Este livro traz uma amostra dos interesses do autor, médico oncologista, que ficou conhecido nacionalmente ao publicar a obra "Estação Carandiru" (2000), vencedora do Prêmio Jabuti em 2000 na categoria Não-Ficção, e que há muito tempo superou as paredes de seu consultório para penetrar no mundo amplo da cidadania. Nas crônicas aqui presentes, temas como traições amorosas, problemas sociais, a rotina de presidiários (devido a uma experiência a qual o autor viveu por longo período quando foi médico da Penitenciária Carandirú em São Paulo, até então a maior peintenciária da América Latina), os males causados pela indústria do tabaco, além de abordar temas médicos, em uma linguagem de fácil acesso. Dos contos aqui presentes, especial destaque para "Um vulto de mulher", "O sexo frágil", "A trajetória da cocaína", "Os sabiás de São Paulo" e "Éramos todos negros". O autor também publicou "O médico doente" (2007).
After graduation, he specialized in infectious diseases with Prof. Vicente Amato Neto at the University of São Paulo and at the Hospital do Servidor Público de São Paulo. This work led him to develop an interest in immunology and over the following 20 years he worked at the Hospital do Câncer in São Paulo, specializing in oncology. He works as a medical professor at Universidade Paulista, but has taught also in several other institutions in Brazil and abroad, such as the New York Memorial Hospital, Cleveland Clinic, Karolinska Institute, University of Hiroshima and the National Cancer Institute of Japan. One of his main fields of works has been AIDS, especially the treatment of Kaposi's sarcoma. He has had an active role in prevention and educational campaigns about AIDS, being the first one to have a radio program on the subject. From 1989 to 2001 he volunteered to work as an unpaid physician in one of the largest jails of Brazil, Carandiru, in order to tackle the horrific AIDS epidemic raging among male inmates. As a result of this experience, he wrote a best-selling book describing the harrowing life of the inmates, which later became a motion picture (Carandiru, directed by Hector Babenco), winning accolades from both the public and specialized national and international critics. As the chairman of a cancer research institute at UNIP, Dr. Varella presently heads a research program on the potential of Brazilian Amazon medicinal plants for treating neoplasms and antibiotic-resistant bacteria. This research is supported by the São Paulo Research Support Foundation.
(Português) Descendente de galegos e portugueses, Drauzio estudou medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. No início dos anos 70, já como médico, ele começou a trabalhar com o professor Vicente Amato Neto na área de moléstias infecciosas do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Durante 20 anos, dirigiu também o serviço de imunologia do Hospital do Câncer (São Paulo) e de 1990 a 1992, o serviço de câncer do Hospital do Ipiranga. Deu aulas em várias faculdades do Brasil e em instituições em outros países, como o Memorial Hospital de Nova Iorque, a Cleveland Clinic (também nos Estados Unidos), o Instituto Karolinska de Estocolmo, a Universidade de Hiroshima e o National Cancer Institute, em Tóquio. Além do câncer, Drauzio Varella dedicou seu trabalho também ao estudo da AIDS. Foi um dos pioneiros no estudo dessa doença no Brasil, especialmente do sarcoma de Kaposi. Em 1989, iniciou um trabalho no Carandiru (nome popular da "Casa de Detenção de São Paulo"), investigando a prevalência do vírus HIV nos detentos. Até 2002, ano em que o presídio foi desativado, trabalhou como médico voluntário no local. O dr. Varella chegou a idealizar uma revista em quadrinhos, O Vira-Lata, como parte do plano de prevenção da AIDS na cadeia. Atualmente, apoiado pela Universidade Paulista e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), dirige no Rio Negro um projeto de análise de plantas brasileiras, buscando obter extratos para testar experimentalmente no combate à bactérias resistentes a antibióticos e ao câncer.
Já tendo lido (e apreciado) Estação Carandiru, livro pelo qual o autor ficou conhecido na literatura brasileira, esperava desta obra o mesmo estilo de narrativa, mas em pequenas doses, em forma de crônicas. Não podia estar mais certo: o estilo característico do autor, que fala com propriedade e minúcia sobre os assuntos que domina e ao mesmo tempo conta histórias descompromissadas como um, de fato, contador de histórias, diverte e põe o leitor a pensar, rir e se identificar com as visões do autor, tanto em assuntos triviais quanto em crônicas políticas mais inflamadas. Considero um livro de leitura fácil e divertida. Dito isso, recomendo fortemente a leitura.
