“Ele jamais esqueceu aquela sessão, uma das últimas com Elena. Jamais esqueceu o instante em que seu inconsciente e o de sua paciente, de forma abrupta, arcaica, se fundiram. Na multidão de elementos que se transmite entre um psicanalista e seu paciente, alguns deles são ainda, ele acredita,não formulados, não teorizados pela ciência freudiana. São da ordem da transmissão de pensamento. Elena, como nenhum outro paciente depois dela, lhe revelou tal fato.”
escutar um paciente é uma experiência que às vezes beira o sobrenatural. tem muitos fenômenos em jogo no processo da transferência-contratransferência que, na minha ainda tão incipiente trajetória, me intrigam profundamente mesmo sem conseguir ver como explicar. é que assim como as relações humanas a relação terapêutica também passa por uma conjunção de dois mundos onde não se entende mais as fronteiras do dentro-fora, eu-outro. e eu acho que, por mais que a teoria e a técnica devam estar sempre em mente, algumas intervenções pra terem efeito precisam partir dessa afetação puramente humana, que não se aprende em livro ou seminário algum mas sim com a experiência de se viver em sociedade. e ler os depoimentos aqui, que trazem, pra além de análises de casos clínicos, relatos sobre como também o analista sai transformado das relações transferenciais, me lembram do porquê de estar seguindo o caminho que venho escolhendo trilhar.