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Esta Terra Selvagem

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João é um repórter policial de um grande jornal paulistano. Aos trinta e dois anos, já coleciona um casamento fracassado e ainda não fez nada de muito grandioso na profissão. Mas o envolvimento na investigação de um crime hediondo irá transformar sua vida de modo devastador. Uma jovem que assistiu à tortura e ao assassinato brutal dos pais - um boliviano e uma descendente de italianos -, e que depois fora abusada das piores maneiras, ainda não havia falado com a imprensa. Sete meses após esses crimes, João é o primeiro jornalista a ouvir o relato de cada detalhe perturbador do que ela havia presenciado. Ao final do depoimento, a garota tira a própria vida diante dos olhos dele.

A partir deste terrível episódio, o repórter irá seguir pistas que o levarão a um suposto grupo racista que vem cometendo atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que considera impuras. O pouco do que se sabe sobre eles é que usam coturnos pretos com cadarço verde-amarelo. Neste romance de estreia, Isabel Moustakas cria uma trama extremamente ágil e violenta, que mal permite um respiro do leitor.

120 pages, Paperback

First published March 16, 2016

49 people want to read

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6 (18%)
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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for Lucas Silva.
14 reviews11 followers
Read
July 2, 2016
*** 2,5 **** spoiler

Narrado pelo protagonista João e ambientado na São Paulo contemporânea, a trama desse Thriller acompanha o envolvimento do jornalista policial com a investigação de uma série de crimes de ódio contra LGBTs, negros, nordestinos e latinos em diversas regiões da cidade. O ponto de partido do livro de estreia de Isabel Moustakas, publicado em 2016, é o brutal assassinato de um casal, uma brasileira e um boliviano, em frente à sua filha Marta, que sofreu diversas formas de humilhações e abusos nas mãos do bando que promove as ações de ódio. A crueldade pela qual passaram os pais somada ao desespero e trauma da jovem geram uma enorme comoção e pavor social, os grandes jornais ficam em desespero em busca de furos, reportagens, exclusivas etc.

A reportagem de João tem destaque frente às centenas de outras que circulam na mídia ao publicar um artigo no Estadão, consegue assim um convite de Marta para uma exclusiva. As pistas que a jovem solta dão material para não mais do que outra matéria densa e comovente ou algo do tipo, porém o desfecho do encontro, o suicídio da moça, causa um efeito devastador na vida do jornalista paulista. Transtornado com o que ouviu e vivenciou, João se compromete consigo mesmo a seguir as investigações em busca dos culpados. Os frutos colhidos na apuração dos fatos são amargos, o envolvimento se torna cada vez mais perigoso, pelos seus erros e acertos ele pagará. O cansaço e a perturbação daquele que há anos escreve e investiga sobre o que de pior pode fazer o ser humano ganha proporções enormes.

Isabel Moustakas, pseudônimo até o momento não desvendado, em Esta terra selvagem, por meio de uma narrativa vertiginosa e breve envolve o leitor no terror e pânico que a vida na metrópole pode se tornar, na violência urbana que algumas vezes se apresenta como reação àqueles que são diferentes. Com acontecimentos densos e cruéis, às vezes difíceis de serem digeridos, o Thriller propõe uma crítica a selvageria da vida urbana, as sucessivas violações de direitos através da violência e a cumplicidade de determinados setores sociais para com elas.

Criei bastante expectativa com a leitura dessa obra: por ser um texto de literatura brasileira contemporânea, pela temática e a cidade onde a narrativa ocorre e pelo texto ser de uma nova autora. O fluxo frenético dos acontecimentos, na primeira etapa da história, me captou e me envolveu, porém conforme fui avançando na leitura fui percebendo que minhas expectativas não seriam preenchidas. A sensação que me marcou no final da leitura foi a de passar por uma narrativa que seguiu uma determinada fórmula: um crime; um investigador que se envolve pessoalmente com este crime, não conseguindo assim levar sua vida normalmente; um envolvimento amoroso que terá forte relevância; e, finalmente, o desvendar do crime e a punição dos culpados. Senti que autora se prende a essa fórmula tornando o desenrolar da história muito previsível e pouco instigante.

A maneira como as pistas da investigação vão surgindo parecem não exigir muito esforço intelectual do investigador, como se a vida desse cabo de resolver sozinha os conflitos. O diário deixado por Marta, entregue por sua avó a João duas semanas depois do suicídio da garota; o encontro do jornalista com a professora Elza, o posterior envolvimento amoroso dos dois e a ligação dela com o bando neonazista são pontos muito importantes na trama, porém fracos na minha percepção. O encadeamento é previsível, a falta de elementos estranhos a estrutura padrão dos romances policiais torna o texto pouco motivante. Pela falta de um fio-condutor provocativo fui perdendo o interesse à medida que avançava na leitura.

