Terceiro livro do perspicaz e cada vez mais aclamado crítico literário Rodrigo Gurgel – e talvez aquele que melhor revela seu perfil pessoal e o modo como vê o próprio trabalho –, esta obra reúne uma coletânea de críticas do autor sobre diversos livros que lhe marcaram a vida, além de apontamentos sobre a grande literatura e o fenômeno que ele chama de “narratofobia” – o pavor de narrar, do qual diz sofrer boa parte dosescritores brasileiros de hoje.O livro também traz alguns comentários contundentes quanto à débil situação atual da crítica literária brasileira e outros textos nos quais o crítico expõe as memórias e as reflexões pessoais que de certa forma compuseram seu modo de se relacionar com a literatura e sua crítica.
Ensaísta e crítico literário do jornal Rascunho desde 2006, Rodrigo Gurgel também é professor de literatura e escrita criativa. Colaborador da Folha de S. Paulo, publicou dois livros: Esquecidos & Superestimados e Muita retórica - Pouca literatura (de Alencar a Graça Aranha). Jurado do Prêmio Jabuti de 2009 a 2012, Gurgel ganhou notoriedade em 2004, quando foi escolhido como um dos dez vencedores do Concurso de Contos “Caderno 2”, do jornal O Estado de S. Paulo, dedicado aos 450 anos da cidade de São Paulo.
A crítica de que o Brasil, mesmo o mundo, precisa.
Alguns senões menores: o artigo sobre Olavo de Carvalho está mais para encômio do que para crítica, o que é de se esperar em se tratando dum discípulo, mas ainda é a se lamentar; um ou outro erro estilístico, inclusive o hispanicismo ‘vivenciar’, sendo que o próprio autor professa evitar hispanicismos; e a incoerência de criticar a pornografia literária, mas reproduzi-la desnecessariamente, mesmo que a título de crítica, o que é algo que vim a esperar dos romanistas.