Los cuentos de Las invitadas -elogiados por Italo Calvino y Borges- son una ventana abierta a un mundo frágilmente cotidiano y, por eso, tan extraño como perturbador. Lo fantástico, casi imperceptible, penetra en lo real y se pliega, con claroscuros, a través de objetos, metamorfosis, figuras fantasmagóricas y recuerdos borrosos que plantean la aparición de la duda, de lo monstruoso, de lo inexplicable. En el cuento que da título al libro, la mirada infantil de Lucio deja entrever encuentros clandestinos con siete misteriosas invitadas que representan la transgresión de los principales preceptos morales. El diario de Porfiria es un testimonio mágico, infernal, de la transformación de su institutriz en gato. La imagen de una mujer cubierta de velos y de escapularios surge, terriblemente nítida, en el retrato desdibujado del moribundo Valentín Brumana. Cuarenta niños sordomudos, tras un accidente aéreo, se arrojan al abismo, con alas, y desaparecen. Relatos inquietantes en los que Silvina Ocampo, con su rigurosa imaginación y un equívoco matiz de ingenuidad y ternura, logra "mostrarnos el cielo para precipitarnos en el infierno".
Silvina Ocampo Aguirre was a poet and short-fiction writer.
Ocampo was the youngest of the six children of Manuel Ocampo and Ramona Aguirre. One of her sisters was Victoria Ocampo, the publisher of the literarily important Argentine magazine Sur.
Silvina was educated at home by tutors, and later studied drawing in Paris under Giorgio de Chirico. She was married to Adolfo Bioy Casares, whose lover she became (1933) when Bioy was 19. They were married in 1940. In 1954 she adopted Bioy’s daughter with another woman, Marta Bioy Ocampo (1954-94) who was killed in an automobile accident just three weeks after Silvina Ocampo’s death.
Silvana Ocampo é genial com pequenas histórias. "As Convidadas" não fica a dever muito ao meu preferido, "A Fúria", o primeiro livro que li da autora argentina, mulher de Adolfo Bioy Casares. Saliento, com 5*, pelo impacto que tiveram em mim: - Carta debaixo da cama (sobre o medo) - Amélia Cicuta (sobre a hipocrisia) - O Casamento (também sobre a hipocrisia) - O Progresso da Ciência (sobre poder) - Visões (sobre estar doente)
Nah que increíble, que maravilla, que CRIMEN que no sea tan leída o recomendada. Me ha encantado, captivado y no pude soltarlo. Su manera de escribir es hipnotizante y atrapante. Estás todo el tiempo enfrascado en buscarle el significado a cada palabra porque los relatos están muy cuidados; todas tienen un sentido. Es fresco, simbólico y tiene su toque de extrañeza, pero en buena dosis (cuando es en exceso aún no termina de convencerme) y a pesar de tener tantos años, se sienten súper frescos. No todo es perfecto porque me pasó lo que siempre me pasa con recopilaciones de cuentos/relatos así de largos. Hay unos que me fascinaron y sigo pensando en ellos, y otros que ya se me están desdibujando y no recuerdo del todo. Fuera de esto, he sido silvinizado and i’m here for that, que leyenda.
Um conjunto de contos interessante, com uma escrita que me agradou, ainda que eu não tenha captado o sentido de muitas das histórias de As Convidadas. De qualquer forma, Silvina Ocampo escreve com clareza e muita imaginação, deixando antever um profundo trabalho para resultar neste conjunto de contos que, não sendo para mim uma obra prima, formou uma leitura muito agradável.
Foi o meu primeiro contacto com Silvina Ocampo e, se bem que não me apeteça repetir já a autora, decerto que voltarei a ela pois ficou a curiosidade em aprofundar o seu universo.
