Em Bau de espantos, publicado pela primeira vez em 1986, Mario Quintana reune num so gesto poetico o passado e o futuro, atraves do exercicio da memoria e das percepcoes que o assaltam diante das mudancas trazidas pela modernidade. Aqui aparece menos o Quintana ecologico e mais o poeta tocado pela nostalgia da vida simples, deixada para tras pelos arranha-ceus e pela agitacao da cidade grande. Ao mesmo tempo, o poeta absorve o imaginario do espaco sideral para alimentar seu lirismo. Ao lado das classicas imagens do vento, da lua, da rua de bairro, aparece aqui a nave como metafora da viagem que e a vida: nau exposta aos quatro ventos,/ em pleno ceu sulcado de relampagos. O poeta convida o leitor a embarcar com ele numa viagem de poemas que falam de vida e morte, comeco e fim, mar e ceu. Em perfeita circularidade, a possibilidade do fim (fim da vida, fim das coisas simples) acaba por suscitar o retorno daquilo de que se sente saudade. Junto com a ideia de navegacao, impoe-se a imagem do menino eterno por tras de cada ato de evocacao e escrita poetica. O garoto errante e sonhador sempre retorna nos versos de Quintana, seja como objeto, seja como o sujeito que fala. O mar da memoria e um bau de maravilhas.
I was born in Alegrete, on the 30th of July 1906. I believe that was the first thing that happened to me. And now they have asked me to speak of myself. Well! I always thought that every confession that wasn’t altered by art is indecent. My life is in my poems, my poems are myself, never have I written a comma that wasn’t a confession. Ah! but what they want are details, rawness, gossip...Here we go! I am 78 years old, but without age. Of ages, there are only two: either you are alive or dead. In the latter case, it is too old, because what was promised to us was eternity. I was born in the rigor of the winter, temperature: 1 degree °C; and still I was premature, which would leave me kind of complexed because I used to think I wasn’t ready. One day I discovered that someone as complete as Winston Churchill was born premature - the same thing happened to Sir Issac Newton! Excusez du peu... I prefer to cite the opinion of others about me. They say I am modest. On the contrary, I am so proud that I think I never reached the height of my writing. Because poetry is insatisfaction, an affliction of self-elevation. A satisfied poet doesn’t satisfy. They say I am timid. Nothing of the sort! I am very quiet, introspective. I don’t know why they subject the introverts to treatment. Only for not being as annoying at the rest?
It is exactly for detesting annoyingness, the lengthiness, that I love synthesis. Another element of poetry is the search for the form (not of the form), the dosage of words. Perhaps what contributes to my safety is the fact that I have been a practitioner of pharmacy for five years. Note that the same happened with Carlos Drummond de Andrade, Alberto de Oliveira, Erico Verissimo - they well know (or knew) what a loving fight with words means.
Oh, Quintana, I'm always surprise while reading your work. How could you create poems with such mastery and simplicity? He is undoubtedly one of my favorite Brazilian poets - I've just realized most of my favorite Brazilian authors are from the Rio Grande do Sul; maybe that's a bias.
Invitation Enough with poems for tomorrow Oh, Life, what if both of us Lived together?
Anyway, Quintana engenders his poems with as a simple view of the world, almost as if seen through the eyes of a child. Actually, there are lots of comparisons of the poet who wrote beautifully until his 90's and childhood and nostalgia. I'd recommend it to anyone who wants a little bit more of simplicity in their lives - let's be sincere, everyone could use it.
Invitation au voyage If each one of ye, oh, ye others of television - ye who travel inert as a corpse in a coffin - If each one of ye opens a book of poems... Ye would make a real travel... In a poems book, you find out about everything, everything for sure! - including love and other novelties.
Mario, uma coisa de beleza é para sempre .... vc, como Keats, é para sempre.
Uma alegria para sempre (Mario Quintana)
As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo. Sentimo-las como da primeira vez, sentimo-las fora do tempo, nesse mundo do sempre onde as datas não datam. Só no mundo do nunca existem lápides... Que importa se – depois de tudo – tenha "ela" partido, casado, mudado, sumido, esquecido, enganado, ou que quer que te haja feito, em suma? Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta, ela jamais a poderá passar de ti para ninguém. Há bens inalienáveis, há certos momentos que, ao contrário do que pensas, fazem parte da tua vida presente e não do teu passado. E abrem-se no teu sorriso mesmo quando, deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas. Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata criatura... A thing of beauty is a joy for ever disse, há cento e muitos anos, um poeta inglês que não conseguiu morrer. Mario Quintana
Um livro com 99 poemas que foram escritos na juventude do autor. São poemas breves e versos simples mas tem poemas que achei confusos. Esperava outro tipo de poemas, não foi o livro que estava à espera.
Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite: assistir novelas de TV ouvir música Pop um filme apenas de corridas de automóvel uma corrida de automóvel num filme um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo: espátulas não há…
e quem é que hoje faz questão de virgindades…
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones fugir desesperada
me deixará aqui, ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem, comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda.
(Desconfio até que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume, gritarei como um possesso nas partidas de futebol, seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra, a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…
"Quando a árvore dos poemas não dá poemas, Seus galhos se contorcem todos como mãos de [enterrados vivos. Os galhos desnudos, ressecos, sem o perdão de Deus! E, depois, meu Deus, essa lenta procissão de almas [retirantes..."