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Rio do Esquecimento

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Inverno de 1864. Sentindo a morte a aproximar-se, Miguel Augusto regressa do Brasil, onde enriqueceu, e instala-se no velho burgo nortenho, no palacete conhecido como Casa das Camélias, com a intenção de perfilhar Teresa Baldaia e torná-la sua herdeira. No mesmo ano, Nicolau Sommersen pensa em fazer um bom casamento, não só para recuperar o património familiar que o tempo foi esfarelando, mas sobretudo para fugir à paixão que sente por Maria Adelaide Clarange, senhora casada e mãe de três filhos. Maria Ema Antunes, prima de Nicolau e governanta da Casa das Camélias, hábil e amargurada com a sua vida, urdirá entre todos uma teia de crimes, segredos e vinganças.
Subvertendo as estratégias da narrativa histórica, com saltos cronológicos que deixam o leitor em suspenso mesmo até ao final, Rio do Esquecimento descreve com saboroso detalhe a sociedade portuense de Oitocentos e assinala o regresso à ficção portuguesa de uma escrita elegante que consegue tornar transparente a sua insuspeitada espessura.

Romance Finalista do Prémio Leya 2015

160 pages, Paperback

Published February 16, 2016

2 people are currently reading
110 people want to read

About the author

Isabel Rio Novo

20 books88 followers
Isabel Rio Novo nasceu no Porto, onde se doutorou em Literatura Comparada. Leciona Escrita Criativa e outras disciplinas no âmbito da literatura, cinema e outras artes, sendo autora de diversas publicações académicas nessas áreas. Integrou os júris de prémios literários e de fotografia. Os seus textos de ficção estão presentes em várias antologias, com destaque para a primeira coletânea de contos do Centro Mário Cláudio (O País Escondido, 2016). É autora de O Diabo Tranquilo, a partir de poemas de Daniel Maia-Pinto Rodrigues, da novela A Caridade (2005, Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes), do livro de contos Histórias com Santos (2014) e dos romances Rio do Esquecimento (2016, finalista do Prémio LeYa e semifinalista do Prémio Oceanos), Madalena (inédito, Prémio Literário João Gaspar Simões) e A Febre das Almas Sensíveis (2018, finalista do Prémio LeYa).

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46 (41%)
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40 (35%)
2 stars
8 (7%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 32 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
959 reviews341 followers
May 12, 2025
Perdoem-me, ouso pedir, esta narração. Mas, convenhamos, a virtude é monótona. A arte quer-se em terrenos mais acidentados. O romance deve ser um recreio, e não um panegírico de heroísmo que uns tomam como quase impossíveis, outros como incompatíveis com o seu modo de ser na vida. O verdadeiro, em romances, nem sempre é, pois, o belo, é raríssimas vezes é o bom.

Sou fã de Isabel Rio Novo e gostei muito deste livro. Das várias personagens, dos seus comportamentos, da forma como a autora escreve e descreve a cidade do Porto. Deixou-me de boca aberta duas vezes e, apesar de ser um livro curto, acho que tem tudo. Não deve ser fácil escrever pouco e bem sem deixar o leitor a sentir que falta qualquer coisa. Para mim, não faltou nada e quero muito ler o livro da autora que vai sair este mês.
Profile Image for Paula Mota.
1,696 reviews577 followers
August 14, 2020
3,5*

“É, pois, certo que o tempo e o modo como se vive o tempo mudam conforme avançamos em idade, e talvez seja esse o único poder que temos sobre ele, o de o sentirmos por dentro de nós.

“Rio do Esquecimento” é um belo retrato do Porto no século XIX, das suas ruas, dos seus edifícios, cujo interior é descrito ao pormenor, onde não falta sequer a referência aos cemitérios públicos, criados em meados deste século, quando se proibiram os enterros nas igrejas por questões de saúde pública. É também um olhar sobre as suas gentes, tanto da aristocracia como do povo, habilmente caracterizadas nos seus traços físicos e no modo de trajar.
Através de um narrador demasiado presente, quase um cicerone, passamos constantemente de um plano geral da cidade para um primeiro plano das personagens e vice-versa, alternando, assim, entre exterior e interior, entre o geral e o particular, o que revela uma técnica narrativa aprimorada, mas que infelizmente me manteve sempre distante dos vários protagonistas, não me permitindo a envolvência desejada com a trama nem grande interesse pelo destino dos intervenientes.
Só quase no final do livro, no capítulo oitavo, as personagens deixam de parecer marionetas que agem de modo a levar a narrativa por diante e se assiste finalmente à aproximação a uma das personagens, Adelaide. Nele a vida interior de uma mulher aparentemente estóica e plácida é devidamente explorada num tumulto de sentimentos e recordações, através de um tom muito saudosista e melancólico. E, por mim, a obra podia terminar aqui, já que os dois capítulos seguintes e o epílogo surgem-me mais como apêndices com informação adicional que não foi usada na altura devida. Ainda que a autora diga a páginas tantas: “Não pensem que um escritor consciencioso escreve uma linha só que seja com o intuito de encher papel; que invente um episódio para seu recreio,” a palavra final tem de ser do destinatário, e para mim, esses episódios são soltos e desconexos e só vêm prejudicar uma obra com uma estrutura um pouco frágil.
“Rio do Esquecimento” deu-me a conhecer uma autora com uma grande perícia na escrita, que segue o estilo dos autores oitocentistas na perfeição, mas o que realmente sobressai nesta obra são as duas personagens principais: a cidade do Porto e a morte, interligadas e indissociáveis, numa época em que as epidemias se sucediam implacavelmente, assumindo a forma de tifo, gripe, tuberculose, peste bubónica e cólera.
Agora, lamento ainda mais não ter tido tempo de visitar os cemitérios de Agramonte e do Prado do Repouso na minha recente visita à Invicta, para intensificar a minha imersão neste ambiente doentio e tétrico.