Este es el cuarto libro de cuentos que leo de Silvina Ocampo, también es el cuarto en su orden de publicación. No hay mucho que decir, Silvina es de las grandes escritoras argentinas del siglo XX. En esta colección, existe un amplio registro en temas y estructuras. Desde cuentos breves de algunas paginas, hasta cuentos más largos que podrían ser nouvelles. Quizás por su extensión, hay cuentos menos perfectos y más irregulares, a diferencia de Autobiografía de Irene, que hasta ahora para mí es la mejor colección de relatos que he leído de ella. Aún así, no creo que haya ningún cuento que no valga la pena leer. La prosa de Ocampo es muy especial, comenzar a leer sus páginas transporta inmediatamente a su mundo, sea cual sea el contexto de éste.
"Desde que nasci, vivemos sempre nesta casa: tempo suficiente para saber que o corredor separa os quartos, em vez de os unir." Silvina Ocampo transforma o quotidiano em algo fantástico e perturbador, particularmente quando escreve da perspectiva de crianças, algo recorrente neste livro.
Os textos de As convidadas entregam tudo que permeiam os contos de Silvina: insólitos, absurdos, crianças perturbadoras, sobretudo nos contos “Assim eram seus rostos” e “As convidadas”. Relações familiares nada triviais e estranhíssimas.
Serve como porta de entrada para quem não a conhece e até soa como continuação de A Fúria para quem já o leu, mas segue A Fúria muito mais impactante e por isso do meu 4,5 aqui. Continuo gostando demais da autora e de sua escrita.
Confesso, esperava mais, muito mais deste livro. Tenho "A Fúria" na estante para ler, e a "Promessa" na minha lista de compras que ficará pendente. De "As Convidadas", haveria talvez um arrebatamento idealizado e que fugiu depois de contos como o "êxodo" e "Carta debaixo da cama" que só deslumbrei em "o fantasma".
Será que sou eu? Arrisco-me a confessar que a literatura europeia e norte-americana consegue-me interessar muito mais do que a sul-americana ou mesmo a russa. Sou eu, só posso ser eu!
Su obra está permeada por el surrealismo. Es una autora muy completa, además de pintar escribe cuentos y teatro. De este libro el más famoso es Las invitadas obra en la que el niño Lucio interactúa con los siete pecados capitales, encuentros clandestinos y rebeldes. Muy interesante leerlo.
Una de las mujeres más talentosas de la historia argentina: la más talentosa escribiendo, en mi opinión. Logra sacar lo macabro de lo cotidiano en cada uno de estos cuentos, que son realmente uno mejor que el otro. Hasta ahora, mi antología favorita suya.
Possibilidade 1: Eu sou uma pessoa que odeia contos. Não é impossível, acho estupidamente difícil acertar em uma narrativa tão curta, mas reconheço exceções. Gosto de Machado, gosto de Borges, gosto de Anna Kavan.
Possibilidade 2: Edição e tradução. Algo pode ter se perdido na tradução do inglês para espanhol, algo do insólito (palavra favorita de Ocampo, repetida vinte vezes por página), se perde junto da linguagem, e a magia dissipa. Culpados simultaneamente são os editores, que resolvem inserir na antologia 44 (quarenta e quatro!) contos, resultando em quase trezentas páginas, e oferecendo pouquíssima variedade. Na décima vez que tu lê sobre família feliz, algo estranho acontece, protagonista meio maluquinha, alguma explosão de violência súbita ou assassinato mal explicado no final tu já perde a paciência. Talvez vinte contos melhores selecionados e mais representativos me tornassem mais agradável com "As Convidadas".
Possibilidade 3: Li tudo muito rápido. Alguns contos se mesclam em uma coisa só. Não ajuda que todos tem a mesma maldita estrutura.
Possibilidade 4: É mal escrito. E não é mal escrito, não tecnicamente, não posso reclamar da prosa, mas é uma execução competente dos conceitos mais toscos possíveis. O dia a dia deturpado pela violência, pela inveja, pelo insólito (contagem de insólito: 2). Alguns contos são curtos de mais para conseguir fazer impacto, seus personagens são pedaços de cartolina cujas personalidades amalgamam-se em uma coisa só. Silvina Ocampo tem a tendência de jogar dez nomes quaisquer na sua cara, e seguir em frente, sem aprofundar-se nas peças importantes nem descartar o irrelevante. Em contos, cuja brevidade deveria trazer impacto, faz tudo parecer letárgico e mal planejado.
