“Se uma mulher pode matar os próprios filhos, então o que ocorrerá depois?”, uma vez perguntou madre Teresa. De fato, o que pode? Com a depreciação do valor da vida humana, como nos casos Roe versus Wade e Baby Doe, ninguém está a salvo. Com a substituição do valor absoluto da própria vida humana pela “qualidade de vida”, todos corremos perigo. Cientistas de renome já pedem um intervalo após o nascimento (por volta de uma semana) para decidir se os recém-nascidos têm “qualidade suficiente de vida” para lhes ser permitido viver. Comitês “médicos” desejam decidir se a “qualidade de vida” dos idosos ou de qualquer pessoa portadora de uma enfermidade grave é alta o suficiente para permitir que continuem vivos. Neste livro comovente, o renomado cirurgião pediátrico e ex-chefe do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, C. Everett Koop, se uniu a um dos principais pensadores cristãos do século XX, Francis A. Schaeffer, para analisar as consequências amplas e assustadoras da perda de direitos humanos ocasionadas pela prática do aborto, do infanticídio e da eutanásia. Eles enxergavam o momento em que viviam como um divisor de águas. Faziam-se escolhas que minavam os direitos humanos no nível mais básico. As práticas antes rotuladas “impensáveis” passavam a ser consideradas aceitáveis. A destruição de vida humana, dos mais jovens e dos mais idosos, passou a ser promovida em larga escala por médicos, tribunais, pais e cidadãos silentes. “Mas o que eu posso fazer? Sou apenas uma pessoa.” Você pode começar lendo este livro. Sim, ele vai chocar você. E ele o fará chorar. Mas ele também ajudará a perceber como você pode fazer a diferença.
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Como eu descreveria Francis A. Schaeffer e sua obra? Pessoalmente, considero-o meu mentor e, quanto à obra, vejo-a essencialmente ministerial, no sentido bíblico. Aliás, o sentido bíblico era a diretriz de sua vida e obra. Depois de questionar a fé cristã do modo mais profundo, no coração e na mente, Schaeffer construiu um legado maravilhoso de conhecimento da Palavra e de conhecimento do homem e do mundo. Sua visão teorreferente (obrigado pelo neologismo, Davi Charles Gomes) o fez falar do Deus que intervém e que não está calado, produzindo uma cosmovisão fundamentada nos pilares de criação, queda e redenção, cuja expressão se mostrou intensamente influenciada pela teologia de Van Til. Veio daí as suas aplicações dos conceitos de justificação/santificação pela graça mediante a fé à realidade da vida nova num mundo de morte da razão. Neste livro escrito com C. Everett Koop, O que aconteceu com a raça humana?, eles discorrem sobre a alta realidade da dignidade humana criada à imagem do seu Autor, Cristo, ante a dura realidade da morte que tenta impedir a vida de vir à luz presente. Eles acenderam um alerta urgente, na mente do verdadeiro cristão e de seus observadores do mundo, sobre a premência de um novo vocabulário sobre a ética cristã relativamente ao aborto, eutanásia e infanticídio. Nada mais atual para este nosso tempo que já ultrapassa todos esses temas.
A capa da edição de 1979 comentava: “Práticas que uma vez foram rotuladas de ‘impensáveis’ são, agora, consideradas aceitáveis. A destruição da vida humana, de crianças, jovens e velhos, vem sendo sancionada em uma escala crescente e alarmante, pela profissão médica, por cortes judiciais, por familiares e por cristãos silenciosos”.
Há, pelo menos, três razões para que, depois de 40 anos, as opiniões e conclusões desta obra sejam ainda tão atuais: primeiramente em função da perenidade da Palavra e da pregação profética; em segundo lugar, porque, além de pregadores, seus autores manejaram com arte tanto a exegese bíblica quanto a cultura moderna; e, em terceiro e último lugar, a razão principal, isto é, porque aprouve a Deus que a verdade em amor fosse preservada nestas páginas escritas a fim de serem transmitidas para as tábuas escritas de nossos corações.
— Dr. Wadislau Martins Gomes
Autor de Personalidade centrada em Deus