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O tempo e o vento (7 Volumes) #5

O Arquipélago - Volume I

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A trilogia O tempo e o vento, que inaugura o relançamento da obra completa de Erico Verissimo pela Companhia das Letras, é a saga mais famosa da literatura brasileira. São cento e cinqüenta anos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil que o escritor compôs em três partes - O Continente, O Retrato e O arquipélago -, publicadas entre 1949 e 1962.
O arquipélago, última parte da trilogia, encerra a história da família Terra Cambará. O Brasil, o Rio Grande do Sul e Santa Fé se modernizam, e não cabem mais nos planos das oligarquias tradicionais. Os Cambarás retiram o apoio ao governo e aderem à revolução libertadora em 1923, ao lado dos arquiinimigos maragatos. No fim do conflito, guarnições militares das Missões se rebelam e Toríbio, o irmão mais velho de Rodrigo, une-se a elas na formação da coluna revolucionária liderada por Luiz Carlos Prestes.
Na cidade fictícia de Santa Fé, a família Terra Cambará é abalada por novos conflitos: Toríbio rompe com o irmão e Sílvia, a amada do escritor Floriano, revela seu mundo num diário surpreendente. Tudo converge para uma encruzilhada de tempos e memórias: o doutor Rodrigo tem um acerto de contas definitivo com o filho, Floriano, que começa a escrever o grande romance de sua vida.
Na galeria de personagens de O tempo e o vento há figuras fascinantes, comparáveis a grandes ícones da literatura nacional como Peri, Capitu e Macunaíma. A forte Ana Terra, o valente capitão Rodrigo Cambará, a sedutora Luzia Silva e o curioso doutor Carl Winter são apenas alguns desses personagens, eternamente vivos na imaginação dos leitores.
Desfilam no romance as disputas entre famílias pelo poder local, regional e nacional; as guerras de fronteira e as civis; a bravura dos homens e a tenacidade das mulheres; a pobreza de meios e a violência contra os desassistidos. Valores caros ao escritor entram em cena: a sobriedade, a liberdade e a coragem - que muitas vezes não estão nos campos de batalha, mas na simplicidade do cotidiano e na resistência capaz de sobreviver aos desmandos políticos.
O projeto gráfico de Raul Loureiro e as ilustrações do artista plástico Paulo von Poser respeitam o espírito das primeiras edições de Erico Verissimo, acompanhadas meticulosamente pelo próprio escritor - que chegava a desenhar esboços de personagens e cenários. Além de ilustrar as páginas iniciais de todos os volumes, Paulo von Poser desenhou o mapa do Rio Grande do Sul que ilustra O Continente.

384 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1962

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About the author

Erico Verissimo

107 books390 followers
Erico Verissimo (December 17, 1905 - November 28, 1975) is an important Brazilian writer, who was born in Rio Grande do Sul. His father, Sebastião Veríssimo da Fonseca, heir of a rich family in Cruz Alta, Rio Grande do Sul, met financial ruin during his son's youth. Veríssimo worked in a pharmacy before obtaining a job at Editora Globo, a book publisher, where he translated and released works of writers like Aldous Huxley. During the Second World War, he went to the United States. This period of his life was recorded in some of his books, including: Gato Preto em Campo de Neve ("Black Cat in a Snow Field"), A Volta do Gato Preto ("The Return of the Black Cat"), and História da Literatura Brasileira ("History of Brazilian Literature"), which contains some of his lectures at UCLA. His epic O Tempo e o Vento ("The Time and the Wind'") became one of the great masterpieces of the Brazilian novel, alongside Os Sertões by Euclides da Cunha, and Grande Sertão: Veredas by Guimarães Rosa.
Four of Veríssimo's works, Time and the Wind, Night, Mexico, and His Excellency, the Ambassador, were translated into the English language by Linton Lomas Barrett.
He was the father of another famous writer of Rio Grande do Sul, Luis Fernando Veríssimo.