Eu poderia me extender em cada conto, dissecar o que eu não gosto, e pontuar as poucas narrativas unitárias que eu achei Ok. Nada espetacular, mas ok. Um 6 é o ápice. Porém, não acho que mereça tanto esforço, e foi um livro que mais me cansou do que enfureceu. Normalmente minhas reviews negativas furiosas costumam ser de maior entretenimento, mas as entediadas? Sinto que não vale o esforço. Portanto irei exemplificar meu problema com "A Árvore Talhada", pq era o conto que eu planejava cozinhar, até me roubarem-no e me empurrarem para um plano B. Vão ler, são duas páginas e meia.
Criança trollzinha coloca formiga nos bolos da festa de família pela zoeira. A narradora é uma coitada que não importa vendo tudo. Don Lotário fica puta, espanca a criança. Oito chibatadas, e o homem está morrendo de cansaço todo suado (?). Pessoas fazem comentários idiotas jogados sem muito sentido. Criança pega uma faca e mata o homem. Oh não, revela-se do nada que essa mesma criança gosta de talhar árvores, enfiar sua faca no coração delas. Declara-se que foi o diabo. Tã-dã, eis o insólito. (contagem de insólito: 3)
TODOS CONTOS SÃO IGUAIS (existem na verdade uma meia dúzia de exceções, mas estou sendo hiperbólico). Situação do dia a dia >> absurdo súbito >> Insólito (contagem de insólito: 4). Nada é aprofundado, nada é desenvolvido, nada tem impacto, nada choca, nada causa emoção nenhuma. E o que pode ser pior que uma obra capaz de gerar qualquer reação além do cansaço insólito? (contagem de insólito: 5)
Talvez eu não esteja vendo algo. Talvez tenha uma simbologia maior, juro que tentei procurar, e sai não mais entendido.
Se o Insólito (contagem de insólito: 6) é um evento idiota meio mágico meio violento no final para acontecer alguma patetice na história, declaro-me inimigo número 1 do Insólito. (contagem de insólito: 7)
gostei bem menos do que eu esperava, li me arrastando... considerando que eu amei A fúria, o sentimento que tenho é que tem algo muito diferente na escrita dos contos de um livro e do outro
si al día de hoy el léxico que usa ocampo todavía suena actual y natural, no me imagino cómo habrá sido en los años en los que publicó estos cuentos originalmente
También terminé este, no me acuerdo cuándo. Increíble. Un saludito a "El pecado mortal" que después de leerlo pensé en cómo pegarme un tiro sin un arma. Te amo Silvina Ocampo nunca me dejes.
Esperava algo como As Fúrias. Que me arrebatou, que me levou para os rumos do realismo fantástico através da voz de uma escritora mulher. Aqui algo ficou faltando, pendente. Muitos contos parecem não terem sido terminados. No livro Entrevistas com Silvina Ocampo é perceptível o cuidado da autora com seu trabalho. Esta compilação de contos me pareceu sem sentido, como se cada um fosse de um momento diferente da vida da autora. Uma curadoria talvez de: pegue qualquer coisa, junte tudo e vamos lançar. E esse qualquer coisa esqueceu que Silvina é muita coisa.
Cuentos escritos con una estética insuperable, única. Historias que atrapan a cualquiera y que son muy intrigantes, terroríficos, hermosos, originales. Este libro es pura belleza, y parece que fue escrito con mucho amor. Silvina, mis respetos.
