Além das lições de sabedoria acumuladas ao lado do fogão, Não é sopa, lançado em 1995, fascinava pela qualidade literária dos textos de Nina Horta — que até começar as colaborações semanais com a Folha de S.Paulo era reconhecida pela excelência de sua cozinha. Vinte anos depois, O frango ensopado da minha mãe traz uma reunião de textos inéditos, selecionados com a colaboração de Rita Lobo. Eles consolidam a autora não apenas como referência na bibliografia gastronômica, mas também como parte da tradição da crônica brasileira. Ao falar sobre comida, os textos falam da vida. De uma vida simples — do jeito que Nina Horta gosta de culinária, sem esnobismo e afetação.
Como qualquer livro de crônicas, a gente acaba gostando de algumas, não tanto de outras. No começo, para mim, foi muito lento: reminiscências de uma época que não era minha, de lugares que eu nunca estive. Mas depois, cada vez mais, fui me identificando, me interessando. No final, existe muita coisa que liga quem trabalha em cozinha, existe muito mais semelhanças do que diferenças: eu me pegava balançando a cabeça, concordando com a autora em vários momentos.
3/5 Desafio de leitura 2018: um livro comprado pela capa
Nunca tinha ouvido falar da autora (falha minha!) e nem sou lá muito fã de livros de crônicas. Mas quando eu vi essa capa, em sua simplicidade de detalhes tão complexos, me apaixonei. Um prato, que remete à casa de mãe, de vó... Um prato, com cores que contrastam e desenhos que lembram aqueles padrões portugueses... Um prato, onde se pode contar histórias do mundo através da comida. Essa imagem do prato me remete a muitas lembranças boas: os almoços na casa da minha avó (com sua decoração na parede), meu intercâmbio, a comida da mamãe... Acho que uma boa é assim, daquelas que consegue te transmitir diversas lembranças e sentimentos.
Quanto ao livro, confesso que esperava mais! A diagramação das crônicas me incomodou um pouco no começo. São todas seguidas, o que dá impressão de que elas são maiores do que realmente são, cansando um pouco de ler. O começo do livro é um pouco difícil, as primeiras crônicas vem para te aprensentar a autora e sua realidade de paulistana do jardins. Tive um pouco de dificuldade, por ter opiniões divergentes sobre a vida. Mas quando se passa dessa barreira, as crônicas se tornam deliciosas. A autora passeia por vários temas focados nos diveros temas da aliamentação. Mas aqueles textos que focam nas comidas, nos ingredientes e, principalmente, nas questões brasileiras são magníficos, dígnos de encher um prato.
Nina Horta, a grande "cronista gastronômica" do Brasil, tem reunido neste livro, diversas crônicas que escrevia para a coluna do jornal Folha de S. Paulo. Tem uma visão interessante sobre o mundo, comida e São Paulo. Mais especificamente, era uma senhora de classe média, morava perto do Santa Luzia, e com uma relação e história com a gastronomia repleta de questionamentos, dúvidas, paixão e ódio (as vezes). Algumas crônicas não tem nada a ver com comida, o que deixa o livro mais leve ainda de ser lido.
não vou avaliar, porque não terminei. as primeiras seções de crônicas são muito legais e foi uma ótima leitura de férias. leve, divertido, com um estilo interessante. exatamente o que eu queria. depois que entrou na seção "negócios" e "receitas" ficou específico demais e deixou de me interessar.
Esse foi um livro de altos e baixos para mim. Algumas seções foram ótimas; com crônicas que achei envolventes, engraçadas e com críticas construídas e atiradas à perfeição. Já outras partes foram morosas e eu pulava algumas páginas só para ver até onde ia cada causo. Não me engajou tanto quanto eu esperava.