“Raciocinar é rir. O acume da sabedoria humana é conseguir encarar os reverses das tragédias: lá estará, por força a comédia.
Profile Image for Ana.
762 reviews178 followers
September 1, 2020
Quem lê Isabel Rio Novo recua no tempo, não só, neste caso, na narrativa, mas também em tudo o que emana do seu estilo, que claramente bebeu inspiração nos nossos grandes da literatura do século XIX, como Camilo, Júlio Dinis ou Eça.

Nesta obra em particular, a primeira que leio da autora, a mesma oferece-nos uma crónica de costumes da Invicta da segunda metade do século XIX, onde imperam as suas gentes, as suas tradições, as suas idiossincrasias (sobretudo sociais) e onde habitam personagens que nos remetem para as "desavenças literárias" entre o Romantismo e o Realismo.

Foi uma estreia auspiciosa, pois, embora não tenha sido perfeita, deixou-me curiosa e com vontade de conhecer outras obras da autora.

Opinião completa no cantinho do costume:
https://www.youtube.com/watch?v=Okq-d...

NOTA - 08/10

Leitura feita na companhia da melhor buddy reader de todos/as!
Profile Image for Carla.
285 reviews86 followers
March 30, 2016
Cada vez mais me aborrece um livro ter potencial para ir além da mediania e não o conseguir.

Tal sucedeu com “Rio do Esquecimento” de Isabel Rio Novo, uma obra demasiado sucinta onde senti a ausência do aprofundamento da psicologia das personagens (que, sinceramente, não compreendi) que contribuiria de forma decisiva para aclarar os eventos nucleares da narrativa.
Sob uma capa de aparente originalidade, os acontecimentos são literalmente “despejados” no regaço do leitor, sobretudo na segunda metade da obra. Houve alturas em que quase me pareceu ser o romance uma desculpa para desfiar informação (interessante, sem dúvida) sobre o Porto e sociedade portuense da segunda metade do século XIX.

Foi pouco para um ambicionado alto voo e apesar de alguma rigidez da escrita, a prosa de Isabel Rio Novo foi o maior benefício que retirei da leitura deste livro.
Profile Image for Lúcia Fonseca.
305 reviews53 followers
August 5, 2019
Não consegui gostar nem da história nem da escrita.
Achei a história confusa e a própria escrita da autora distraia-me. Este tipo de escrita rebuscada terá o seu mérito mas eu não aprecio. Poderia ter sido escrito de outra forma e fazer mais sentido.
Terei que ler mais da autora para tirar as dúvidas.
September 13, 2024
Estamos no Séc. XIX, em plena Revolução Liberal, independência do Brasil e guerra civil (entre Miguelistas e Liberais) que impôs mais de um ano de cerco à cidade do Porto.

Miguel Augusto nasce nesta altura, pobre, mas consegue singrar na vida, rumar ao Brasil, dedicar-se a negócios obscuros e daí regressar rico, em 1864. Nesta altura os títulos da nobreza compravam-se, juntamente com os brasões e os palacetes, até os recheios das casas. É o que faz Miguel Augusto. Instala-se num palacete no Porto e a ele junta-se um conjunto curioso de personagens: a filha mulata que trouxe do Brasil, a filha portuguesa que abandonou por vingança, o avô desta filha, aristocrata falido minhoto (dos tais que vendiam a nobreza), Ema, uma dinamarquesa aristocrata falida e mal tratada pela vida, personagem misteriosa, que lhe serve de governanta.