A Companhia das Letras tem feito um excelente trabalho ao trazer Silvina Ocampo para os leitores brasileiros. Estamos acostumados com vozes como as de Jorge Luis Borges, Julio Cortazar ou Adolfo Bioy Casares que representam o que há de melhor na literatura de realismo mágico. Só que Ocampo estava esquecida não sei se por ser mulher, não sei se por ser mais contista do que romancista. As Fugitivas representa um mergulho em seu lado mais sombrio, com histórias que saem do insólito até insinuarem situações bastante bizarras. Esta edição conta com tradução de Livia Deorsola que faz um ótimo trabalho com o texto. Ocampo não tem uma escrita lá muito simples e lê-la é um desafio até mesmo com uma boa tradução. A tradutora nos deixa notas bastante pontuais também, destacando elementos culturais que desconhecemos sem interferir no texto. A edição é bem simples, mas bastante respeitosa à autora.
Nessa resenha vou pegar alguns dos contos que mais gostei na coletânea para comentar sobre aspectos temáticos ou da escrita da autora. Infelizmente não tenho como evitar dar spoilers porque os contos são quase ficções-relâmpago com poucas páginas. E nada como falar do primeiro conto, Assim eram os seus rostos. Já de cara a autora já demonstra o quanto esta série de contos é diferente de A Fúria, que foi publicada anteriormente pela Companhia das Letras. Em A Fúria os temas giram em um campo mais do maravilhoso de sua escrita, com elementos fantásticos fazendo parte do cotidiano, interferindo em relações familiares ou em relacionamentos. Aqui, o fantástico caminha mais para o estranho, para o aterrorizante. Em uma escola, diversas crianças com rostos iguais começam a se portar todas de forma exatamente igual para consternação de seus professores. Tentando entender o que realmente se passa, os professores fazem de tudo para ou separar as crianças ou fazê-las entrarem no ritmo da escola. Ocampo vai mergulhar de forma literal na concepção que temos de que crianças possuem características angelicais. E se elas criassem asas?
Outro exemplo dessa verve mais voltada para o terror de Ocampo é o conto Amelia Cicuta. Nela, Emidia, uma mulher que tem o hábito de dar de comer para gatos de rua conhece um estranho homem que se alimenta de... gatos. Ele os trata muito bem, dando de comer, abrigando-os, protegendo-os do frio até que eles fiquem gordos o suficiente para que ele possa comê-los. Emidia fica horrorizada e considera um absurdo, só que o homem banaliza, dizendo que apenas fornece alguns momentos de carinho para estes animais abandonados. E rechaça as críticas da mulher perguntando se ela, por acaso, não come bois, porcos, faisões, peixes e outros animais. Emidia, que se apresentou a ele como Amelia Cicuta, decide então tomar medidas drásticas. Neste conto podemos perceber nas linhas de Ocampo o quanto ela gosta de deixar coisas implícitas. Em seus contos, nem sempre os acontecimentos são claros, ficando muita coisa para o leitor interpretar o que depreendeu daquilo. É como se a escrita fosse feita com a participação do leitor.
E se estamos mencionando a ótima escrita da autora, não tem como não se referir ao conto A Escada. Que ideia sensacional a que ela teve. Em um dia comum, Isaura é chamada por algum motivo e precisa subir uma escadaria de vinte e cinco degraus para chegar à sua casa. A partir daí, a autora vai contando pequenas histórias em curtos parágrafos para cada um dos degraus. Eles presenciaram acontecimentos os mais diversos, desde os falatórios da vizinhança, até uma moradora que observava o bairro pensativa, um deles onde o lixo quase sempre caía e até um em que um estupro fora cometido. São vinte e cinco parágrafos para cada um dos vinte e cinco degraus. A genialidade da autora em criar um microcosmo de pequenas coisas que se sucedem em um amplo espaço de tempo é inimaginável para nós. Só de tentar entender como ela conseguiu criar tantas histórias já embaralha a minha cabeça.