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Displaying 1 - 21 of 21 reviews
Profile Image for Carmo.
727 reviews568 followers
March 19, 2021
"Muitos já disseram que o escritor Floriano Cambará, filho do dr. Rodrigo, é uma espécie de espelho da alma de Erico Veríssimo. É verdade. Mas, sem querer reduzir a ficção a mero espelho da vida do romancista, é possível perceber, que o próprio dr. Rodrigo também é, em parte, um espelho do olhar de Erico.
Criador e criatura se encontraram e seus destinos se confundiram por um momento. "


Ditaduras, guerra e revoluções grassam na Europa e também no Brasil. Os homens continuam envolvidos nos destinos do país e as mulheres continuam o seu papel secundário na sociedade, mantendo firmes os pilares da estrutura familiar numa espera conformada pelos homens que as amam e traem na mesma medida.
Profile Image for Rita.
908 reviews188 followers
February 14, 2021
Continua a saga da família Terra Cambará.
Neste volume de O Arquipélago, temos capítulos nomeados como: Reunião de família I e II, O deputado, Caderno de pauta simples e o Lenço encarnado.

Reunião de família I e II

Rodrigo está às portas da morte, acamado, o seu casamento com Flora é apenas fachada e a amante está hospedada no hotel de Santa Fé. Os filhos de Rodrigo não se entendem.
Floriano, o filho mais velho e o intelectual da família é apaixonado por Sílvia que é mulher de Jango, o seu irmão. Eduardo é comunista e aproveita todas as manifestações públicas para criticar o seu pai. Bibi, a filha mais nova e casada pela segunda vez, sente-se deslocada em Santa Fé, e Maria Valéria já se encontra cega. Pepe Garcia, o autor do retrato, regressa a Santa Fé.
Há algumas personagens novas, como o Irmão Zeca – filho bastardo de Toríbio –, o Tio Bicho, Terêncio Prates, e Dante Camerino.

O Deputado, Caderno de Pauta e Lenço Encarnado

Assistimos a alguns momentos históricos – O Brasil declara guerra à Alemanha, Revolução Bolchevique e início da União Soviética, e no Rio Grande do Sul Borges de Medeiros é reeleito. Em São Paulo acontece a semana de Arte Moderna, e no rio há a revolta do Forte de Copacabana.
Assistimos à Revolução de 23, às eleições que opõem Borges de Medeiros e Assis Brasil, e à organização da coluna revolucionária em Santa Fé.


De todos os volumes lidos até agora este é onde está mais presente a política, talvez por isso não consiga dar-lhe mais que as 4 estrelas.
Profile Image for Luciana.
516 reviews160 followers
September 7, 2023
Quinto livro da saga O Tempo e o Vento, O Arquipélago abre sua trama dando continuidade a dinastia Terra-Cambará que não apenas se propaga no tempo, como se adequa aos novos rumores da política brasileira. Composto de personagens intrinsecamente voltados aos conflitos, seja regionais ou nacionais, seja de liberdade de imprensa ou em combate ao coronelismo, o médico Rodrigo Cambará volta à Santa Fé depois da queda de Getúlio Vargas e inicia, novamente, o capítulo final de sua história.

Com ecos do Estado Novo, com a presença fortemente de temas filosóficos em torno da consciência de classe, do comunismo, do socialismo e do capitalismo, Veríssimo toma novos personagens em conjunto aos antigos para debater as correntes da economia política, tanto pelos filhos de Rodrigo Cambará, que simbolizam homens e vertentes distintas de uma sociedade, tanto por meio dos embates que surgem agora sob as figuras de Assis Brasil e Borges de Medeiros.