O que se passa neste livro pareceria uma típica novela portuguesa do Séc. XIX, contada sem excessos de linguagem, com requinte, com um sentido acuradíssimo de crítica social, conhecimento profundo das idiossincrasias humanas, das suas ingenuidades, bondades e requintes de malvadez. O enquadramento histórico, sem assumir o papel principal, está subtilmente presente. A evolução da história e dos personagens é indissociável das mudanças sociais, políticas e ambientais da cidade do Porto, o que nos faz viajar para um tempo em que antes havia campo, quintas, gente muito rica e gente muito pobre, para o tempo da revolução industrial.

O que se passa neste livro pareceria, mas não é uma típica narrativa seja de que século for. Quando pensamos que estamos bem encaminhados na história e que tudo se vai explicar, eis que surgem novos dados, sombras, datas que se alternam freneticamente, revezes e surpresas. Com o que não podem contar é com certezas. Eu, assumindo a minha total incapacidade, não cheguei a nenhumas. Mas o que me ficou na mente foi um belíssimo enigma por decifrar com inúmeras soluções possíveis.

Recomendo vivamente a quem goste de desafios e de voltar a uma certa literatura do Séc. XIX, quase a lembrar as irmãs Brontë. Mais que os nossos escritores da época, porque esta narrativa tem algo de gótico e fantasmagórico que eu não reconheço nas obras portuguesas que li.

Esta leitura foi um deleite para os meus sentidos, um desafio constante e uma enorme surpresa. Merecia uma crítica literária mais séria e conhecedora porque há aqui muitos ângulos a analisar. Aguardo mais opiniões.

Boas leituras!
Boas partilhas!
Profile Image for Márcia Balsas.
Author 5 books107 followers
March 6, 2016
Há livros que não têm nada a ver connosco. Pode ser por não nos identificarmos com a escrita, por não nos sentirmos bem nos ambientes criados, ou até mesmo pela história, demasiado trágica, demasiado cómica, demasiado longe de nós.
Acontece-me. Como a todos os leitores. São livros que deixo de lado. Desinteresso-me e, sem qualquer culpa, passo a outro.
Isso não aconteceu com o Rio do Esquecimento. Apesar de ter estranhado o início. Sim, li o primeiro parágrafo e temi por o achar tão longo. Li outra vez, só para ver se tinha fôlego. Fechei o livro e pensei no que me estava a meter. Mas na verdade eu acho que soube logo que me estava a meter num livro que me ia levar, com todas as letras, direitinha para o Porto do século XIX. E fui. Primeiro a medo, porque as frases nunca mais acabavam. Longas, descritivas, com palavras difíceis e desconhecidas (para mim, entenda-se). Depois, movida pelo desafio. E por fim, sendo que por fim significa logo na segunda página, por uma clara vontade de continuar.
E foi com essa vontade de prosseguir que o li todo.
Fui movida por algo mágico, a que talvez possa chamar ritmo, porque me deu uma sensação constante de cadência, como os passos de uma dança que só se quer aperfeiçoar. E aperfeiçoou. O Rio do Esquecimento fez-me uma leitora melhor, só os bons livros melhoram quem os lê. E só os livros mesmo muito bons nos levam até à última página pela mão, explicando e demonstrando que não interessa se a escrita não é a que estamos acostumados ou a que habitualmente procuramos, se histórias de amor desencontradas e complicadas não são para a nossa paciência, ou se o detalhe das descrições se pode tornar exaustivo. Tudo isso é insignificante e desaparece quando quem escreve tem a inteligência e o dom de o transformar no simples, mas enorme, prazer de ler.
Por isso vos aconselho a leitura deste romance denso, que é bem capaz de vos elevar o nível de vocabulário, já para não falar na forma com ensina a ler com calma, apreciando, verdadeiramente, o seu conteúdo.
O texto já vai longo, mas não posso deixar-vos a pensar que este livro é, todo ele, histórias de amor romântico e sofrido que me convenceu tão somente pela magia das palavras. Não. Há um traço fundamental e constante que me agarrou (também) às páginas, este já tendo muito a ver com as minhas preferências. A maldade. Sim, a maldade ganha pela forma como é dada a quem lê. De origens perfeitamente sustentadas, a maldade tem um nome, e como tantas vezes sucede basta uma só pessoa para envenenar quem está em redor, manipulando e atirando com tudo numa espiral de traição, crime e morte.
Agradavelmente soturno, pesado, mas sem nunca verdadeiramente resvalar para o negro, o Rio do Esquecimento equilibra o bem e o mal em doses ponderadas. A balança é muito real e o resultado vem no fim. Excepto, claro, se forem como eu e lerem o fim antes do tempo…
http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/ri...
Profile Image for Margaret.
791 reviews15 followers
September 19, 2016
Independentemente do prazer (ou não) que retiramos de um livro, penso que o leitor deve ser capaz de reconhecer o valor do texto. Isabel Rio Novo mostra um grande domínio da língua portuguesa, com um vocabulário rico, sendo evidente a pesquisa cuidada que fez do Porto do século XIX. Digo isto de forma racional. Agora, em termos emocionais, confesso que este foi um dos livros mais enfadonhos que li nos últimos tempos.

