Turismo de empatia era o que todos precisam fazer! Talita foi para o oriente médio, indo contra um alerta de segurança emitido pedindo para os ocidentais não viajarem para áreas de risco, porém, mais do que conhecer o lugar, ela queria sentir as pessoas, conhecê-las, identificar-se, e reconhecer a si mesmo nelas. O livro é a expressão desse um mês em que ela conheceu refugiados, crianças que estavam em poder do Isis e foram resgatadas, mulheres fortes que tem lutado pela liberdade, pessoas que estão tentando viver é preservar sua cultura. O livro consegue levar uma parte de nós para os lugares fantásticos que ela passou, a outra parte planeja, em breve, realizar um turismo de empatia. "Não viaje, permaneça em casa consumindo emoções artificiais, através da sua TV ou smartphone, alimentando a sua falsa sensação de controle e segurança. Enquanto isso, nos decidimos por você quem é quantos devem morrer nessa guerra. Não viaje, não corra o risco de sentir empatia e, ao se colocar no lugar do outro, perceber que sua vida é tão valiosa quanto a dele. Deixe com a gente a missão de transformar pessoas em números frios e distantes, tão longe da sua realidade, que talvez você acredite que elas mereçam a violência gratuita que nós aplicamos. Não viaje, não amplie seus horizontes, não queira ver além daquilo que nós divulgamos, não ouse pensar no " e se", nem falar sobre saídas alternativas para o jogo de poder que criamos. Não viaje, não veja as feridas profundas que nós abrimos nos corpos e no mundo, não tente curá-las ou, ao menos, estancar a dor. Use o seu dinheiro para anestesiar qualquer descontentamento ou desconforto com drogas, de preferência as lícitas, disponíveis em doses cavalares nos supermercados e nas drogarias. Se não der certo, entre no espírito natalino e se cubra de presentes, afinal você merece, por ser quem é, ou melhor por ser o que nós queremos o que vc seja. Não viaje, mas se viajar, evite lugares onde pode ter contato com gente diferente, desconfie sempre é cada vez mais do outro, não fale com estranhos, se possível, nem olhe para eles, foque no seu prazer e na sua segurança. Suba os vidros, coloque os fones, não esqueça seus óculos escuros e, mais importante, continue alimentando-se com as doses diárias de medo dos jornais."
Em novembro de 2015, Talita ficou 1 mês na Jordânia, Iraque e Turquia convivendo e conversando com refugiados e refugiadas vítimas das guerras e conflitos locais, principalmente vítimas do Estado Islâmico (DAESH-ISIS). Na bagagem ela trouxe histórias incríveis de adultos e crianças que, apesar de profundamente prejudicados pela guerra, muitas vezes não perderam a esperança, a infância nem o brilho nos olhos.
Em Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio a autora consegue transmitir tantos sentimentos que ali vivemos em crônicas rápidas e simples, mas ao mesmo tempo profundas e emocionantes. Não raro, leio depoimentos de leitores(as) que choraram em vários pontos do livro.
(disclosure: sou marido da autora, um marido muito orgulhoso)
Se você gostar das fotos, me manda um "salve!" no twitter @marcogomes
Turismo de Empatia é um livro muito bonito! E é bonito em todos os aspectos – tanto em termos de texto (a impressão que tenho é que Talita escolhe a dedo cada palavra que utiliza), quanto em termos de diagramação, de imagens etc. A autora é uma pessoa muito sensível e humana, e isso transparece tanto no livro que eu me emocionei bastante lendo alguns textos – emocionei = chorei mesmo. :')
Porém, confesso que a mesma beleza que me encantou ao longo da leitura, também me deixou um pouco incomodada... É que fiquei com a impressão de que há uma romantização de tudo que Talita viu viveu. E acho isso perigoso – afinal, estamos falando de um território em guerra e de pessoas vivendo os efeitos dessa guerra. Acredito que essa impressão se dá justamente por conta da empatia buscada, sentida e transmitida por ela no livro. Isso, é claro, não tira o valor da obra, que é pessoal e mostra um recorte de algo muito mais complexo do que o que podemos ler nas 112 páginas de Turismo de empatia, mas achei importante pontuar.
De qualquer forma, gostei muito. Queria dar 4,5 estrelas. :)
O livro relata algumas das experiências da autora durante sua viagem de um mês por alguns locais do Oriente Médio, em especial (mas não apenas) em campos de refugiados. Os capítulos são curtos e de rápida leitura, e trazem pensamentos, impressões e angústias vividos pela Talita ao longo da viagem.
Eu particularmente esperava textos mais complexos e ricos sobre as reflexões a respeito da viagem, mas entendo perfeitamente que no momento da escrita eles ainda não estivessem maduros -- é necessário um distanciamento razoável para se fazer uma leitura mais rica do que se passou, e o projeto do Catarse que financiou a impressão do livro ocorreu poucos meses após o retorno da Talita ao Brasil.
Vale a leitura para se ter um primeiro contato com a experiência do turismo de empatia. Mas para análises mais profundas o livro ainda não é esse -- quem sabe em uma continuação do Turismo de Empatia? :-)