Nunca houve um herói como Macunaíma. E nunca houve uma adaptação de sua história como esta.
Com uma incrível riqueza de imagens e cores, Angelo Abu e Dan X recriam de maneira vigorosa a saga imaginada por Mário de Andrade sobre um personagem singular, a quem falta caráter, mas sobra carisma - e preguiça. Macunaíma nasce índio, se transforma em um belo e loiro príncipe, encontra seres fantásticos da Floresta Amazônica, enfrenta armadilhas e perigos e viaja à cidade grande com seus irmãos em busca de mais confusões e enrascadas.
Uma história que se traduz com perfeição aos quadrinhos, em uma versão que se mostra tão divertida e irreverente quanto a obra original.
Este é o 15o álbum da coleção Clássicos em HQ. (Clássicos em HQ)
Uma das melhores e maiores surpresas do final desse ano, eu jamais imaginei que iria cruzar com essa história e essas formas e cores e essa arte aguçada com cheiro e gosto de Brasil inteiro! Mário de Andrade você é gigante (e acabei de saber que furtaram o Museu, aquele que tem o seu nome, a coincidência infeliz e vertiginosa) mas eu preciso dizer que os desenhistas Angelo Abu e Dan X, vocês nasceram pra isso, eu nunca vi tanta riqueza de traços condensados numa obra só, por causa desse livro conheci sobre outros artistas e artes que nunca antes tinha ouvido falar. Além da linguagem. Nossa língua-mãe a de parto, não a de criação, com seus símbolos e encantamento ameríndios. Em momentos assim, dá orgulho demais de ser brasileira, de ser irmã desses artistas, ainda que longínqua. Absolutamente fenomenal.
Lembro de assistir ao VHS do filme com meu pai que era formado em letras e grande fã de Mario de Andrade. Algumas cenas mto forte, mais no sentido do absurdo doq sexual, ficaram eternamente gravadas na minha memória. Foi muito gostoso reviver essas lembranças e constatar que meu cérebro ainda dá um caldo. Sei que foi feito um trabalho na tentativa de distanciar do filme, mas é impossível ao menos pra mim que nunca cheguei a ler o livro por completo. Sem dúvida, uma bela adaptação.
Macunaíma não é a obra que eu mais gosto da Literatura Brasileira. A obra funciona mais como um dicionário de termos indígenas do que como uma narrativa em si. Não gostei muito do herói e acredito que é por isso que não me envolvi muito na leitura.
Sentei pra ler e terminei o livro de uma vez. Eu adoro a história de Macunaíma então quando soube dos quadrinhos eu sabia que tinha que ler também. A adaptação é ótima, mas confesso que houve momentos em que eu não amei as ilustrações, pois ficaram muito difíceis de distinguir a cena ilustrada.