A história, à primeira vista, parece ter tudo para agradar. Após ter feito fortuna no Brasil e sentindo a morte a chegar, Miguel Augusto regressa ao Porto para perfilhar Teresa Baldaia e deixá-la numa situação confortável. Uma herdeira de tão grande fortuna chama logo a atenção dos solteiros da cidade, ente eles, Nicolau Sommersen. Desejoso de recuperar o património familiar e sair da ruína, seduz Teresa, apesar de o seu coração ansiar por Maria Adelaide, casada e mãe de três filhos. Mas quando esta fica viúva, Nicolau é confrontado com uma decisão difícil – seguir a cabeça ou o coração?

Há escritores que ligam mais à forma do que ao conteúdo e estamos perante um caso destes. A ação não flui, o diálogo é inexistente e as personagens parecem de cartão, não despertando qualquer emoção. O que falta no “conteúdo”, aquilo que nos prende a uma boa história, existe em demasia na “forma” – frases exageradamente longas (algumas a ocuparem nove linhas de texto!), enumerações constantes e demasiados detalhes (qual a necessidade de enumerar todas as lojas que existem numa rua, todas as plantas de um quintal ou todos os objetos numa sala?). Foi difícil manter a atenção, a minha mente estava constantemente a divagar e só não abandonei o livro porque queria ver se o final seria surpreendente. Isto não aconteceu.

Estou certa que há muita gente que aprecie este tipo de livros. No meu caso, dispenso.
Profile Image for Célia Gil.
890 reviews41 followers
December 27, 2022
Parti para a leitura deste romance com altas expetativas, uma vez que adorei o livro A Febre das Almas Sensíveis da autora. As minhas expetativas deviam estar demasiado elevadas, porque gostei muito mais do livro que li anteriormente.

Apesar de ter apreciado a contextualização histórica e a descrição de espaços do Porto do século XIX, as personagens não me cativaram. Achei-as algo insípidas, quase maquinais nos comportamentos e ações levadas a cabo. Muito desprovidas de sentimento. Como aquelas músicas que são lindíssimas, mas precisamos que o cantor faça passar a emoção ao ouvinte, também aqui não consegui sentir a emoção que a premissa prometia. Faltou a força narrativa capaz de nos confrontar com as virtudes e defeitos das personagens, ao ponto de sentirmos algo por elas, nem que fosse raiva, admiração, repugnância…algum sentimento, que não chegou, pelo menos a mim.

Gosto, porém, da forma cuidada como Isabel Rio Novo escreve. Talvez os dois anos entre este livro e A Febre das Almas Sensíveis, tenham feito com que ganhasse maturidade literária e aprimorasse a forma como nos transmite os acontecimentos. Fico a aguardar novos livros para o comprovar.
Profile Image for Célia | Estante de Livros.
1,190 reviews278 followers
June 5, 2016
Viajamos ao Porto de meados do século XIX, onde um português regressa com a sua fortuna do Brasil, onde tinha permanecido largos anos. Teresa, a sua filha bastarda que ficou em Portugal, é reconhecida como herdeira e logo se lhe arranja um noivo de boas famílias e reputação, que, no entanto, continua a nutrir uma grande paixão pela esposa de um amigo. É em torno deste enredo e dos seus desenvolvimentos que a narrativa vai girando, de uma forma não linear – ou seja, com saltos constantes entre os vários anos marcantes na vida destas pessoas. A forma como a autora o faz não convida a uma leitura rápida ou de um incessante virar de páginas; pede antes uma leitura atenta ao detalhe, pois, tal como afirma, “não pensem que um escritor consciencioso escreve uma linha só que seja com o intuito de encher papel; que invente um episódio para seu recreio: tudo aqui vem a propósito […]“.

A leitura deste livro permitiu-me conhecer a lenda do “rio do esquecimento”, que vem do tempo dos romanos. Este povo acreditava que a fronteira entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos era o rio Lethes, ou rio do esquecimento; ao beber daquela água, poder-se-ia atravessar para o mundo dos mortos esquecendo tudo o que acontecera em vida. Esta lenda tem óbvia influência na componente sobrenatural deste romance, que lhe dá um toque de originalidade de que gostei bastante.

Este foi um daqueles livros que achei uma delícia ler. Ainda que as descrições longas e palavras difíceis tenham dificultado um pouco a leitura no início, com o avançar da narrativa este estilo começou a entranhar-se. Gostei realmente das pessoas desta história, ou melhor, gostei de conhecer as suas vidas, uma vez que nem todas são pessoas que gostássemos de ter conhecido. Todo o contexto histórico é bem conseguido, fazendo o leitor acreditar que, de facto, viajou ao século XIX e a presença de um narrador omnisciente, que volta e meia intervém na história, foi também um detalhe que apreciei particularmente.

