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Revista Trasgo #9

Trasgo: Ficção científica e fantasia #9

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Bem vindos à revista Trasgo, uma revista de contos de ficção científica e fantasia. Queremos trazer os melhores contos em língua portuguesa, de autores novos e consagrados.

Por que Trasgo? Trasgo é uma criatura do folclore português, confundidos com duendes ou trolls. Mas também pode ser o nome de um planetóide distante, lar de um único ser vivo. Uma maldição que sai de sua caverna escura à noite, ou uma pequena nave mineradora com tripulantes suspeitos.

Índice de conteúdos:
Editorial
Créditos
Sobre o Ar e o Fogo - Paola Siviero
Missão Verne - Moacir de Souza Filho - Moacir de Souza Filho
Uma Antiga Aldeia e Seus Pequenos Deuses - Anderson D. C.
Analogia - Jana P. Bianchi
Sardas e Manchas de Sangue - Michel Peres
Emet - Santiago Santos
Galeria: Cecihoney
Entrevista: Cecihoney
Entrevista: Paola Siviero
Entrevista: Moacir de Souza Filho
Entrevista: Anderson D. C.
Entrevista: Jana P. Bianchi
Entrevista: Michel Peres
Entrevista: Santiago Santos
Trecho do Livro: Lobo de Rua
Padrim Trasgo

146 pages, ebook

Published January 1, 2016

11 people want to read

About the author

Rodrigo van Kampen

42 books18 followers
Rodrigo van Kampen é escritor, editor da Revista Trasgo, redator publicitário e foge de moto nos fins de semana. Já publicou em coletâneas da Aquário, Draco e em publicações independentes. Mora em Campinas com sua esposa e uma vira-lata, escreve em viverdaescrita.com.br e pode ser encontrado no Twitter como @rodrigovk.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Laís.
Author 7 books7 followers
Read
May 1, 2016
Resenha do blog Sonhos, Imaginação & Fantasia.

Sobre o Ar e o Fogo (Paola Siviero)

A boa narrativa logo me enredou em uma trama muito interessante sobre uma longa guerra entre o povo do ar e o povo do fogo pela posse do Vale do Sol. É uma narrativa fluída, mas ainda assim detalhista o suficiente para construir imagens dentro de minha mente e me sugar para dentro desse universo. Aliás, embora poucos detalhes sejam trabalhados nesse conto, é possível perceber que é um mundo bem construído, e os poderes de ambos os povos foram bem bolados. E, apesar da excelente trama, que foge bastante do óbvio, o foco são os personagens: Alas, o general do povo do ar, e Firenz, o general do povo do fogo. A história é contada inteiramente sob o ponto de vista de Alas (em primeira e terceira pessoa), mas mesmo assim a autora conseguiu explorar muito bem o personagem Firenz. A única coisa que eu poderia considerar como ponto negativo é que algumas cenas (especialmente de ação) não causam tanto impacto quanto eu esperava delas. Mas, no geral, foi um conto do qual gostei muito.

Missão Verne (Moacir de Souza Filho)

Este conto traz um tema bastante recorrente na ficção científica: a exploração de novos planetas. Entretanto, não é mais do mesmo, pois inova tanto no formato quanto na trama. A narração é feita inteiramente por registros de gravações de discursos, relatórios e mensagens pessoais dos personagens sobre a Missão Verne. Esta consiste em uma missão de exploração a um planeta com potencial para abrigar a vida como conhecemos, e o alvo da missão é o planeta que foi apelidado de Verne. É um conto focado na trama (que trouxe um final bastante surpreendente) e por isso, mesmo apresentando alguns relatos de teor mais pessoal, não explora a fundo os personagens (já que vários são citados), mas aqui isso não faz falta, porque não é algo que o conto demanda. Além disso, há alguns pequenos detalhes técnicos que são citados (mas sem confundir o leitor e comprometer a fluidez narrativa) muitas vezes de forma bastante discreta, mas que fazem toda a diferença na ambientação e mostram o cuidado do autor em pesquisar e se inteirar na linguagem.

Uma Antiga Aldeia e seus Pequenos Deuses (Anderson D. C.)

Este conto apresentou um estilo de narrativa bem diferente e, embora seja perceptível que a técnica do autor é muito boa, não conseguiu me prender. Talvez por uma questão de gosto mesmo. É também um conto que não tem foco em um único personagem, mas em toda a população de uma aldeia e sua relação com o que supõem ser um deus. E, apesar de o estilo da narrativa não ter funcionado comigo, é uma relação bem interessante de acompanhar, que se constitui em uma trama que foge bastante do óbvio.

Analogia (Jana P. Bianchi)

Analogia é um conto que tem um clima bem urbano (ainda que seu foco não seja a cidade), que traga o leitor para dentro de suas páginas. Conta a relação de um homem com um barco de brinquedo mágico, desde sua infância, quando o ganhou de um homem misterioso, até a idade adulta, quando a mágica aparentemente não funciona mais. O conto não tem uma trama mirabolante e não se propõe a explicar a magia que dá vida ao micro ecossistema em que o pequeno barco está inserido. Ao contrário dos contos anteriores, esse foca no personagem e em sua relação com o brinquedo, mas ainda assim arrebata e traz um final que talvez não seja tão inesperado, mas que é muito satisfatório. Mas acredito que a força dessa história está nos pequenos detalhes que a narrativa traz, às vezes aparentemente irrelevantes, às vezes quase imperceptíveis, mas fundamentais para trazer a sensação de familiaridade, de que aquilo poderia estar acontecendo na sua cidade, quem sabe com seu vizinho.