O Progresso da Ciência é um conto que faz parte das discussões sociais da autora. Nela somos colocados em um reino onde a ciência avançou a um ponto onde é possível curar diversas doenças e rejuvenescer as pessoas até certo ponto. Só que o rei manda cegar as pessoas para que elas não possam vê-lo envelhecer e ficarem decepcionado. Com o passar dos anos, o rei deseja rejuvenescer e pede aos seus sábios que o façam para voltar a ser admirado pelo povo. Mas, cegos, eles tem muita dificuldade até que enfim conseguem. O rei está mais jovem, mas não há ninguém para admirá-lo já que todos estão cegos. Ele volta a ficar deprimido até que pede aos sábios que desenvolvam uma forma de fazer com que os seus súditos voltem a ver. Alguns anos mais tarde, os sábios conseguem finalmente desenvolver um método para curar a cegueira. Mas... Enfim, este é um conto que lida com as concepções de vaidade e egoísmo. O rei quer a aprovação das pessoas, mas não deseja que as pessoas tenham os mesmos privilégio que ele. Isso remete demais a uma sociedade de aparências onde prestamos a atenção no que o outro pensa sobre nós. Muitas vezes tendemos nossas escolhas ou preferências ao que os outros irão pensar de nós. Existe uma reflexão dura ao final deste conto.
Se estou citando contos de teor social, não tem como não mencionar Fora das Jaulas. Na trama, temos um professor que tem em suas mãos a chave para um zoológico. E ele gosta de apreciar os animais e descreve todo um mundo secreto vivido pelos animais depois que as portas do zoo se fecham. Quase como se fosse outro mundo onde os animais podem falar, seus sonhos se tornam nítidos para nós e suas ações correspondem às nossas. Um dia, ele decide levar um grupo de alunos para visitar tais animais à noite, mas um deles tem a obsessão de entender o que aconteceria se deixássemos os animais saírem de suas jaulas. É um conto sobre civilização e como nos sentimos o topo da cadeia alimentar. Contudo, pouco conhecemos sobre a natureza e todo um mundo que parece alheio aos nossos sentidos. Queremos ter o controle sobre os outros animais e os observamos como se fosse em um... zoológico. Mas o que aconteceria se as posições fossem invertidas?
A forma como Ocampo entende o amor pode ser perturbadora às vezes. Nada exemplifica mais isso como em A Cara na Palma. Um conto onde a protagonista tem uma.... cara na palma de sua mão. Um rosto com quem ela pode conversar, debater e até discordar. Essa cara tem sua própria visão sobre as coisas e tudo isso vai explodir quando ela passa a se engraçar com um rapazinho da aldeia. A cara não concorda com esse amor e a protagonista, em uma carta apaixonada escrita a seu amado, conta como terminou a confusão com sua "confidente". É simplesmente perturbador. Semelhante a esse aqui é As termas de Tirte onde o narrador é apaixonado por Lucy, mas esta só tem olhos para um galã que passou a frequentar as termas. Só que este galã deseja perpetuar sua beleza para sempre e depois de uma conversa pensa em uma saída deveras estranha: para ganhar mais tempo é preciso não gastá-lo com tarefas mundanas. Então a saída que ele cria é que toda vez que ele estiver dormindo, irá realizar todas as tarefas que são entediantes. Dessa forma ele vai ganhar mais tempo de vida. O protagonista agora quer provar que o galã, toda vez que sai com Lucy, está de olhos fechados porque ele tem certeza que não a ama como ele. Mas, será que ele poderá provar o que diz ou sua amada é que está realmente com olhos fechados? Ou seja, Ocampo não é lá muito romântica... Estou ironizando, caros leitores. Mas, vale pensar que a autora está fazendo algumas reflexões lá nos idos da metade do século XX que só fazemos hoje com mais frequência.