Achei que o Rio do Esquecimento terminou depressa demais, não porque considere que a história precisasse de ser maior ou que o enredo/personagens devessem ter mais desenvolvimento, mas porque este livro foi como aquelas histórias que nos são contadas e nos embalam de tal modo que desejamos que durem para sempre. Não penso que seja um livro perfeito, até porque é um livro de estreia, mas posso dizer-vos que vou querer ler tudo o que Isabel Rio Novo publique daqui em diante. Recomendo.

É, pois, certo que o tempo e o modo como se vive o tempo mudam conforme avançamos em idade, e talvez seja esse o único poder que temos sobre ele, o de o sentirmos por dentro de nós. Correm os anos, as estações sucedem-se na sua monótona regularidade, e no seu deslizar tão rapidamente formam, seguindo-se uns aos outros, um todo compacto, que os seus vários contornos se confundem num só, tal como as linhas diversas de um edifício se estampam ao longe no horizonte, resumidas numa linha única. Parece-nos, então, que ocorreu ainda ontem o que se produziu muitos anos antes, e os acontecimentos, separados por longos intervalos, vêm a condensar-se num só período, que constitui aquilo que chamamos, à falta de melhores termos, o passado.
Profile Image for Joana Guerra |.
147 reviews
August 15, 2023
Após um prólogo muito misterioso, somos levados até ao Porto do século XIX, onde conhecemos Miguel Augusto, recém chegado do Brasil com a sua grande fortuna e com uma doença para a qual não se conhece a cura, para morrer em terras que o viram nascer. Instala-se com pompa e circunstância, como a sua riqueza lho permite, dedicando-se a actos nobres na cidade, quiçá para expiar o seus erros do passado, vem também com intenção de perfilhar a filha que abandonou quando deixou o Porto décadas antes, deixando a mãe desta com uma fraca reputação, um grande problema na época, concentrando-se então em lhe arranjar um casamento decente. Contrata uma governanta, uma nobre caída em desgraça, a quem morreram todos os filhos das mais várias doenças que predominavam na época, governanta essa que tem o seu quê de maldade e subversão, e que dá a conhecer a Miguel Augusto o seu primo Nicolau, um pretendente muito bom para a filha deste, que convenhamos, está apaixonado pela mulher do seu amigo. Romance, traição, assassinato, culpa e redenção, esta é uma história de amores perdidos e escolhas duvidosas que se enredam no futuro de todos.

A escrita de Isabela Rio Novo é irrepreensível mas deve ser lida com atenção e não com a ligeireza dos romances de verão, pois a narrativa é densa e entrelaça personagens e tempos diferentes por diversas vezes, tem laivos de romantismo e mistério e o narrador por vezes intrometesse um bocadinho na história. No geral ficamos em suspense do início ao fim.

Reza a lenda que em 135 a.C. as tropas comandadas por Decius Junius Brutus se recusaram a atravessar o então chamado rio Lethes (rio Lima), diz a lenda que todos aqueles que o atravessassem para a outra margem perderiam a memórias e iriam esquecer todas as suas lembranças e recomeçar uma nova vida liberta do passado, o que não agradava aos soldados romanos, pois iriam esquecer as suas famílias e tudo o restante das suas vidas, esse rio era chamado de Rio do Esquecimento.
Profile Image for Rosie.
465 reviews56 followers
December 16, 2025
** 3,5 estrelas**

Fiquei muito hesitante com a pontuação a dar (por vezes é mto claro na nossa cabeça, mas outras há em que ficamos mesmo divididos... este foi um desses casos) .

A história remonta ao séc. XIX: ressalvo que a escrita é exímia, e adorei visitar a minha cidade, o Porto.

A maldade, presente e, contudo, dissimulada, que manipula e veicula o caminho seguido, o ressentimento que endurece a alma e tece vinganças oportunas, a ambição desmedida, os desenlaces tolhidos pelos actos cometidos, o desatino prorrogado no tempo, tudo num ambiente misterioso e soturno.

Achei curioso a ênfase dada às moradas para além da morte (típico daqueles tempos, claro) e descrevem-se verdadeiros mausoléus ou a construção deles: jazigos que os honrem e dignifiquem pela eternidade já que os corpos sucumbem sem qualquer pudor. Obras verdadeiramente majestosas e dignas de nota.

Ainda assim confesso que fiquei algo desiludida, a história desenrola-se, mas por qualquer razão não me entusiasmou, não me agarrou.

Da autora já tinha lido o Madalena e achei-o magnífico e um 5 estrelas sem sombra de dúvidas.

