Dirigida pela escritora e poetisa Judith Teixeira e tendo como redactor José Adolfo Coelho, este magazine mensal destacava-se pela abundância de publicidade e pelas preciosas colaborações artísticas de Rocha Vieira, Bernardo Marques ou Jorge Barradas. A capa do n.º 1, datada de Abril de 1925, é uma notável representação de uma jazz band da autoria do ilustrador Jorge Barradas que representava o ambiente dos novos clubes nocturnos lisboetas dos anos 20. O primeiro número da publicação, da qual saíram apenas três números, encontra-se ainda dividida em várias secções designadas “Novelas e Contos”, “Reportagens”, “Teatro”, “Films” e “Artigos, Versos, Actualidades, etc.”, sendo que nesta última são editados vários textos muitos deles não assinados, mas ilustrados por alguns dos mais célebres desenhadores da época.
Judith Teixeira (1888-1959) alcançou notoriedade em Março de 1923 no seguimento da publicação da sua primeira coletânea de poesia, Decadência, quando foi alvo de uma polémica sobre a (i)moralidade da arte, a qual envolveu também António Botto e Raul Leal. Antes disso, Judith já havia publicado em vários jornais, sob o pseudónimo de Lena de Valois, e contribuído para a Contemporânea, conceituada revista modernista. Apesar do escândalo, publicou mais dois livros de poesia, Castelo de Sombras (1923) e Nua. Poemas de Bizâncio (1926), e duas novelas publicadas sob título de Satânia (1927). Caso altamente invulgar para uma mulher desse período, Judith foi diretora da revista Europa em 1925 e escreveu uma palestra, intitulada De mim. Em que se explicam as minhas razões sobre a Vida, sobre a Estética, sobre a Moral (1926), provavelmente o único manifesto artístico modernista de autoria feminina no início do século XX em Portugal. Morreu quase desconhecida e permaneceu injustamente expurgada da memória coletiva e da história literária até recentemente, seguramente por causa do subtexto lésbico presente em vários dos seus poemas.