Sentado num café, com o mar ao fundo, Gaspar sente a mão a tocar-lhe de leve no ombro, ouve a voz que não identifica e o chama. Vira-se para trás, leva algum tempo a reconhecê-la, assim tão pálida, escondida atrás dos óculos escuros. É a Luísa.
Viu-a pela última vez vai para 42 anos, toda uma vida. E agora ali está ela, à sua frente, a sentar-se à sua mesa, como se fosse ontem. E tira os óculos. E os olhos encontram-se, a unir pontas que um dia se partiram, num verão distante, naquela mesma Nazaré.
O coração de Gaspar aperta-se. É um coração velho, que já não serve. Gastou-o numa vida sem amor. E agora espera por um novo, um transplante, um milagre que lhe prolongue o prazo de validade. Agora mais do que nunca. Porque ela está ali, trazendo consigo a promessa de um futuro que não sabe se tem. Ou se algum dia terá.
Romance de amor, de memórias, de reflexões, Um Estranho no Coração revela-nos uma faceta inesperada de Eduardo Sá. O contador de histórias continua presente, em cada página, em cada personagem. Mas desta vez usa como fio condutor uma única história, a de Gaspar; e nela projeta as suas (e as nossas) dúvidas, as decisões que tomamos, os desvios do caminho, as paragens sem porquê. E se nos oferece o balanço de uma vida vivida a medo, oferece-nos também uma ideia redentora: a segunda oportunidade, o eterno retorno.
Eduardo Sá nasceu em Leiria, em 1962. Hoje é psicólogo, psicanalista e professor de Psicologia clínica no Instituto Superior de Psicologia Aplicada em Lisboa e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde se formou. Desde muito cedo começou a colaborar em diversas publicações, tendo percorrido as revistas Xis, Adolescentes, Pais, a Notícias Magazine do Diário de Notícias ou o jornal Público.
O título do livro é tão apelativo e sendo o autor Eduardo Sá, estava à espera de algo infinitamente superior.
Não posso exprimir o quão ridículo achei Gaspar, o protagonista deste livro.
Em adolescente passou uns míseros instantes com uma rapariga chamada Luísa e voilà, amor eterno. Nunca mais a esqueceu e a sua vida a partir daí foi uma sucessão de ´Renúncias', como ficou conhecido.
Pura e simplesmente fez tudo porque tinha que fazer alguma coisa. Estudou Direito porque o pai assim desejou, namorou para não ficar sozinho, casou porque sim e por aí fora.
E que tipo de pessoas e relações disfuncionais são estas? Não posso afirmar que houve uma só personagem minimamente normal.
Neste primeiro romance de Eduardo Sá descreve as memórias de um homem chamada Vasco sobre uma amiga (Luísa) que conheceu na juventude, foi amor não concretizado mas que perdurou na sua mente, apesar de ser um bom pai encontra-se desde sempre casado com Alice mais por aparência do que por conveniência, aliás como acontece hoje em dia com bastantes casais. Vasco na despedida a um lugar com boas recordações aparece-lhe à frente a Luísa que faz-lhe renovar a esperança tentando que os seus problemas cardíacos não atrapalhem esta segunda oportunidade de finalmente alcançar um relacionamento baseado na felicidade e correspondência recíproca com o amor da sua vida. A leitura foi agradável mas faltou substância literária desenvolvida pelo autor que tem o mérito de através dos seus concelhos relatados no livro, que como psicólogo clínico e psicanalista de nomeada, transmitir a sua opinião admiravelmente sobre a vida, relacionamentos e segundas oportunidades consubstanciando-se num ideal utópico de retorno e regeneração do protagonista que teve a sorte de ter um coração transplantado de alguém mais jovem. Eduardo Sá publicou vários livros relacionados com a sua área de trabalho, mas na minha opinião, para um segundo romance se for mais do mesmo, então é melhor que se dedique unicamente ao que sabe fazer melhor como demonstra os 9 livros que já publicou: Manual de Instruções para uma família feliz, Más maneiras de sermos bons pais, Psicologia dos pais e do brincar, A maternidade e o bebé, A vida não se aprende nos livros, Tudo o que o amor não é, Chega-te a mim e deixa-te estar, Crianças para sempre, O melhor do mundo.
Adorei a forma como o autor encandeia uma bonita história de vida (e de amor!) com as (tão suas!) reflexões sobre a vida, as relações humanas e os sentimentos.
Um romance de reflexões sobre afetos e sobre o amor. Olhando para o autor, estava um pouco à espera de mais. Tem muitas ideias e citações interessantes sobre o tema.
Este é o primeiro romance de Eduardo Sá, conhecido psicólogo de Coimbra, e cuja escrita e história não me encantou. Tem uma escrita leve e simples, não tão descritiva como gostaria e mais de análise, com um conjunto de personagens pouco vincadas e uma história com algum interesse.