"A morte não a assustava, posto que deixasse a sua existência limpa e inteira. E parecia-lhe que a vida, com o seu cortejo de dores, de deveres, de sacrifícios, de afectos, a ida, com a sua manhã gorjeada, com o seu meio-dia cristalino, com o seu entardecer melancólico, com a sua noite, enfim, estrelada e calma, em que haveriam de esmorecer e expiar todos os rumores da terra, formava como um poema completo, uma sinfonia por onde perpassavam todas as notas, todos os tons, todas as expressões." Pág. 115
Profile Image for Catarina de Vasconcelos.
58 reviews12 followers
July 12, 2019
Rio do Esquecimento, de Isabel Rio Novo. Tomei conhecimento deste livro através do #booktube e, feitas as minhas pesquisas, tive curiosidade em ler esta autora.

Terminada esta leitura, confesso não saber bem o que dizer. É um livro extremamente bem escrito, com uma narrativa que me fez lembrar Eça de Queiroz. Relata a sociedade portuense entre 1860 e 1910 (mais coisa, menos coisa), onde fervilhavam já os valores e desejos republicanos, mas que se mantinha agarrada às aparências e aos "bons costumes". Uma cidade onde proliferavam os "novos ricos", retornados do Brasil cheios de ouro, escravos e sobranceria, como é o caso de Miguel Augusto. Onde os amores continuavam a ser proibidos e os casamentos feitos por conveniência.

Um livro muito bem escrito mas que não me passou por dentro. Talvez por me ter faltado criar empatia com as personagens, que não consegui conhecer como gosto. Talvez pela própria história, um pouco previsível. Talvez por ter sentido necessidade de que certos aspectos fossem mais explorados. Talvez porque o momento em que o li não foi o mais assertivo.

No entanto, é um bom livro, escrito de forma irrepreensível, fazendo mesmo lembrar alguns clássicos, como já referi. Infelizmente, não me tocou nem despertou em mim qualquer emoção.
Profile Image for Catarina.
54 reviews
December 31, 2025
“Rio do Esquecimento” leva-nos ao Porto do século XIX, num ambiente marcado por segredos antigos e relações familiares complicadas. A história começa com o regresso de Miguel Augusto do Brasil, decidido a reconhecer a filha que deixou para trás. À sua volta, gravitam outras figuras — cada uma com as suas ambições, ressentimentos e tentações.

Isabel Rio Novo recria a época com detalhe, dá densidade às personagens e conduz a narrativa com aquele ritmo próprio que obriga a entrar no livro com atenção.

É uma história que recompensa pela atmosfera e pela forma como o passado vai surgindo nas entrelinhas. No final, fica a sensação de ter caminhado por uma época distante, guiada por uma autora que sabe exatamente como nos levar para dentro da história.

Gostei muito!
Profile Image for Diana Almeida.
5 reviews1 follower
June 12, 2021
Uma prosa bela, encantadora ao ponto de nos recordar os grandes clássicos como Camilo, Eça e Júlio Dinis, porém completamente despojada de o que os ingleses chamam "character development". Adorei as descrições e o Português Literário de Isabel Rio Novo, mas fiquei perdida e entediada na narração das sensações de Maria Adelaide, personagem pela qual não nutri qualquer interesse (apenas consegui viver a sua angústia aquando a falta de notícias por parte do seu alvo de afeição) e senti que a autora deixou para trás a única personagem à qual o pouco enredo que havia avançado no principio me prendeu: falo de Teresa, que ficou olvidada, digo até diluída no Rio do Esquecimento.
Profile Image for Cat .classics.
286 reviews125 followers
April 7, 2019
Romance finalista do Prémio Leya.
Isabel Rio Novo tem uma escrita primorosa, envolvente, poética, redonda, sabe construir personagens e conferir-lhes trajetos de vida pouco ou nada previsíveis. O enredo é difícil de explicar porque todo o livro é "contado" por um narrador omnisciente, que narra as histórias de diferentes personagens, espreitando-lhes as almas, mas quase nunca lhes dando espaço para o diálogo ou para a ação (ou para a descrição de ações). O Rio do Esquecimento parece ser uma barreira espácio-temporal, consentâneo com o Douro, numa ��poca em que portugueses e descendentes de outras nacionalidades se misturavam na sociedade oitocentista da região do Porto e Minho.
O truque do livro, o que lhe dá a graça, mas também o que lhe retira parte do interesse, é essa forma como a narrativa não brilha, mas se desenrola pela língua do narrador. Cabe ao leitor construir a narrativa com os pedaços que Isabel Rio Novo vai disponibilizando e, quem sabe, dar-lhe um sentido.
Como leitora, senti falta de dinamismo, de ação e diálogos, mas percebo que esse é o propósito real do livro.
(Recomenda-se A Febre das Almas Sensíveis da mesma autora, com um estilo diferente.)
Profile Image for Isabel Rute.
167 reviews2 followers
October 10, 2021
3,5
É um livro pequeno e que se lê rapidamente.
Somos transportados para o Porto, 2.ª metade do século XIX, época de transformações tecnológicas. Mas, para muitas personagens, é sobretudo a passagem do tempo o que mais impacta nas suas vidas.
Interessante, mas o epílogo não parece, na minha opinião, condizer com o romance.
Profile Image for Sónia.
603 reviews55 followers
December 1, 2022
Um pouco aquém do estilo de narrativa dos outros dois livros que li da autora, mas a escrita de qualidade, fina e requintada, que enriquece o vocabulário está lá.

