Carlos de Oliveira leva-nos a Finisterra. Paisagem e povoamento, para ambientes crus e ásperos. Vive-se o passado numa viagem onde a memória é desenraizada e projectada numa ambiência mágica e fantasmagórica, dando-se origem a uma construção temporal e espacial única na literatura portuguesa. O homem regressa à terra natal, à casa natal, reconhece os traços da infância nos objectos, no pó espesso que os cobre, na luz filtrada pela janela, no silêncio da noite. Onde a terra acaba e o eco começa. Onde a paisagem se reconhece nas suas raízes e o povoamento se enche de lembranças. Uma edição que, segundo Eduardo Prado Coelho, faz jus à obra de Carlos de Oliveira.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Coimbra (1947) e foi um dos iniciadores do movimento neo-realista. Colaborou nas revistas Altitude, Seara Nova e Vértice (de que foi director). Poeta e romancista, estreou-se com o volume de poemas Turismo (1942) e o romance Casa da Duna (1943). Publicou depois os volumes de poemas Mãe Pobre (1945), Colheita Perdida (1948), Descida aos Infernos (1949), Terra de Harmonia (1950), Cantata (1960), entre outros, e compendiou a sua obra poética em Trabalho Poético (1977-78). Além de romances (Alcateia, 1944; Pequenos Burgueses, 1948; Uma Abelha na Chuva, 1953, e Finisterra, 1978), publicou o livro de crónicas O Aprendiz de Feiticeiro (1971). Foi condecorado pela Presidência da República, a título póstumo, com o Grande-Oficialato da Ordem da Sant’Iago da Espada, em 1990.
Mais um daqueles livros densos, que não são breves nem leves... Um livro curto, que deixa a sensação de demasiado longo.
Trouxe-me uma experiência confusa...tal como se me tivesse metido num labirinto sem saída. A noção mais nítida é que não "apanhei" coisa alguma e que todo o livro é um enigma, que não consegui descodificar..
Talvez o seu valor resida precisamente neste facto,.. mas não sei avaliar!
A percepção que eu tive, leva-me a olhar para a narrativa, como se fosse a descricao de uma fotografia entercalada com um desenho, onde a luz e as cores passam a ser os protagonistas...a fotografia e o desenho ganham vida e movimento no instante em que foi captado.. como se a a pintura fosse procurar as cores para retratar um enredo que antes era abstracto, e aos poucos quer encontrar nitidez nos seus contornos, na sua luz e cor... às tantas já é o desenho, dentro de outro desenho com gente..com várias camadas.
Não me encantou e nem me deu cor.
Entendi que a escrita procurou ser poética mas, para mim, soou a forçada.
Que fique nítido, que não sou minimamente entendida em literatura, nem pretendo algo do género...apenas deixo o rasto do que eu senti...
No final de contas "Finisterra" foi considerado, por especialistas, um dos melhores livros portugueses, editados entre 1916-2016, portanto a minha opinião é leiga demais para ter algum crédito.
👉A quem ainda não leu, por favor, não percam o entusiasmo... Procurem sempre as vossas próprias opiniões!!
Esforcei-me muito…Juro… Li as primeiras cinquentas páginas três vezes, e nada... Foi como quando tentei ler o Herberto Helder e a Maria Gabriela Llansol. Aquelas palavras todas… e em português, mas igual que em chinês…
Uma dialética construída sobre as ruínas. Entre o espaço abandonado e a paisagem que se vê da janela, assiste-se ao acender de fragmentos de memórias de um passado recordado (imaginado?). Ardem como as cabeças dos habitantes dos desenhos da infância. Espaço de conjeturas metafísicas mescladas de vozes espectrais. Tudo se funde numa tentativa de reconstrução. Na solidão, o repovoamento.
Ler as ruínas de uma casa que se tenta reerguer, caminhando num intermitente incerto entre o seu passado e presente. Tentam comunicar, revivê-la para pedir vida em troca. Mas aqui, a beleza da casa não é imensurável, nem a sua bondade é infinita.
Finisterra apanhou-me de surpresa. No início, senti-me arrastado por um texto muito disperso e com pouco sentido. Tive de recomeçar, concentrado. Resultou quase plenamente. A fusão muito boa entre passado e presente nem sempre é fácil de discernir; as metáforas pouco óbvias, mas sentidas dão um significado muito pungente ao fim da terra. Infelizmente, não percebi o papel do homem de barba ruiva nesta narrativa.
Cinco estrelas, mais uma vez. Sempre que volto ao Finisterra é como se o lesse pela primeira vez - há tanto aqui, tantos pormenores, tantas imagens, que é impossível lembrar-me de tudo. Um livro denso, difícil de entrar, mas tão bom e tão bem escrito. Preciso de voltar a ele de quando em quando. E agora estava na altura.