete e ouvir os dois volumes de Racional admirando ainda mais toda sua obra.
Narração das histórias de vida de uma das maiores forças criativas brasileiras, com linguagem livre e debochada. Escrito especialmente para os amantes da MPB e pra aqueles que, como Tim, tem paixão pela intensidade e excessos. Mesmo sem ter vivido na época, é impossível não sentir saudades dos tempos "Tim Jobim".
Longo demais! O livro tem partes boas, mas é detalhado até demais. Como no auge da carreira Tim repetia um padrão de comportamento (cancelar show, fumar demais, tratar os outros mal, etc..) o livro quer me contar todas as vezes que essas mesmas situações aconteceram e vira um tédio. A escrita de tiozão fez com o que o livro envelhecesse muito mal. A escrita do Nelson é totalmente machista, poucas são as mulheres que ele consegue escrever com o mínimo de respeito. E depois de tanto detalhe e firula fiquei chocada com o fim da vida de Tim ser descrita da forma mais sucinta e sem emoção possível. Enfim, não recomendaria o livro para ninguém.
O personagem, Tim Maia, é simplesmente fantástico. As passagens narradas no livro são hilárias, de morrer de rir. Apesar de Nelson Mota não ser o melhor escritor que já li - em vários momentos ele repete frases na mesma página - mas mesmo assim, o livro vale muito a pena.
Nelson Motta nos ensina como um mega cafajeste era uma das forças criativas mais importantes na música brazuca. Leitura leve, que foca nos causos do homem.
A contribuição de Tim Maia para a MPB é inegável, mas sua vida pessoal era tão conturbada que mentiras, exageros e a mais pura verdade se misturam formando uma personalidade que surpreende por ser a caricatura do malando carioca.
Estou falando daquele estereótipo antigo do 171 com o cafajeste e não da versão aguada e bem humorada que agora se tem. Tim Maia era, pelas palavras de Motta, arrogante, caloteiro, irresponsável e... genial.
O texto abarca toda a vida do cantor em âmbito pessoal e profissional e se vale de anedotas, partes de letras e muita passada de mão na cabeça para formar essa biografia. Pode ser delicioso para quem viveu aquele tempo e pode usar a discografia dele como parte da trilha sonora da própria vida.
Mas não espere aqui muita informação para a economia e política da época. Tim Maia, por tudo que gritava em suas entrevistas, era tão desligado de ambos quanto o brasileiro médio. Nelson Motta prefere tingir o texto com partes de entrevistas ao mesmo que escreve como o cantor utilizava a persona para marketing pessoal.
É um livro interessante, porém é bom lembrar que foi escrito por um amigo pessoal do artista - nada extremamente polêmico (para os padrões atuais) é revelado. Parece mais um elogio póstumo do que qualquer outra coisa.
A biografia passa a ideia que Tim Maia vivia num ciclo infinito de grandes shows e grandes hits, muito uso de drogas e bebidas, solidão e mulheres (namoradas e prostitutas), fracassos, brigas e processos por calotes (de shows e pagamentos). E talvez fosse isso mesmo, mas não há nenhuma exploração mais profunda seja do protagonista, seja do que/quem estava ao seu redor.
Nesse sentido, o livro fica um pouco monótono (e deprê) porque todos os capítulos passam por esse ciclo. O bom é que há muitas histórias engraçadas de situações vividas por Tim Maia, histórias de como algumas músicas surgiram, suas relações com outros músicos e personalidades da época, histórias de sua generosidade, do seu vanguardismo ao ter a própria editora e o próprio estúdio de música, do seu amor pelos cães, sua devoção à mãe.
Ao fim, é uma biografia de contação de "causos", alguns felizes, outros tantos tristes, e só.
De uma forma divertida e muito detalhada, Nelson Motta nos mostra a intimidade do sindico do Brasil de uma forma direta e sem censura.
A cada historia narrada por Motta, minha adimiracao pelo mestre Tim crescia e ao mesmo tempo fixava a certeza de que o Tim foi uma pessoa ao mesmo tempo louca, humana, divertida e solitaria.
Um livro para se guardar na estande e mostrar aos filhos quando perguntarem que foi Tim maia.
Gosto muito de biografias, sou curiosa para conhecer a pessoa um pouco além da fama e dos acontecimentos ao redor da sua vida. No início me empolguei muito com o livro, vários detalhes da história da música brasileira que não eram do meu conhecimento e da própria vida do Tim Maia. Mas como muitos já escreveram, o livro se torna muito repetitivo do meio para o final. Eu parei de ler faltando um terço, e levei um tempo para retomar e finalizar. De qualquer forma, a leitura é válida.
Fui feliz lendo esse livro viu, chegando mais para o fim comecei a economizar páginas pois não queria ficar longe do meu gordinho nem da escrita tão gostosa de Nelson Motta. Me identifiquei muito com tim, com suas qualidades, seus defeitos, suas falhas, sua solidão, uma figura importantíssima para a história da negritude na música brasileira e para a negritude no Brasil. Saudamos Tim Maia, valorizamos sua arte e suas contribuições, seus chiliques, sua paixão e seu nobre coração
Narrativa empolgante quase que o livro todo, mas senti falta de um teco de análise psicológica da figura do tim maia, fiquei instigada a entendê-lo um pouco mais profundamente e senti que a obra não supriu essa vontade. No fim, tive a sensação de obra incompleta, senti a morte de Tim Maia ser relatada de forma abrupta e até um pouco descuidada, como se este fosse um homem que não causou impacto em vida ou morte. Quem chorou? Quem lamentou a ida de Tim Maia?