De tal maneira, compondo mais uma obra universal, o escritor nos narra a ascensão do fascismo, de Mussolini, de Getúlio Vargas e demais temas que se aproximam cada vez mais da nova revolução que está prestes a desembocar no Rio Grande, onde, uma vez mais, os Cambarás terão sua parte no conflito. Novamente, uma brilhante continuação da obra.
Profile Image for Newton Nitro.
Author 6 books111 followers
April 29, 2015
E o Tempo e o Vento vai ficando cada vez melhor, se isso seria possível. O que mais fico embasbacado com o Érico Veríssimo é como ele consegue casar uma prosa deliciosa de se ler, acessível, cinematográfica, com momentos de muita beleza poética, com temas profundos e exploração psicológica precisa. Seus livros são ao mesmo tempo acessíveis e eruditos, recomendaria para qualquer leitor, são excelentes para habituar novos leitores no prazer da escrita, e mesmo assim, possuem profundidade filosófica e psicológica.

E nesse primeiro volume de Arquipélago, Veríssimo demonstra maturidade e visão de obra a cada frase, a cada construção literária. A estrutura continua sofisticada, o tempo e o espaço são transformados e fluem ao sabor da narrativa e das memórias, sem dar aquele desconforto no leitor ao pular em diversos tempos cronológicos.

A trajetória do Dr. Rodrigo Cambará incia seu ato final, com a narrativa preenchendo mais lacunas de sua vida, construindo um personagem complexo e interessante, talvez uma encarnação do espírito rio grandense, com todas suas contradições expostas ao leitor de maneira quase cruel. As discussões filosóficas de Tempo e o Vento: Retrato se aprofundam e ganham mais nuances, com Érico se colocando dentro do romance, colocando seu ponto de vista pessoal (que tinha se fragmentado em Continente, na figura de Carl Winters) nas personagens de Tio Bicho e Floriano. E todas as vezes que esses dois apareciam lá estava eu, leitor, selecionando tudo, citando, lendo em voz alta várias vezes. E fica a dica, leia Érico Veríssimo em voz alta e veja que musicalidade, que poesia se esconde nas frases. O cara é foda pra caralho mesmo, véio!

E vamos para Arquipélago Volume 2, onde a pancadaria grossa das revoluções da década de 20!

ALGUMAS ANOTAÇÕES DURANTE A LEITURA DE TEMPO E O VENTO: ARQUIPÉLAGO VOL.1 (Pode ter spoilers!)

tema recorrente: o tempo cura feridas

O foco narrativo as vezes entra no ponto de vista feminino, principalmente na visão
das mulheres que esperam os homens que foram lutar na revolução de 20 e 30.

Minha avó passou o mesmo com meu avô, que também saiu para a revolução de 30.

Jesus Carcomido "esse aí entende de guerras"

divisão social violenta entre chinas, chinocas e is brancos e pardos

hoje em dia, o Rodrigo Cambará seria um sexolatra

filósofos avatares de Érico Veríssimo - Fandango, Tio Bicho e Florisberto

Maria Valéria - Super Ego castrador de Rodrigo Cambará

Conversa entre Floriano e Tio Bicho: A teoria do romance de Érico Veríssimo

Livro mais autobiográfico, Floriano é o avatar de Érico Veríssimo

TRECHOS DOIDIMAIS DE TEMPO E O VENTO: ARQUIPÉLAGO VOL. 1

A TEORIA DO ROMANCE DE FLORIANO

“— Uma das coisas que mais me preocupam — diz Floriano — é descobrir quais são as minhas obrigações como escritor e mais especificamente como romancista. Claro, a primeira é a de escrever bem. Isso é elementar. Acho que estou aprendendo aos poucos. Cada livro é um exercício. Vocês devem conhecer aqueles versos de John Donne que Hemingway popularizou recentemente, usando-os como epígrafe de um de seus romances. É mais ou menos assim: Nenhum homem é uma ilha, mas um pedaço do Continente… a morte de qualquer homem me diminui, porque eu estou envolvido na Humanidade… et cetera, et cetera.

Tio Bicho cerra os olhos e, parodiando o ar inspirado dos declamadores de salão, murmura eruditamente:

— “And therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee.”

— Estive pensando… — continuou Floriano. — Nenhum homem é uma ilha… O diabo é que cada um de nós é mesmo uma ilha, e nessa solidão, nessa separação, na dificuldade de comunicação e verdadeira comunhão com os outros, reside quase toda a angústia de existir.

