Interessantíssimo adentrar no submundo da São Paulo dos anos 1950 e 1960 pelo olhar do Rei da Boca. O autodenominado “vagabundo” que transforma personagens decadentes e “vidas miúdas” em verdadeiros épicos. A crônica de uma região autossuficiente, violenta, apartada, refúgio para os seus. Hiroito escreve com muita clareza sobre atos e pessoas que conheceu tão bem. Os desajustados sociais continuam sem abrigo, o centro de São Paulo ainda tem suas regiões sem dono e pessoas perambulam sem saber da lenda Hiroito de Moraes Joanides.
E a polícia… ah, nada mudou. “(…) Combatividade sem vitórias, que não reduzia nem estacionava ou restringia a criminalidade, pois que não socorria, não educava, não encaminhava nem abrigava (e abrigar, aqui, não quer dizer recolher a uma prisão). O que fazia era espalhar os micróbios da doença por todo o corpo da cidade grande, empurrando o mal a regiões até então sãs, facilitando o contágio de células sadias.”