No conto Celestina vemos um pouco mais desse lado mórbido da autora. E o quanto ela gosta de inserir punchlines, ou seja, pequenas frases de efeito ou situações que fecham uma trama. E ela faz isso muito bem. Nesse conto, a narradora nos conta que conhece uma mulher chamada Celestina, que se alimenta de notícias ruins. Apesar de ser uma pessoa bondosa, ela precisa ouvir notícias ruins, podendo ser terremotos, desastres, assassinatos em família, epidemias. Qualquer coisa que envolva mortes, maldições ou injustiças. Todos os dias. Chega a um ponto em que eles precisam trazer provas das notícias ruins que eles estavam contando. E é uma necessidade constante de ouvi-las. Mas, um dia, o jornal não tem uma única notícia ruim sequer. E nem os vizinhos possuem nada trágico para contar. As pessoas próximas a Celestina pensam em inventar uma história, mas ela é muito inteligente e pode desconfiar. O que será que vai acontecer quando Celestina não tiver uma notícia ruim da qual se alimentar?
Paro por aqui ou vou estragar as surpresas que Ocampo nos presenteia nessa coletânea. A autora é um dos pilares do realismo mágico na América Latino e reitero os meus parabéns para a Companhia das Letras por estar nos trazendo as histórias dela. A capa também está lindíssima e remete a esse espírito insólito e maravilhoso de suas histórias. Como qualquer coletânea de histórias vão ter aqueles contos que os leitores irão curtir mais e aqueles que não serão tão interessantes. De qualquer forma, vale demais a pena, principalmente pela liberdade de poder abrir o livro em qualquer página e encontrar uma boa história.
Los cuentos me parecen fantásticos. Mis favoritos son La escalera, Amelia Cicuta, Carta bajo la cama, Tales eran sus rostros y Fuera de las jaulas. Silvina escribe y describe lo monstruoso, lo terrible, lo inexplicable, desde un lugar que no deja de asombrarme. Lo recomiendo mucho!
Lembra-me a leitura deste, que é o segundo de Ocampo para mim, certas limitações da ciência. Qualquer estudo médico em humanos requer a existência de um grupo de controlo, feito de elementos que não sofram do mal que pretendemos estudar, mas sejam de resto iguais aos doentes observados. Este, claro, é o modo de rodearmos uma impossibilidade (ter uma cópia dos probandos que fosse rigorosamente igual aos mesmos, diferindo apenas na variável que pretendemos estudar ), partindo do princípio que, a partir de determinado número, todos os grupos tendem para a semelhança. Não é preciso ter lido O jardim dos caminhos que se bifurcam, para entender que não há modo, senão na literatura, de reordenar a ordem das experiências ou colocá-las em modo paralelo, para possiveis comparações. Existem grupos de controlo, não existem indivíduos de controlo (para experimentarmos tudo de todas as maneiras, como dizia o outro - e talvez os heterónimos sejam a forma mais aproximada desta ambição). Não posso por isso saber se ter gostado bastante menos deste do que do primeiro que li de Ocampo se deve a diferenças de qualidade ou à ordem da leitura. Mas esta é a verdade e não posso recusá-la.
bueno, tardé dos meses en terminarlo pero es que me colgaba y quería leerlo con paciencia para disfrutar sus relatos.
la verdad que los cuentos en esta antología son un re viaje, marqué muchos porque están muy buenos. aparte de que su narración es bellísima, me encanta su capacidad de convertir situaciones cotidianas en cosas maravillosas o incluso ominosas.
no son todos los que marqué pero estos son algunos de mis cuentos favoritos: “Tales eran sus rostros”, “Carta bajo lo cama”, “Amelia Cicuta”, “Fuera de las jaulas”, “El moro”, “El incesto”, “La gallina de membrillo”, “El diario de Porfiria Bernal”, y “La piedra”.
silvi, merecés mucho más y me quedé con ganas de seguir leyéndote, quiero todas las ediciones de lumen.