Só por "beber" algo tão bem escrito já vale a pena ler.
Profile Image for Alda  Delicado.
739 reviews8 followers
June 3, 2019
Gostei muito da escrita e da estrutura não linear. A história de amores e morte é simples mas bem enredada no contexto histórico do Porto do século XIX.
Profile Image for Eduardo Prazeres.
7 reviews
June 27, 2019
Um clássico imediato. A qualidade da escrita recorda os melhores escritores clássicos portugueses. A história é cativante e de uma violência subtil.
Profile Image for Rui Ferreira.
Author 2 books49 followers
April 4, 2020
Com o Porto do século XIX como pano de fundo, a autora derrama o seu profundo conhecimento da língua portuguesa de forma virtuosa, com uma narrativa num ritmo muito próprio e cativante.
33 reviews
November 5, 2023
2.5 ⭐
[gostei da escrita, mas não consegui criar ligação com as personagens nem a história]
Profile Image for Catarina Prata.
Author 3 books15 followers
August 29, 2024
Prosa muito bonita, mas as personagens pareciam-me ter apenas uma dimensão.
Profile Image for Catarina Graça.
45 reviews15 followers
May 24, 2016
Este livro tem uma letra gordinha e uma escrita rápida que se lê num instante.
Por volta de 1860, Miguel Augusto está doente e resolve voltar do Rio de Janeiro para o Porto, trazendo a “afilhada” Guilhermina e a vontade de perfilhar Teresa Henriqueta Baldaia (nome lindo que eu também sou Henriqueta), filha da fidalga Camila Rosa Emília Baldaia que Miguel Augusto tinha desonrado anos antes. Há um bocadinho de “O Conde de Monte Cristo” quando Miguel Augusto volta do Brasil mas não vem para se vingar, embora voltar milionário já deixe toda a gente à sua volta, ricos e pobres, bem azedos.
Na contra capa Nuno Júdice fala em “tom novelesco da prosa camiliana” mas para mim é Camilo Castelo Branco encontra Edgar Alan Poe e vão os dois beber um café. Não vou fazer estragadores mas há 3 momentos na história em que dizemos - eh lá!! – e vamos reler para confirmar.
Então, Miguel Augusto instala-se no Porto num palacete chamado a Casa das Camélias (diz que a camélia é a flor da cidade do Porto) e contrata como governanta, Maria Ema Antunes, cruel e vil, aliás há uma cena em que parece mesmo a Cruella de Vil mas em vez de dálmatas fofinhos, têm de ler, já disse que não vou fazer estragadores. Ema tem um primo, Nicolau Kuntegard Sommersen, que perdeu a fortuna e assim passa a ser o par ideal para casar com Teresa. Nicolau ao princípio pareceu-me bem bom, dinamarquês, viking, alto, imponente e “muito lido” mas rapidamente se torna um chato, depois há ali um dos momentos eh lá!! mas está apaixonado pela mulher do melhor amigo e é um grande, enfadonho bocejo. A prima Ema é sempre coerente, acha que todos são medíocres e odeia toda a gente: “Ema sentiu o desaforo da velha como uma bofetada, ..., prometeu a si própria, de futuro, incluir os velhos e os pobres no seu ódio especial”. Tive pena que a Guilhermina fosse sempre tão apagadita durante toda a história, ela é mencionada logo na primeira página e esperava mais. A senhora Maria Adelaide Clarange, paixão de Nicolau, é uma grande sonsa.
Conheço um bocadinho do Porto e gostei de ir reconhecendo no meu mapa mental as ruas mencionadas, a ponte pênsil, sei onde ficava o Palácio de Cristal. A comparação entre o Porto e o Rio de Janeiro está excelente, a descrição da evolução da noite no Porto também. O título é totalmente compreendido e explicado ao longo da história que anda para trás e para a frente no tempo e faz pessoas que já morreram aparecerem novamente para contarem mais um pedacinho do que se passou. De tudo dispensava a poetisa Matilde Engrácia de Sousa e Ávila e o Epílogo, sei que estão lá com um propósito porque o narrador/escritor assim nos diz, “Não pensem que um escritor consciencioso escreve uma linha que seja com o intuito de encher papel” mas não entendi o porquê, falha minha com certeza.