Irmão Zeca olha para o soalho, pensativo, talvez sem saber ainda se está ou não de acordo com as ideias do amigo.
— Cada homem — prossegue este último — é uma ilha com seu clima, sua fauna, sua flora e sua história particulares.

— E a sua erosão — completa Tio Bicho.

— Exatamente. E a comunicação entre as ilhas é das mais precárias, por mais que as aparências sugiram o contrário. São pontes que o vento leva, às vezes apenas sinais semafóricos, mensagens truncadas escritas num código cuja chave ninguém possui.

Cala-se. Conseguirá ele agora estabelecer comunicação com essas quatro ilhas de clima e hábitos tão diferentes dos seus?

— Tenho a impressão — continua — de que as ilhas do arquipélago humano sentem dum modo ou de outro a nostalgia do Continente, ao qual anseiam por se unirem. Muitos pensam resolver o problema da solidão e da separação da maneira que há pouco se mencionou, isto é, aderindo a um grupo social, refugiando-se e dissolvendo-se nele, mesmo com o sacrifício da própria personalidade. E se o grupo tem o caráter agressivo e imperialista, lá estão as suas ilhas a se prepararem, a se armarem para a guerra, a fim de conquistarem outros arquipélagos. Porque dominar e destruir também é uma maneira de integração, de comunhão, pois não é esse o espírito da antropofagia ritual?

Edu salta:

— Toda essa conversa não passa duma cortina de fumaça atrás da qual procuras esconder a tua falta de vocação política, a tua incapacidade para a vida gregária.

— Por mais absurdo que pareça — diz Rodrigo — desta vez estou de acordo com o camarada Eduardo.

Floriano sorri. Os apartes, longe de o irritarem, o estimulam, pois tiram à sua exposição o caráter antipático e egocêntrico de monólogo. Prossegue:

— Para o Eduardo o Continente é o Estado Socialista, ou a simples consciência de estar lutando pela salvação do proletariado mundial. Para outros, como para o Zeca, a Terra Firme, o Grande Continente, é Deus, e a única ponte que nos pode levar a Ele é a religião ou, mais especificamente, a Igreja Católica Apostólica Romana. Há ainda pessoas que satisfazem em parte essa necessidade de integração simplesmente associando-se a um clube, a uma instituição, uma seita.

Bandeira aparteia:

— Por exemplo, o Rotary Club ou a Linha Branca de Umbanda.

— O que importa para cada ilha — prossegue Floriano — é vencer a solidão, o estado de alienação, o tédio ou o medo que o isolamento lhe provoca.

Faz uma pausa, dá alguns passos no quarto, com a vaga desconfiança de que se está tornando aborrecido. Mas continua:

— Estou chegando à conclusão de que um dos principais objetivos do romancista é o de criar, na medida de suas possibilidades, meios de comunicação entre as ilhas de seu arquipélago… construir pontes… inventar uma linguagem, tudo isto sem esquecer que é um artista, e não um propagandista político, um profeta religioso ou um mero amanuense…”

DICAS PARA ESCRITORES DO TIO BICHO

“— Presta bem atenção. Suponhamos que a vida é um touro que todos temos de enfrentar. Como procederia, por exemplo, o teu avô Licurgo Cambará, homem prático e despido de fantasia? Montaria a cavalo e, com auxílio de um peão, simplesmente trataria de laçar o animal. Agora, qual é a atitude de seu neto Floriano Cambará? Tu saltas para a frente do touro com uma capa vermelha e começas a provocá-lo. De vez em quando fincas no lombo do bicho umas farpas coloridas… Mas quando o touro investe, tu te atemorizas, foges, trepas na cerca e de lá continuas a manejar a capa, para dar aos outros e a ti mesmo a impressão de ainda estar na luta… É uma atitude um tanto esquizofrênica, com grande conteúdo de fantasia. Certo? Bom. Toma agora o teu tio Toríbio… Qual seria a atitude dele?

— Pegaria o touro à unha.