3.5. Lo que hace maravilloso a los cuentos no son los hechos en sí, sino la forma en la que se los narra. Las palabras que se usan, las metáforas, comparaciones, descripciones son herramientas que hacen que lo ya conocido bajo la voz de Silvina parezca nuevo, fascinante, horrible y misterioso. Son cuentos muy cortos, pero no es un libro para leer apresurado, sino para detenerse y saborear cada oración, ahí está el encanto (aunque algunos se disfrutan mucho más que otros, sobretodo los del principio y final)
Silvina Ocampo é considerada um dos principais nomes da literatura argentina, todavia seu reconhecimento foi tardio. Boa parte da sua vida foi ofuscada pela atuação cultural da irmã Victoria e pela genialidade do marido Adolfo Bioy Casares, com quem viveu um casamento aberto durante 53 anos, ou melhor, até sua morte, em 1993, aos 90 anos. A bem da verdade, oculta detrás de um par de óculos gatinho ou escondendo o rosto com as mãos nas fotografias, ela sempre foi muito reservada. Pouco se sabe sobre sua vida particular e o significado de grande parte de seu trabalho é um desafio para o leitor.
No Brasil, sua obra jamais despertou maior atenção até 2019, quando a Companhia das Letras publicou a Antologia da Literatura Fantástica cuja organização foi realizada por ela, o marido e Jorge Luis Borges. Sem dúvida, uma presença que surpreende, se levar em conta que tal compilação ocorreu há 85 anos, quando a literatura ainda era um reduto praticamente masculino. Esse súbito interesse foi determinante para que a editora resolvesse lançar A Fúria, o primeiro livro de contos de Ocampo, e essa aposta parece que foi bem sucedida, pois acaba de ocupar as estantes de nossas livrarias outra publicação.
Trata-se de As Convidadas. Reunindo 44 contos breves, a prosa da escritora retorna com a mesma contundência, inquietação e amoralidade. De acordo com Laura Janina Hosiasson, professora de literatura hispano-americana da USP, “embalada pelo ritmo preciso da descrição dos detalhes, Ocampo consegue capturar o leitor para dentro de um universo familiar e doméstico no qual o sinistro e o estranhamento se insurgem como uma onda capaz de destruir qualquer proteção à equilibrada rotina burguesa”.
Esse estranhamento resulta em narrativas que destilam uma mordacidade sombria, uma perversidade até mesmo ingênua e primam pela estranheza criativa ao discorrer sobre assuntos como transmutação física (O Diário de Porfiria Bernal), premonição (O Incêndio), manifestação fantasmagórica (O Sinistro Do Equador), possessão ou transtorno dissociativo de personalidade (A Cara Na Palma Da Mão).
Ao mesmo tempo, essa temática é responsável por uma galeria de personagens marcadas por bizarras características. Alguns exemplos são o Pata de Cão, um campeiro cuja alcunha remete às unhas dos pés deformadas pela micose (A Filha Do Touro); Icera, a menina que possui o mesmo tamanho de uma boneca (Icera); e quarenta crianças com deficiência auditiva que durante uma viagem de avião, criam asas, saltam da aeronave e desaparecem no ar (Assim Eram Os Seus Rostos).
Já, quanto aos espaços ficcionais, a escritora faz com que cada um esteja ativamente ligado ao sentido profundo das tramas, nada é escolhido ao acaso, sequer suas costumeiras descrições, e esta característica está vinculada em parte com sua vocação pictórica. Inclusive, quando jovem, ela chegou a estudar em Paris com Fernand Lèger e Giorgio de Chirico.
Sobre o conto que dá título ao livro, ele aborda o fim da infância e remete ao atípico aniversário de um menino, Lúcio, cujas únicas convidadas são 7 garotas cujas descrições remetem aos 7 pecados capitais. De fato, trata-se de uma boa escolha, contudo o mais antologizado e discutido da lista é A Escada. Nele, abrindo mão da fantasia, a ação do tempo e o papel da memória sintetizam em cada degrau uma denúncia sobre a desigualdade social vivenciada pelas mulheres.
Enfim, aguardando a publicação de outros livros de Ocampo, também recomendo “La Hermana Menor”, de Mariana Henriquez, que, lançada em 2018 na Argentina, é a primeira obra biográfica sobre a escritora.