Queria ter gostado mais.
Veja, penso que a reputação não condiz com o trabalho, porque achei tão sofrível chegar ao final... Achei vários poemas sem pé nem cabeça, alguns misturados ao inglês e ao francês, outros rasos e bobos. A maior parte dos poemas traz algo de sexualidade (e perdi as contas quantos "peitos" e "sexo" li nessas 187 páginas) ou da visão de cristandade do poeta. Também me pareceu um punhado de palavras jogadas, não necessariamente conectadas: como uma imitação ruim - e mais curta, pelo tamanho dos escritos - do fluxo de consciência da Clarice Lispector.
Claro, há vários poemas que salvam a leitura. O famoso Soneto da Fidelidade está presente nesse livro, assim como o Soneto do Amor Maior. Menciono outros que gostei muito: O Dia da Criação, Alas, celua, O Falso Mendigo, Pátria Minha, Balada da Praia do Vidigal e A Mulher que Passa - a mãe da futura Garota de Ipanema! Meus dois preferidos foram A Vida Vivida ("Que destino é o meu senão o de assistir ao meu destino? Rio que sou, em busca do mar que me apavora") e Elegia na Morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão - pai de Vinícius.
Além disso, fiquei surpresa em saber que A Rosa de Hiroxima (sim, com x) também é de Vinícius, já que só conhecia esses versos na voz de Ney Matogrosso.
Em resumo: num geral, penso que é uma coletânea muito ruim, com alguns poemas muito bons no meio - assim, em extremos.
Nota: 2,5