Missouri, 1876. Em um pequeno vilarejo chamado São Petesburgo (que nada tem a ver com a cidade russa), um menino traquinas de dez anos chamado Thomas Sawyer dá dores de cabeça a sua tia Polly. É quase um livro de contos, visto que muitos capítulos podem ser lidos separadamente, mas a história ainda possui um conflito linear, vilão, climax e fechamento.
Tom se mete em brigas com os colegas, foge com dois amigos com o objetivo de se tornar pirata, se perde numa caverna com a menina que gosta, presencia um assassinato e muito mais. O livro muito me lembrou ao Pequeno Nicolau, clássico infantil francês cujo enredo também são as aventuras de uma criança com seus amigos. Eu devorei todos os livros da série quando tinha oito anos.
A linguagem é infantil e as estruturas das frases são bem simples, deixando o livro muito gostoso de ler lido. Contudo, ele aborda temas adultos, como assassinato, morte de crianças e alcoolismo. É bom lembrar também que nem sempre as crianças foram vistas como crianças, então Tom, Huck Finn (que depois viria a ganhar seu próprio livro) e outros personagens são tratados como pequenos adultos em dados momentos, inclusive fumando cachimbos (o que me surpreendeu quando eu li).
Tom termina o livro do mesmo jeito que começou, não havendo desenvolvimento do personagem. Mas, como estou falando de uma criança que não tem a obrigação de amadurecer, vou dar aquela passada de pano básica para o Mark Twain.
É um bom livro que remete a infância e também é um registro sobre como viviam as crianças nos EUA do século XIX, mas ele pode não ter a mesma mágica se este espírito infantil não existir mais em você. Ainda assim, Tom Sawyer conseguiu me fazer dar risadas e me divertir bastante.