Um jornalista de São Paulo vai a Manaus fazer uma reportagem sobre plantas alucinógenas e logo se vê envolvido em uma misteriosa trama envolvendo as organizações mais poderosas do mundo. O opositor é um livro vertiginoso, desconcertante, em que o leitor vai sendo enfeitiçado pelo divertido texto de Verissimo.
Quarto romance publicado por Verissimo, O opositor, que saiu pela primeira vez em 2004, foi também o quinto volume da coleção Cinco Dedos de Prosa, em que a editora Objetiva convidou autores para escreverem histórias inspiradas em cada um dos dedos das mãos ― Luis Fernando Verissimo ficou com o polegar.
O narrador é um repórter paulista que viaja a Manaus para escrever uma matéria e é seduzido por Serena, uma mulher com os dois polegares decepados que lhe prepara chás alucinógenos. Num raro momento de sanidade, ele entra num bar e conhece Polaco, um homem grande e vermelho que parece estar sempre bêbado. No bar ― que acaba se revelando uma metáfora do próprio Brasil ―, Polaco conta sua história.
Nascido em Porto Alegre e filho do também escritor Érico Verissimo, Luis Fernando Verissimo (Luís Veríssimo, na ortografia legal) é famoso por suas crônicas cheias de ironia humorística. Além de escritor, ele também é jornalista, publicitário, cartunista e tradutor. Entre suas paixões, estão a família, o time de paixão, Internacional de Porto Alegre, e o jazz sendo praticamente inseparável de seu saxofone. Seus amigos o definem como "uma pessoa que fala escrevendo". Em público, ele é tímido e de forma alguma aparenta ser o autor de seus irreverentes textos. É considerado o escritor que mais vende livros no Brasil.
Leitura boa, gostosa, divertida, e interessante. O conteúdo em si nao é grande coisa, mas o Verissimo conta de forma agradável e simples. Rapidinho de ler e de dar vontade de passar uns dias em Manaus.
Verissimo escreve como quem sabe o que está fazendo - o que, no Brasil, já o torna automaticamente suspeito. Aqui ele larga a crônica de jornal por uns minutos e desce para o lado sujo da ficção, aquele onde jornalistas vão pra Manaus atrás de suco e voltam com delírio coletivo engarrafado. É o quarto livro da coleção Cinco Dedos de Prosa. Coube a Verissimo o polegar, e ele usou o dedo mais opositor da mão para apontar para o centro da paranoia mundial. Resultado: uma novela curta, seca, lisérgica e com mais símbolos do que uma tábua Ouija mal diagramada. A mistura é de noir e metaficção, como se Ed Mort resolvesse investigar um caso escrito por Umberto Eco depois de tomar um chá que fala latim. O narrador é um paulista, jornalista vagamente útil enviado à floresta pra descobrir alucinógenos amazônicos. Encontra Serena, uma mulher de beleza binacional e ausência digital - polegares amputados por questões místico-apocalípticas. Depois aparece o Polaco: uma torre vermelha de álcool e segredos, sentado numa cadeira a que chama de pátria, e que diz trabalhar para o “Grupo Meierhoff”, uma organização secreta que decide o futuro do mundo de uma saleta atrás de uma loja de bibelôs em Bruxelas. Claro. Por que não? A narrativa se desenrola entre goles de cachaça e xícaras de chá alucinógeno, entre o texto jornalístico que nunca acontece e a ficção que engole tudo; o leitor vai de suco de caju a conspiração global em três parágrafos. Entre risos e assombro, o que surge é uma alegoria tão brasileira que transpira sarcasmo e febre ao mesmo tempo. A voz narrativa lembra Hammett numa espreguiçadeira tropical: frases curtas, pontas soltas, o tom cínico e cansado de quem já viu demais, mas que ainda assim se surpreende com a estupidez do mundo. Mas também tem um quê de Eco - aquele prazer suspeito em construir labirintos que, no fim, só servem para confirmar que a saída esteva trancada desde o início. O bar em Manaus funciona como espelho do país: uma mistura de frutas, cachaça, calor e mentiras bem contadas. Lá dentro tudo parece possível - até um assassino profissional filosofando sobre a culpa com citação de Baudelaire. No fim das contas, o livro é sobre histórias que se contam para não enlouquecer - ou para disfarçar o fato de que já se enlouqueceu. É um livro curto com consequências longas. Uma comédia de erros e delírios onde o absurdo faz mais sentido do que o normal. Uma sátira tropical sobre o que sobra quando o mundo decide apertar o botão vermelho - e depois esconde o dedo.
Apesar de um encerramento um tanto quanto súbito, em "O polegar opositor", Veríssimo nos traz uma curiosa e interessante história que se desenvolve sobre a dúvida sobre a verdade e o delírio.
Excellent micro-novel. Great story, even though unplausible. For few minutes after reading it, I had a shadow of doubt regarding story's plausability or if it is a product of Amazonian heat, halucinogens or alcohol combined.