Bom até a metade. O fato de Nelson Motta ser amigo do Tim aproxima muito o leitor das histórias. Parece que em toda esquina do Brasil tem um Tim Maia. O problema é que depois da metade tudo acaba ficando um pouco repetitivo: problemas com drogas, festas, problemas com gravadora, dívidas, saúde.
Em linhas gerais é uma biografia satisfatória, dá para ter uma boa noção do Tim, embora a linguagem do livro não tenha sofrido uma nova revisão linguística (conforme os novos padrões sociais), é um bom livro para passar o tempo!
Esse vale cada segundo. Ler e conhecer o momento da música, o que se passava na vida, terminar triste - afinal, o protagonista morre né - e com a certeza que Tim Maia foi um gênio musical absoluto.
10 anos depois de ter lido pela primeira vez esse livro, resolvi reler e que alegria! Risadas do início ao fim e a segue o título da minha biografia favorita. Valeu, Nelsomotta!
Oooooh nelsomota! Uma espiada na vida íntima de uma dos maiores músicos da história brasileira. Sempre ouvi q era uma pessoa polêmica mas não sabia que era dessa forma. Recomendo a leitura 100%!
Em uma conversa com um colega de trabalho ouvi falar deste livro, que foi publicado em 2007. Como sou muito fã do Tim Maia do Brasil, pedi o livro emprestado. A razão desta introdução é para justificar o injustificável. Já assumi que a escolha será randômica, considerando a lista para 2013 e interesses do momento, não necessariamente nesta ordem. Feito o disclaimer inicial, vamos falar do Tim Maia, e seu Vale Tudo, um livro muito bacana, meio auto biográfico, meio fofoqueiro, escrito pelo amigo dele, Nelson Motta. (O mesmo que escreveu o delicioso Noites Tropicais).
O livro conta praticamente toda a história de Tim, o cantor mais doidão do Brasil – como ele mesmo se define. Desde a passagem pelos EUA, onde foi preso e deportado na década de 60, até a sua viagem de limusine pelo mesmo caminho feito nos EUA, 34 anos depois, com uma mala cheia de dinheiro e já como um dos, se não o melhor, cantor do Brasil. O início no Divino lá na Tijuca com Roberto Carlos, Erasmo, e os Sputniks. A paixão pela Rita Lee, e a amizade com Cazuza, Tom Jobim, e a força para Sandra de Sá no início da carreira, que quase perdeu a voz para tentar cantar no tom do TIM.
As histórias dele todos conhecem. As barbaridades são de domínio público. Mas os detalhes é que são surreais. Ir para os Estados Unidos para comprar instrumentos para a banda recém-formada e voltar sem os instrumentos e com um Fila (o cachorro enorme) não é para qualquer um. Ou após um show em um presídio, na saída, falar para o chefe da guarda que “aquele moço que esta vindo por último não está conosco. Deve ser um preso tentando fugir". Detalhe que o “moço” era o tecladista da banda. Foi só uma brincadeira. Mas o tecladista ficou retido no presídio até a contagem dos presos. Certa vez foi para uma Spa tentar emagrecer. Na volta respondeu aos repórteres: “Cortei carne vermelha, gorduras, doces e bebidas. O resultado final foi que perdi 14 dias da minha vida."
Ele era tão genial que em uma das fases mais difíceis da vida, antes do sucesso, morando no quarto da empregada do amigo, como ele mesmo definiu, “sem um puto, e sem comer ninguém”, conseguiu transformar a dor em música e escreveu “Azul da cor do mar”, um dos seus maiores sucessos. É um lance meio Adele (que leva um pé na bunda e escreve e interpreta o fabuloso 21...uma capacidade incrível de transformar sentimento em arte). Coisa de gênio.
Este era o Tim, que ficava tão feliz, mas tão feliz quando um show saia perfeito, que virava a madrugada e a manhã comemorando no triathlon (sim, ele foi o inventor do after) e não conseguia ir cantar no dia seguinte. A bebida e as drogas o acompanharam a vida toda, e esta parte do livro da muita pena, sobretudo pela forma como isto foi incorporado à vida dele, e o destruiu. Convidado para cantar no show dos Titãs, Tim declinou do convite com a seguinte frase: “Obrigado Branco Melo, mas se eu não vou aos meus shows, não é no de vocês que eu irei. Daqui a pouco vão me chamar de Tim Maia participações."
Acho que o mais interessante da história e entender os detalhes pouco conhecidos, do tipo, por que ele fazia tanto rolo com o pessoal do som. Seu ouvido refinado simplesmente não aceitava um sonzinho quatro/quatro e meio, que não chega nem a cinco , e com bastante whisky na cabeça, estava sempre querendo dar uns safanões no pessoal do som. Se alguém tem alguma dúvida do quanto seu som era completo, recomendo parar para ouvir alguns clássicos. A inspiração dele era a Motown. Não precisa dizer mais nada.
Enfim, para não virar uma resenha em formato de spoiler recomendo o livro para quem curte a música popular brasileira de verdade. É difícil resistir a ler de uma só vez, dada à qualidade da narrativa do Nelson Motta. É impossível não se emocionar com as histórias loucas, mas cheias de paixão do nosso saudoso síndico. Vale a pena ler Vale Tudo.