Depois de, sensivelmente, 2 anos e meio à espera de pôr as minhas mãos neste livro…. e tendo em conta que cometi o erro de ler isto de uma só vez, durante uma só noite … dizer que as minhas emoções estão descontroladas é, no mínimo, um belo eufemismo!
Não estou de todo desiludida (aliás, não creio que chegue o dia em que um livro desta autora não seja fenomenal), porém não consigo deixar de sentir que merecíamos mais. Nos três primeiros livros somos bombardeados com variados sentimentos, segredos, meias verdades e, em especial, demasiadas hipóteses sobre o futuro. O que, apesar de simultaneamente frustar e emocionar, é também natural e o resultado de um ainda parco conhecimento sobre estas personagens, das suas verdadeiras qualidades, defeitos, ambições e, mais importante, da dinâmica entre eles.
Consequentemente, neste livro o expectável seria obter algumas respostas.
Expectável, disse eu ….
Sucintamente, estou por completo às escuras sobre aquilo que o futuro guardará para os nossos quatro heróis.
Se os anteriores livros teceram uma teia de teorias e suspeitas na minha cabeça, este, por sua vez, criou um descomunal emaranhado.
Philippa Gregory, prodigiosamente, consegue que a aventura e os dramas expostos neste livro se sobreponham às relações, aos avanços e recuos das personagens principais, a toda a curiosidade instalada sobre determinados (E EXTREMAMENTE INTENSOS) eventos do livro anterior. E, por conseguinte, impede me de terminar sem abordar este aspecto.
Podem afirmar (a alto e bom som, inclusive) que não gostam de História.
Podem garantir (com convicção, se assim o preferirem) que não tem importância aquilo foi visto, ouvido, sentido ou valorizado há 100, 500 ou 1000 anos atrás.
Podem até rugir que o desafio, aquilo que entusiasma e incita a nossa geração é o futuro.
Nesse caso (tão simples como o apresentam), APRENDAM !!!
Quantos erros teremos de ecoar ?
Quantas barbaridades teremos de repetidamente testemunhar ?
Quantas órfãos teremos de criar para ser suficiente ?
Mais do que uma raça intitulada inovadora, fausta e persistente, a raça humana é mesquinha e rápida a esquecer. É cruel, dói e deixa marca, mas só tenho a agradecer a esta espantosa autora por continuamente me chocar com a verdade e por nunca me deixar esquecer.