— Exatamente. Levaria a loucura e a fantasia até suas últimas consequências!

— Aonde queres chegar com tua parábola?

— O que quero dizer é o seguinte. Se num romancista predomina a atitude do velho Licurgo, isto é, o senso comum, corremos o risco de ter histórias chatas como a de certos autores ingleses cujas personagens passam o tempo tomando chá, jogando críquete ou falando no tempo. Queres um exemplo? Galsworthy. Ora, tu sabes que eu seria o último homem no mundo a negar a importância e a beleza do teu bailado de toureiro para qualquer tipo de arte… Há até uma certa literatura que não passa duma série de jogos de capa e bandarilhas. Mas o que dá a um romance a sua grandeza não é nem o seu conteúdo de verdade cotidiana nem o seu tempero de fantasia, mas o momento supremo em que o autor agarra o touro pelas aspas e derruba o bicho. Se queres um exemplo de romancista que primeiro faz verônicas audaciosas e depois agarra o animal à unha, eu te citarei Dostoiévski. E se me vieres com a alegação de que o homem era um psicopata, eu te darei então Tolstói. E se ainda achares que o velho também não era lá muito bom da bola, te direi que um homem realmente são de espírito não tem necessidade de escrever romances. E se depois desta conversa me quiseres mandar àquele lugar, estás no teu direito. Mas mantenho a minha opinião. O que te falta como romancista, e também como homem, é agarrar o touro à unha…”

Trechos tirados de Tempo e o Vento: O Arquipélago – ÉRICO VERÍSSIMO
Profile Image for Barbara.
127 reviews5 followers
September 1, 2018
"O diabo é que cada um de nós é mesmo uma ilha, e nessa solidão, nessa separação, nessa dificuldade de comunicação e verdadeira comunhão com outros, reside quase toda a angústia de existir"
Profile Image for Mayara Lima.
22 reviews2 followers
January 28, 2022
Leitura sugerida aos descendentes de gaúchos, leitura obrigatória aos descendentes de gaúchos veganos, artistas, peixes fora d'água de maneira geral...

Fez-me sentir grata por ter lido os outros títulos - por terem me guiado até esse.

As estrelinhas são para o começo e os quotes abaixo, porque achei o restante parecido com o volume primeiro dO Retrato: lentinho e desinteressantezinho:

O personagem se chama Floriano ou Erico? 👀

- "Mas o que dá a um romance a sua grandeza não é nem o seu conteúdo de verdade cotidiana nem o seu tempero de fantasia, mas o momento supremo em que o autor agarra o touro pelas aspas e derruba o bicho";

- "Repara na pobreza da obra dos escritores exilados [...]. Mas nenhuma personagem da literatura se torna universal sem primeiro ter pertencido especificamente a alguma terra, a alguma cultura";

- "O contorno ondulado das coxilhas dum verde vivo que dava ao olhar a sensação que o cetim dá ao tato: caponetes dum verde-garrafa, azulados na distância, coroando as colinas ou perlongando as canhadas";

- "Vocês devem conhecer aqueles versos de John Donne que Hemingway popularizou recentemente, usando-o como epígrafe de um de seus romances. É mais ou menos assim: 'Nenhum homem é uma ilha, mas um pedaço do Continente... A morte de qualquer me diminui, porque eu estou envolvido na Humanidade-";

- "Tentativa de compreensão das ilhas do arquipélogo a que pertenço ou, antes, devia pertencer. Abertura de meus portos espirituais ao comércio das outras ilhas";

"Pela janela ele viu a barra avermelhada do nascente, sublinhando a palidez do céu".
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Laura.
7,134 reviews607 followers
April 21, 2013
Pagina 179:
Cada livro é um exercício. Vocês devem conhecer aqueles versos de John Donne que Hemingway popularizou recentemente, usando-os como epígrafe de um de seus romances. É mais ou menos assim: Nenhum homem é uma ilha, mas um pedaço do Continente...

