Esse é o primeiro e único gibi da Dawn que eu li na vida.
Eu lembro que a personagem fez algum sucesso na época das Bad Girls noventeiras e tinha uma vibe bem independente e levemente gótica - a mina tem lágrimas tatuadas no olho esquerdo e usa franja -, o que era bem padrão nos angustiantes anos 90. Já a Vampirella é uma velha conhecida, eu já li vários gibis bons, ruins, péssimos, tenebrosos e que fizeram eu questionar o meu processo de decisão.
Esse é um dos últimos.
Foi difícil, basicamente, um demônio aleatório captura as heroínas porque ele quer escolher uma esposa, e, claro, a maneira mais óbvia de decidir isso é a mesma maneira wakandiana de escolher o próximo rei; o combate ritual até a morte. Contudo Dawn - aparentemente uma deusa apaixonada por um deus celta - propõe que, como as duas são bad girls noventeiras com faca na bota, logo são foda pra caralho, em vez de um combate físico, um combate intelectual; assim o demônio aleatório além de ter um filho forte terá um filho forte e inteligente.
E o cara cai nessa.
Então, cada edição tem uma ou outra contando uma histórias que serve como metáfora para algum outro pedaço do roteiro; quem é o demônio, a origem da Vampirella, a origem da Dawn, como elas são parecidas e como são diferentes ao mesmo tempo e por aí vai. O que não é uma ideia tão ruim assim, mas não bateu comigo.
Ah sim, no final descobrimos que o demônio aleatório é um servo de um deus indiano preso num ciclo de reencarnação para expiar seus pecados e não sei o quê. Claro, a edição termina com o demônio reencarnando como um humano americano e, no epílogo, vira presidente usando um terno com patrocinadores.
Talvez tudo seja um comentário sobre o capitalismo tardio, os biquinís armaduras e o amor líquido, vai saber, né?