Publicado na Itália, dois anos antes do primeiro volume de 'Homo Sacer - O Poder Soberano e a Vida Nua', este pequeno texto de Agamben poderia ter sido completamente ofuscado pela proximidade com o livro mais conhecido do filósofo italiano, não fosse Bartleby um dos personagens mais insistentes em sua obra e a categoria de potência, aqui longamente desenvolvida, a mais importante de todo o seu pensamento. Essa edição contém o ensaio de Agamben sobre Bartleby, personagem do clássico conto de Herman Melville, acompanhado da tradução do próprio conto. Aqui, o filósofo italiano pretende que, mais do que uma zona de indiscernibilidade entre o sim e o não, o preferível e o não preferido, a figura de Bartleby, e a sua fórmula desconcertante abrem, sobretudo, uma zona de indiscernibilidade entre a potência de ser (ou de fazer) e a potência de não ser (ou de não fazer). A ideia de uma 'potência de não', que faria fortuna em seu pensamento posterior, já está aqui claramente delineada, neste que é, seguramente, um dos mais belos ensaios do filósofo italiano.
Giorgio Agamben is one of the leading figures in Italian and contemporary continental philosophy. He is the author of Homo Sacer: Sovereign Power and Bare Life; Remnants of Auschwitz: The Witness and the Archive; Profanations; The Signature of All Things: On Method, and other books. Through the 1970s, 1980s, and early 1990s he treated a wide range of topics, including aesthetics, literature, language, ontology, nihilism, and radical political thought.
In recent years, his work has had a deep impact on contemporary scholarship in a number of disciplines in the Anglo-American intellectual world. Born in Rome in 1942, Agamben completed studies in Law and Philosophy with a doctoral thesis on the political thought of Simone Weil, and participated in Martin Heidegger’s seminars on Hegel and Heraclitus as a postdoctoral scholar.
He rose to international prominence after the publication of Homo Sacer in 1995. Translated into English in 1998, the book’s analyses of law, life, and state power appeared uncannily prescient after the attacks on New York City and Washington, DC in September 2001, and the resultant shifts in the geopolitical landscape. Provoking a wave of scholarly interest in the philosopher’s work, the book also marked the beginning of a 20-year research project, which represents Agamben’s most important contribution to political philosophy.
Os comentários do Agamben elevam a potência do livro. "Na sua intenção mais profunda, a filosofia é, com efeito, uma firme reivindicação da potência, a construção de uma experiência do possível como tal. Não o pensamento, mas a potência de pensar, não a escritura, mas a cândida folha é o que a filosofia não quer de nenhuma maneira esquecer. E, todavia, a potência é justamente a coisa mais difícil de pensar. Porque se a potência fosse sempre e somente a potência de fazer ou ser algo, então, nós não poderíamos jamais experimentá-la como tal, mas, segundo a tese megárica, ela só existiria no ato que a realiza. Uma experiência da potência como tal é possível apenas se a potência for sempre também potência de não (fazer ou pensar algo), se a tabuleta para escrever pode não ser escrita. Mas é precisamente aqui que tudo se complica. Como é possível, com efeito, pensar uma potência de não pensar, passar ao ato? E se a natureza do pensamento é ser em potência, o que pensará?"
Por enquanto só li o conto, que é o que me interessava na hora da compra. Depois, quando ler o texto do Agamben, atualizo aqui... O conto é genial, muito muito bom... existem várias leituras dele, mas tenho estudado a partir da nova Psicanálise. Bartleby como o tanático exemplar.
Como parece ser a regra em Agamben, a fórmula concisão + erudição resulta em densidade = genialidade. 50 páginas, somente, mas o vulto das idéias é assombroso.
Bartleby é uma leitura bem fluida e gostosa, mas não tendo familiariadade com os termos e conceitos de Agamben, fica muito dificil sua leitura a respeito.