Nenhum homem é uma ilha... O diabo é que cada um de nós é mesmo uma ilha, e nessa solidão, nessa separação, na dificuldade de comunicação e verdadeira comunhão com os outros, reside quase toda a angústia de existir.

Cada homem - prossegue este último - é uma ilha com seu clima, sua fauna, sua flora e sua história particulares. - E a sua erosão - completa tio Bicho.

Exatamente. E a comunicação entre as ilhas é das mais precárias, por mais que as aparências sugiram o contrário. São pontes que o vento leva, às vezes apenas sinais semafóricos, mensagens truncadas escritas num código cuja chave ninguém possui.

Pagina 181:
Tenho a impressão - continua - de que as ilhas do arquipélago humano sentem dum modo ou de outro a nostalgia do Continente, ao qual anseiam por se unirem. Muitos pensam resolver o problema da solidão e da separação da maneira que há pouco se mencionou, isto é, aderindo a um grupo social, refugiando-se e dissolvendo-se nele, mesmo com o sacrifício da própria personalidade. E se o grupo tem o caráter agressivo e imperialista, lá estão as suas ilhas a se prepararem, a se armarem para a guerra, a fim de conquistarem outros arquipélagos. Porque dominar e destruir também é uma maneira de integração, de comunhão, pois não é esse o espírito da antropofagia ritual?

Para o Eduardo o Continente é o Estado socialista, ou a simples consciência de estar lutando pela salvação do proletariado mundial. Para outros, como para o Zeca, a Terra Firme, o Grande Continente é Deus, e a única ponte que nos pode levar a Ele é a religião ou, mais especificamente, a Igreja Católica Apostólica Romana. Há ainda pessoas que satisfazem em parte essa necessidade de integração simplesmente associando-se a um clube, a uma instituição, uma seita...

Pagina 182:
Que tem sido nossa vida política nestes últimos cinqüenta ou sessenta anos senão uma série de danças tribais ao redor de dois defuntos ilustres? Refiro-me a Júlio de Castilhos e Gaspar Martins. Sempre foi motivo de orgulho para um gaúcho que se prezava sacrificar-se, matar ou morrer pelo seu chefe político, pelo seu partido, pela cor de seu lenço.

Pagina 183:
Em primeiro lugar quero deixar claro que não me enquadro em nenhuma dessas posições. Em segundo, acho que tanto o homem que domina arbitrariamente como o que se deixa dominar perdem a integridade. Um entrega sua liberdade. Outro mata a liberdade alheia em benefício da própria.

Pagina 188:
Vocês enchem a boca com palavras como justiça, fraternidade, liberdade, igualdade e humanidade. Afirmam que nada disso existe na Rússia soviética, apesar de nunca a terem visitado. Mas sejamos honestos. Oito anos de Estado Novo, a Câmara e o Senado fechados, os direitos civis suprimidos, as cadeias abarrotadas de presos políticos sem processo, a imprensa amordaçada... é essa a idéia que vocês têm de justiça e liberdade? Será humanidade entregar a mulher de Prestes, grávida, aos carrascos da Gestapo, que a mataram num campo de concentração? E que me dizem da polícia carioca queimando com a chama de um maçarico o ânus dum preso político? Ou enlouquecendo o Harry Berger com as torturas mais bárbaras, para obrigá-lo a confessar sua participação num complot que não passava dum produto da imaginação mórbida de Gois Monteiro? Isso é fraternidade? Que dizer também dos parasitas que fizeram negociatas em torno do Banco do Brasil, das autarquias e dos ministérios? E da nossa sórdida burguesia que durante a guerra se empanturrou de lucros extraordinários, mantendo o operariado num salário de miséria? Isso é justiça social? Isso é respeitar a dignidade da pessoa humana? Ora, não me façam rir!
Profile Image for Mayumi.
846 reviews22 followers
March 5, 2017
Algumas citações, ali no spoiler.