Concluindo está muito bem esgalhado, sim senhora.


http://ler-por-ai.blogs.sapo.pt/rio-d...
Profile Image for Cristina Torrão.
Author 9 books25 followers
October 22, 2016
«Há coisas que, ainda que contadas de modos diversos, desfiguradas ou até inventadas, são verdade, verdade absoluta. Procure cada um nos seus conhecimentos, nas suas lembranças, e veja se não é assim. Então, para quê contá-las, para quê escrevê-las, perguntar-se-á. Para quê? Para que se preste ao fictício a atenção que não se prestou ao real. Factos há que, de tantas vezes que se repetem, se tornam trivialidades: ninguém os sente, ninguém os avalia, ninguém os comenta. Afazemo-nos a eles como um organismo se afaz a certas drogas que, no entanto, tomadas a primeira vez, produziram uma reação extraordinária. Os venenos da alma parecem-se com os venenos do corpo. Se não vos conseguir convencer destas e de outras coisas, alguém um dia vos convencerá».
p. 149

O que mais me agradou neste livro de Isabel Rio Novo foi o olhar para a crueldade, o absurdo e o inacreditável na vida quotidiana. As tais coisas a que nos acostumamos e a que já não damos importância. Também os segredos que cada um esconde, por vezes, graves, as frustrações e o sofrimento acumulado transformados nas tais crueldades, ou em atitudes inexplicáveis, me cativam. Porque tem de haver sempre uma válvula de escape. Acrescente-se as vidas adiadas, as oportunidades perdidas, por medo, ou por acomodação, e temos uma leitora rendida (pelo menos, no meu caso).

Nesse aspeto, a autora fez-me lembrar Alice Munro, de quem muitas vezes se diz que escreve sobre coisas banais. Mas é só preciso estar com atenção, ou possuir sensibilidade suficiente, para descobrir o turbilhão por baixo da superfície calma.

Outra vantagem deste livro é dar-nos um bom retrato da sociedade portuense do século XIX, embora não o achasse camiliano (como já li), apenas a época descrita é a mesma. Isabel Rio Novo tem um estilo muito diferente e ainda bem, pois tem o seu próprio estilo, sem precisar de imitar ninguém. Uma nota negativa para certas frases muito longas, de orações encaixotadas umas nas outras (como se diz em alemão) que, por vezes, nos fazem esquecer qual o início da oração principal. Trata-se de uma marca de estilo que pode resultar, mas, neste caso, talvez seja aconselhável aperfeiçoar.

Sem dúvida (e apesar de não ser o de melhor qualidade literária; aí, continuo a apostar emQue Importa a Fúria do Mar ), esta foi a obra finalista do Prémio LeYa que mais me agradou ler.
421 reviews14 followers
February 16, 2022
Um dramalhão de “faca e alguidar” que podia ter caído no ridículo mas que se “aguenta” primorosamente graças a uma escrita límpida, aqui e ali com reminiscências da chispa estilística de Camilo ou com o fragor elegante de Mário Cláudio. Uma escritora de truz!
Profile Image for Helena Rodrigues.
184 reviews15 followers
July 10, 2023
Este livro deixou-me uma impressão agridoce. Não correspondeu às minhas expectativas, não me deixou particularmente entusiasmada nem interessada, senti-me até um pouco aborrecida. Ainda assim, foi uma boa oportunidade para contactar com escrita de qualidade. É ótimo para conhecer a época em que a ação se desenrola, pois está extremamente bem retratada no romance. Dá-nos a sensação de termos viajado no tempo. A estrutura da obra é muito inteligente, com a construção circular da ação e o caráter das personagens a ser revelado à medida que se avança na leitura. A narração não é linear, avança e recua no tempo, o que exige bastante concentração da parte do leitor. Apesar de haver reviravoltas na ação, esperava que gerassem mais impacto no leitor.

Em conclusão, e dado que já me deparei com várias opiniões positivas em relação a este romance, considero-o uma obra que deve ser lida, um exemplo da boa literatura portuguesa e um livro muito enriquecedor a nível cultural. É um género diferente daquele a que estou habituada e, por certo, será objeto de uma segunda leitura. Como disse Pessoa, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se.".
Profile Image for Ana Ramos.
127 reviews13 followers
June 23, 2016
Com alguns detalhes interessantes, sobretudo as reflexões sobre o envelhecimento ou a passagem do tempo, para além da centralidade dos universos femininos, o livro revela uma construção que, em vários momentos, parece não saber que rumo tomar, ou desembocar numa espécie de becos narrativos. Os recuos e avanços no tempo não são suficientes para constituir a espinha dorsal de um romance que parece hesitar entre o realismo histórico e uma certa interferência fantástica.
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