A Teoria das Janelas Quebradas é uma coletânea de crônicas escritas por Dráuzio Varella para a Folha de São Paulo, por dez anos. Os textos tratam de temáticas ligadas a situações cotidianas vividas pelo autor, a questões médicas e científicas e a sua experiência enquanto médico voluntário do presídio Carandiru. Crônicas
No geral, as crônicas se classificam entre situações vividas por colegas de trabalho do autor, ou por ele mesmo, assuntos típicos do cotidiano do brasileiro e temas ligados à medicina ou à biologia. São textos curtos, que não ultrapassam cinco páginas e que tem a forma de escrita típica de jornal. Em algumas temos casos de bigamia, problemas conjugais e de convivência de colegas de Dráuzio ou presos. Em outras, aborda-se temas do dia a dia, como trânsito ou a superlotação em aeroportos. Há também questões como o uso de drogas e como elas corrompem a sociedade, a relação entre o crime e as classes sociais e a discussão sobre distúrbios da fisiologia humana. A crônica que dá nome ao livro explica claramente o quão o comportamento humano e as questões sociais estão atreladas. Alguns personagens de outros livros de Varella, como Estação Carandiru e posteriormente Carcereiros, , aparecem em alguns textos, assim como temáticas pertinentes do autor, como teoria da evolução e câncer. Não há uma ordem específica de leitura, podendo o leitor escolher quais textos prefere ler, sem conflituar com o contexto geral. Sobre o autor
Já acompanho o trabalho do Dráuzio há mais ou menos uns 13 anos. Seu trabalho como médico e escritor sempre me fascinaram, por sua linha de raciocínio e por sua aproximação de questões sociais e científicas, quase que na mesma proporção. Também gosto bastante da maneira como ele esmiuça e simplifica questões teóricas e acadêmicas complexas de forma acessível ao público leigo, não identificado com esses temas. Este é o oitavo livro dele que leio. Embora tenha acompanhado a maioria dessas crônicas quando publicadas no jornal, a organização do texto e a concatenação das ideias tornou a leitura muito prazerosa. A narrativa do autor é deliciosa de ler. Varella consegue associar temas que, à primeira vista, não tem relação nenhuma. Suas descrições de cenas e personagens do cotidiano brasileiro são muito agradáveis e é possível imaginar o tempo todo sua voz narrando cada palavra. Neste livro, Dráuzio está em sua melhor forma, conseguindo dosar humor e conhecimento. É perceptível o domínio que o autor tem com a narrativa e o formato de crônica, sempre usando de bons ganchos e uma boa criação do pano de fundo para descrever suas ideias ou casos. Considerações
Com uma leitura muito agradável de ler, esse livro só me fez aumentar ainda mais o meu gosto pelo trabalho deste autor. As crônicas são leves e contemporâneas, fazendo com que as páginas fluam com rapidez.
Drauzio Varela é um mestre, seus livros são daqueles que você não consegue parar de ler, mas este livro de crônicas de diversos assuntos foi um pouco penoso para ler de uma só vez. Tratam-se de crônicas publicadas na Folha de SP. Ainda assim você aprende muito com ele e não deixa de enriquecer.
Livro limpinho e gostosinho de ler como tudo que o Dr. Dráuzio escreve. As crônicas são mais informativas, às vezes um desabafo e poucas vezes alguma história maneira da época do Carandiru.
Coletânea de 55 crônicas sobre o cotidiano. • Drauzio Varella, conhecido médico da tv, também é um excelente contador de histórias - de vários tipos, como o desejo de correr, a vida em presídios e o dia a dia observados em seus mais de 70 anos. • Eu particularmente adoro as entrevistas de Drauzio, a maneira como ele consegue modular qualquer historieta numa narrativa cheia de emoção e surpresas. Aqui, temos a nata das crônicas publicadas na “Folha de São Paulo”, mostrando a visão do médico sobre o que já viveu por aí. • Então temos o que ele viu no Carandiru e no Presídio Feminino, o que conversou com amigos e desconhecidos, o que observou quando criança ou idoso, o que refletiu sobre o mundo - de um jeitinho só dele. Eu adoro, e curti muito ir lendo o livro aos pouquinhos, saboreando cada crônica. • Mais indicações no Instagram @indicalaura
Seleção de crônicas do autor publicadas na Folha de São Paulo, variam desde situações rotineiras por ele vividas, como um diálogo com um taxista, até análises de artigos científicos (para leigos). A lucidez de Drauzio e a seleção de temas, associadas à clara forma com que escreve, fazem do livro uma leitura leve e enriquecedora.