Sardas e Manchas de Sangue (Michel Peres)

Este conto mistura ficção científica com investigação policial, construindo um universo futurista bastante interessante. É ambientado aqui no Brasil e, como no conto anterior, muito competente em passar o clima urbano. A trama gira em torno do assassinato de um funcionário em uma obra por um gimo — criaturas quiméricas criadas artificialmente a partir de genomas de diversos animais, inclusive de seres humanos. Mas, narrado em primeira pessoa, também explora um pouco da vida pessoal de Juarez e de seu divórcio em curso. Além disso, a narrativa, por ser sob o ponto de vista de um personagem que vive nesse mundo e o conhece muito bem, não dá explicações diretas sobre as peculiaridades que são apresentadas, mas é competente em deixar as pistas para que o leitor depreenda o significado de cada termo. O final não traz nada de extremamente surpreendente quanto à investigação (aliás, achei que foi um conto curto demais para desenvolvê-la de modo que fosse mais empolgante), mas a amarra de forma interessante aos detalhes da vida pessoal de Juarez. O final é deixado em aberto, e uma leitura atenta deve ser feita para pegar as pistas (ainda que eu não tenha certeza de que a minha conclusão é correta).

Emet (Santiago Santos)

De todos, foi o que menos gostei e, mais uma vez, acredito que isso se deu por eu não ter gostado do estilo narrativo, ou talvez por não ter conseguido me conectar ao protagonista (um golem), já que a narrativa é em primeira pessoa. Bo chega desmemoriado a um bar, sem saber como chegou ali e por que, e parte com Josias, o elemental da terra que será o seu guia em uma viagem que o próprio Bo solicitou, embora não se lembre disso. Conforme prosseguem, passam por lugares bastante estranhos, utilizando meios de transporte muito inusitados no que parece ser uma viagem de autoconhecimento. O final traz uma surpresa bastante inesperada, mas, como já mencionado, o restante do conto não me empolgou tanto — mais uma vez, acredito, por uma questão de gosto pessoal.
Profile Image for Elvis Rodrigues.
294 reviews13 followers
March 28, 2019
Nona edição da Trasgo. Espero alcançar o número atual até o final do ano, mas não tenho muita certeza. Esta edição não teve nenhum conto ruim, mas também nenhum memorável, ficando no meio. Vamos aos contos:
- Sobre o Ar e o Fogo, da Paola Siviero: o conto começa morno, e meio inspirado na animação Avatar, uma pegada bélica e tal, mas da metade em diante surge um plot twist que me pegou de surpresa e, por mais que não acabe em um ponto alto, merece muitos pontos pelo rumo que a história toma;
- Missão Verne, de Moacir de Souza Filho: meu favorito da edição. Além de ser hard scifi, é uma história epistolar. O autor consegue construir tensão em pouquíssimo tempo e fiquei muito desejoso de ver uma história assim no cinema, pois parece perfeito para o meio audiovisual;
- Uma Antiga Aldeia e seus Pequenos Deuses, de Anderson D.C.: apesar da prosa ser esteticamente bem trabalhada, a narrativa é confusa, e precisei voltar algumas vezes para entender o que estava acontecendo. A pegada meio Ataque dos Titãs não me agrada muito;
- Analogia, da Jana Bianchi: esse é um conto que merecia expansão. Traz uma ideia interessante, mas que carece de ser mais trabalhada. Eu leria facilmente uma noveleta em cima deste conceito. Gostei do personagem principal também;
- Sardas e Manchas de Sangue, de Michel Peres: uma narrativa policialesca e futurista ambientada em Recife. Apesar de ter uma pegada meio "deixa eu ver o que consigo bolar de coisas legais para o futuro e jogar todas em um único conto", os conceitos são interessantes e é tudo muito promissor. Já que o afrofuturismo está na crista da onda, poderíamos começar a explorar um futurismo nordestino, uma mistura de cordel com ficção científica, talvez. Seria interessante. Mas divaguei, voltando ao conto, eu acho que o protagonista ficou meio confuso. Ele funciona como um protagonista noir, mas precisa de mais caracteres para seus contornos se definirem melhor;
- Emet, do Santiago Santos: não curti. Existencialista e tal, mas metafórico demais. A ideia é interessante, a execução me deixou com preguiça de lê-lo.
Profile Image for Mayumi.
846 reviews21 followers
March 4, 2018
Sobre o Ar e o Fogo
Foi um conto lindo com um sistema de magia muito interessante e uma história de amor bastante verdadeira. Muito bem escrito, gostei  muito.

Missão Verne
Uma maneira muito criativa de contar uma história já explorada. Muito bom também.

Uma Antiga Aldeia e Seus Pequenos Deuses
Esse conto tem aquela característica que eu gosto de chamar de "o que tá conteceno?". Geralmente gosto dessa característica, mas acho que não gostei muito nesse conto.

Analogia
De longe o que eu mais gostei dessa edição. Talvez até por isso ache difícil escrever sobre ele. Totalmente introspectivo, o importante é acompanhar os sentimentos do personagem com relação ao barco de brinquedo. Incrível!

Sardas e Manchas de Sangue
Uma investigação policial que foi satisfatória, mas não me pegou muito não sei exatamente porque.

Emet
Esse conto também tem o "o que tá conteceno?", mas quando eu finalmente entendi o que estava acontecendo, já era tarde demais. Não sei... me perdeu por isso.
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

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