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187 pages, Paperback
First published January 1, 1996
Uma introdução ao Aquino espiritual, não ao escolástico. Tomás de Aquino era verdadeiramente apaixonado por Cristo e a sua teologia nasce dessa paixão, que nem atrás da sua escrita lógica e extremamente enfadonha (sem ofensa) consegue se esconder.
Para o compreender é preciso desfazer a imagem de um Deus distante e julgador. Aquino, explica Barron, diz que não somos observados, tolerados ou julgados por este “juiz” abstrato, somos a consequência de um amor que não conseguiu conter-se. Deus, para Aquino, é o ser puro, não é um ser que existe, mas o próprio existir. Então, Deus tem inteligência porque é puro ser sem limite, é imaterial. Quem tem inteligência perfeita conhece o bem perfeitamente. Quem conhece o bem perfeito naturalmente quere-o, tem vontade. E o amor é o fundamento da vontade, precede qualquer acto. Logo Deus é amor, não como característica que escolheu ter, mas como o que é profundamente a Sua natureza.
Um fogo aquece o que está perto, não por esforço, mas porque é a sua natureza. Uma pessoa imensamente feliz contagia os outros sem querer. O bem, por natureza, espalha-se. Deus é o bem absoluto e perfeito. Um bem tão pleno que não pôde ficar contido em si mesmo. Deus não tinha de criar, mas sendo como é, não podia não o fazer, como uma fonte não é obrigada a fluir, mas flui porque é a sua natureza. Não existimos porque fomos necessários, nem porque merecemos, para Aquino, existimos porque Deus é tão bom que esse bem teve de se expandir, e somos as formas dessa expansão. A nossa existência é um acto de amor. Deus não pode não amar, ele não nos condena, nós condenamos-nos, nós afastamos-nos dEle para longe do bem e em direção à ausência disto: o mal.
Uma ressalva: nesta secção sobre o mal o autor trata logo o pecador como um "rebelde que procura um deus das trevas", sem distinguir os pecados por passio dos por malitia, que o próprio Aquino distinguiu (um grande tomista este Barron). E há uma certa ironia em ler alguém que fala da facilidade com que a "multidão" se deixa impressionar pelo vulgar e pelo simplista ser tão amigo do Trump como ele é hoje em dia. Só mesmo por isto ser um livro do Barron que não dou um rating melhor.
Honestamente, eu chegava a ter medo de S. Tomás de Aquino nos meus dias de estudar para o exame de filosofia no secundário, e quando ouvia sobre este Doctor Angelicus na catequese: altamente inteligente, lógico, concreto, intimidante, IMENSO... e o tamanho da Summa não ajuda! Mas a sua teologia é na verdade muito íntima e pessoal, reconfortante, só lhe falta a eloquência de Agostinho, fico feliz de o compreender um pouco melhor agora.