Essa nova coletânea de contos tem um foco muito preciso: a crueldade e a violência, tanto física quanto psicológica, no cotidiano dos brasileiros urbanos. Ou seja; a crueldade não está presente apenas nos conflitos políticos e armados, mas no dia-a-dia das pessoas. Os textos expressam várias formas e vozes – poética, cinematográfica, fragmentária, cômica, erótica, onírica. “Neste livro a polifonia alcança resultados maravilhosos, que reafirmam a qualidade de nossos ficcionistas contemporâneos”, escreve Linaldo Guedes na apresentação do livro. Contos Cruéis. Além do organizador, vários dos autores participaram do lançamento, entre eles Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Luiz Fernando Emediato, Ignácio de Loyola Brandão, Marçal Aquino e Nelson de Oliveira.
Rinaldo de Fernandes é contista, romancista, antologista e professor universitário. É autor de O perfume de Roberta, (contos, Garamond, 2005) e organizador, entre outras, das coletâneas Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea (Geração Editorial, 2006), Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa (Garamond, 2006) e Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte (Geração Editorial, 2008). Rita no Pomar é seu romance de estreia.
Alguns contos geniais, outros nem tanto. A seleta é boa e abarca diferentes aspectos, mas todos de crueldade, física ou emocional. Antologias de contos servem de porta de entrada para drogas mais pesadas, e essa não foi diferente.