Profile Image for Desirée Matta.
21 reviews
February 25, 2021
Desisti de escolher dar 4 estrelas pra algum livro d'O Tempo e o Vento esperando que o próximo fosse melhor e valesse as 5 estrelas. Toda essa saga leva 5 estrelas.
Na forma que Verissimo criou a história da família Terra Cambará e que deixa a gente tão próximo de tudo, que é como se fossemos também familiares e estivéssemos ouvindo contos sobre a vida de entes passados. Todos me são muito queridos.
Vou deixar pra fazer uma resenha mais crítica no fim do último livro, mas o que o primeiro tomo desse Vol. III trouxe já é um ótimo início pra uma era marcada pelo modernismo e as críticas ao capitalismo emergente que mostra suas garras no contexto político e faz Rodrigo sair da sua zona de conforto de uma forma que sabemos que ele é filho de Licurgo, neto de Bolivar, bisneto de Rodrigo...
8 reviews1 follower
February 2, 2021
Vou sentir falta da companhia da família Terra Cambará e de todas as evoluções que conheceram no sul do Brasil nesses séculos de o Tempo e o Vento!! O nascimento e crescimento das cidades, o „progresso“, os imigrantes chegando, se instalando e prosperando... uma obra de arte que nos faz entender muitas coisas!!! Érico Veríssimo e seu O Tempo e o Vento são leitura obrigatória, um clássico, e ao mesmo tempo muito atual!
Profile Image for Geovani de Souza.
44 reviews
July 17, 2025
"O Arquipélago I" continua retratando a história de Rodrigo Cambará de forma cada vez mais moderna, assim como a política do Brasil e do Rio Grande do Sul. Não há muito o que comentar sobre esse volume, afinal Érico Veríssimo mantém constante a qualidade de seus livros em toda a série O Tempo e o Vento até então.
Profile Image for Nilzete.
75 reviews3 followers
September 22, 2021
De geração em geração as coisas não mudam muito em relação à política. Finalizamos esse livro (a primeira parte do terceiro volume da saga) dentro de mais uma guerra com o Licurgo e o Rodrigo lado a lado na batalha.
É bom mas, só no próximo livro para saber como vai acabar a guerra.
Profile Image for carolina.
48 reviews1 follower
April 26, 2025
menção ao the jazz singer transportou-me diretamente para aulas de história do cinema
Profile Image for Everton Azevedo.
133 reviews
June 14, 2021
Começa com a reunião da Família Terra Cambará em 1945, com o fim do Estado Novo. Rodrigo Cambará agoniza, Flora vive entre o amor e o ódio ao marido, os filhos divididos retratam posturas sociais diversas: Bibi, deslocada e algo hedonista, esperando a herança pra voltar pro Rio. Eduardo, comunista, militando contra a classe que o pai representa. Jango, estancieiro simples, ligado à terra, de pensamento conservador. Floriano, intelectual passivo, escritor, apaixonado pela mulher do irmão e a longeva Maria Valéria Terra, a única personagem presente nos três volumes, memória vivente da família.

Os dois capítulos sobre a reunião acontecem no presente do livro e se destacam principalmente pelos diálogos entre Floriano e outras personagens, em especial tio Bicho e o primo Zeca, irmão marista filho bastardo de Toríbio. "O deputado" faz um passeio histórico pela primeira grande guerra e a revolução russa, entre outros eventos, pelo crivo variado dos habitantes de Santa Fé. No "Caderno de Pauta Simples" Floriano revisita o passado fazendo revelações intrigantes. "Lenço Encarnado" retrata a revolta armada entre republicanos e federalistas, onde os Cambarás organizaram a campanha oposicionista.

