A experiência foi radical: uma academia de boxe para adolescentes em situação de alto risco na favela da Maré (em 1995 Luke foi campeão de boxe amador das faculdades da Grã Bretanha na categoria médio-ligeiro). Luke Dowdney, cidadão britânico, chegou ao Viva Rio há cinco anos, como voluntário. Havia já circulado por lugares distantes, como o Japão e o Nepal, e decidira parar no Rio de Janeiro. Queria trabalhar com adolescentes e jovens das favelas, em continuidade ao tema que adotara para sua tese de mestrado na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Chegou com aquela humildade íntegra que impõe respeito. Hoje Luke é um membro insubstituível do nosso time. Conseguiu uma coisa rara, sonho de todos nós, que é fazer e pensar ao mesmo tempo, experimentar um projeto inovador e produzir conhecimento, cada um a seu modo, na sua qualidade própria. A pesquisa veio depois, ainda mais radical: um estudo empírico, baseado em trabalho de campo, sobre crianças e adolescentes envolvidos em confrontos armados nas favelas do Rio. O resultado é um livro admirável e rigoroso. Publicado em português, espanhol e inglês, encomendado já por diversos círculos especializados internacionais, transforma as dramáticas notícias do Rio em matéria que ilumina um grave problema que não é só nosso. Está na Colômbia, El Salvador, Honduras e Jamaica, África do Sul e Nigéria, quiçá em diversos outros países, e desenha um cenário que assusta pelo seu potencial de expansão. Temo que esse livro lance o Luke de novo a viajar. Rubem César Fernandes Secretário Executivo Viva Rio