Esse volume deixa muito claro que "O Tempo e o Vento", além de pintar uma história social e política do Brasil, desde um ponto de vista cultural riograndense, é também uma história quase pessoal do autor, que faz uma espécie de reconciliação com as suas raízes e transfere para alguns personagens suas próprias experiências.
Profile Image for Paulo Sousa.
294 reviews13 followers
June 4, 2016
Livro 3°/Fev// 7°/2016

Título: O Tempo e O Vento 3 - O Arquipélago vol. 1
Autor: Erico Verissimo
Editora: Cia das Letras (1962)
Páginas: 384
Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️⭐️

_____________________________________
O Arquipélago, terceira e última parte da portentosa saga O Tempo e O Vento tem três volumes. Neste volume 1 uma nova geração de Cambarás nos é apresentada: os filhos de Rodrigo, agora adultos é que tomam as cenas do Sobrado.
Floriano, o filho mais velho, espécie de escritor em formação, vai traçando os perfis de sua família, do Sobrado e de Santa Fé. O faz misturando um lirismo construído pelos anos de solitárias leituras, introspecção e sentimentalismo arraigado em seu espírito.
Eduardo é o representante de uma corrente política e filosófica marxista que invadiu o Brasil como contraponto à Ditadura varguista.
Já o Jango é o elemento ligado às tradições pastoris da família Terra Cambará.
Mas é a figura de Rodrigo, o mesmo que encerrou O Retrato, em torno do qual gira a história. Ora já velho, doente e prostrado numa cama no Sobrado em 1945, intercalado com capítulos que o apresentam ainda jovem, quando seu ardor o faz organizar uma revolução e pelear contra as eleições fajutas que mantiveram Borges de Medeiros no poder em 1922, o retrato de Rodrigo continua falando alto, suas impressões e anseios, bem como seus amores voláteis porém intensos...
Profile Image for Priscilla.
1,928 reviews16 followers
July 21, 2024
No primeiro volume de O Arquipélago que também marca o fim da saga O Tempo e o Vento, vemos o início do século XX e a desagregação da família Terra-Cambará devido a ideologia predominante da época: o individualismo.

Pelos olhos de Floriano, primogênito do Dr. Rodrigo, observamos os revezes familiares com os embates entre Jango (o filho do meio e o estancieiro) e Eduardo (o caçula comunista) e Bibi (a filha divorciada) e Maria Valéria (a tia tradicionalista).

Os pensamentos do jovem escritor são pautados pelos sonhos em meio a tudo isso. Nada edificante, contudo, a mente de Floriano é voltada para o adultério, para a paixão que sente pela cunhada a quem ele julga como uma mulher massacrada pela brutalidade do irmão.

Nesse contexto, a família se vê igual a cidade de Santa Fé, levada pelo rumo dos acontecimentos, sem um representante político sólido e influente que possa guiá-la após a retirada de Dr. Rodrigo da vida pública e, de certa forma, da familiar também.

O destaque fica para o Caderno de Apontamentos, onde podemos reviver os acontecimentos da Revolução Federalista - prato cheio para quem se interessa por História do Brasil.
Profile Image for Gláucia Renata.
1,306 reviews41 followers
July 22, 2014
Estamos agora na segunda década do século XX, partidários viraram oposicionista e vice-versa. O foco narrativo agora está em Floriano, filho do Dr Rodrigo. Floriano talvez seja uma espécie de alter ego do autor por ter pretensões literárias. História política do Brasil misturada à história de uma família e de uma região.
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
August 27, 2015
Criei uma certa antipatia pelo Doutor Rodrigo Cambará. Mas quero ver como ele termina nessa história.
Profile Image for Amanda O..
171 reviews
Want to read
April 27, 2020
Comprando minha passagem para matar saudades do RS
Profile Image for Monique Gerke.
310 reviews31 followers
April 2, 2017
A história prossegue maravilhosa!
Parei pra pensar, agora que faltam 2 livros para o fim da série 'O Tempo e o Vento', e não lembro de ter lido trechos ou momentos divertidos, alegres..em suma, é a história da formação de um povo, marcado por guerras e revoluções e formas de pensar, muitas vezes preconceituosas, mas que nos ajudam a compreender muito da forma de se pensar atualmente! Tem sido um aprendizado, nem sempre feliz, mas sempre necessário, pois como disse uma vez Hannah Arendt: "compreender não significa negar o ultrajante, significa em suma, encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela — qualquer que seja, venha a ser, ou possa ter sido."
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