A linguagem composta por frases curtas e bastante diálogo, tornam o livro bastante direto e acessível em minha percepção, gosto dessa característica bem como a maneira como a autora descreve a terra selvagem: São Paulo. Consegui me transportar diversas vezes para a Rua Augusta e Frei Caneca durante a leitura, ruas conhecidas pela diversidade e também pela não aceitação via agressão desta. As duas características, porém, não foram suficientes para sustentar meu envolvimento com trama.
Profile Image for Victor Almeida.
383 reviews6,072 followers
April 23, 2016
Vou tentar ser sucinto, uma vez que o livro é bem curtinho. Achei a história bem intrigante e gostei como tudo fluiu em poucas páginas. A investigação andou bem rápido e as cenas de ação foram bem comedidas. Aliás, não sei dizer se chega a ser um romance, um conto, ou uma novela.

De qualquer forma, vale muito a leitura. A escrita é fenomenal e bem visceral. Não recomendo pra quem tenha estômago fraco ou não esteja acostumado com thrillers um pouquinho mais tensos. Demorei um pouquinho pra engrenar na investigação, até porque tudo já começa a ser contado imediatamente e a gente tem pouco "espaço" pra se apegar aos personagens e ao cenário. Mas, eventualmente, isso acaba acontecendo (pra mim aconteceu logo na metade).

Gostei bastante do fechamento da história e acho que conseguiu contar tudo de forma simples, mas empolgante. Recomendo a todo mundo que curte o gênero. Talvez releia algum dia também.
Profile Image for Eduardo Peretto Scapini.
202 reviews4 followers
October 8, 2017
É o Raphael Montes!

Pelo que eu notei na escrita (e li todos os livro do Raphael) pareceu-me bem semelhante, e isto não é de nada ruim, pelo contrário, achei outra vez a escrita impecável e a narrativa sempiterna, sem nenhum buraco ou barriga (o que é bem lógico pelo tamanho do livro).

E foi pelo tamanho que tirei uma estrela, achei o livro muito bom, todavia, muito corrido sem dar-nos um tempo para respirar, ou sequer, para pensar; acho que se o livro um pouco maior ele ganharia cinco estrelas.

De qualquer jeito é um livro ótimo recomendado à todos.
Profile Image for João Rousseau.
47 reviews
September 17, 2018
Jornalista em São Paulo resolve investigar brutais assassinatos preconceituosos e chega a uma facção racista que dissemina o ódio e a intolerância. Livro de fácil leitura no estilo suspense policial. Sem menosprezar a autora, parece um preambulo para livros de Sherlock Holmes ou contos de Agatha Christie. Bom para quem quer leituras rápidas e despretensiosas.
Profile Image for Stephanie.
631 reviews41 followers
May 31, 2018
Se tivesse mais páginas, teria conseguido passar a mensagem de maneira mais assertiva. A violência é um pouco exagerada, mas é uma leitura boa para quem quer algo rápido e envolvente.
1 review
October 13, 2019
Adorei o livro! A leitura causa muita instiga e curiosidade em só lagar o livro até chegar ao final. O enredo se encaixa na atual fase de intolerância a qual temos passado no Brasil nos últimos anos.
Profile Image for Filipe Siqueira.
122 reviews3 followers
April 22, 2017
Como pudemos perceber na greve de policiais militares no Espírito Santo, o Brasil é um caldeirão pronto para explodir. Basta uma mínima fagulha e tudo vai pelos ares, levando consigo nossos valores culturais colocados embaixo do tapete em nome do pouco conhecimento que temos de quem somos ou dos limites entre o público e o privado.

Este belo livro é exatamente sobre essa nossa porção, de como nossos piores lados ficam adormecidos abaixo do “povo feliz”, da “terra do samba” e das “cidades maravilhosas”. É feito para ler numa única sentada, como um capítulo longo de uma série no esquema de antologia.

Na trama escrita pela estreante (e misteriosa) Isabel Moustakas, um repórter do Estadão investiga uma série de crimes ligados a um grupo racista violentíssimo, desses que crescem nas sombras e se organizam. Mas tudo começou com Isabel, que de tão bem descrita fixa a imagem da própria violência que vivenciou na nossa cabeça, ao descrever como seus pais foram mortos e como encarou a brutalidade.

Um dos personagens principais da busca de João é São Paulo. Vemos porções da cidade que normalmente queremos escondidas. Ao mesmo tempo em que os personagens estão pela Rua Augusta, em outros cantos da cidade há pessoas sendo brutalizadas. Preconceitos, raiva, destruição são aditivos perigosos que unem-se ao desemprego (culpa dos bolivianos), à aclamada degradação moral (tchau família tradicional brasileira!) e ao próprio tecido social brasileiro, menos acostumado em praticar a inclusão do que deixamos transparecer.

A trama é ágil, sem gargalos ou mesmo tempo de refletir muito. Entendemos perfeitamente o espelho social utilizado pela autora para transformar tal livro em algo tão poderoso, justamente por ser tão repugnante (tanto os crimes, mas passando pela relutância do jornalista em se aprofundar no que está ocorrendo).

Mesmo curto, o livro nos esmaga, justamente por nos confrontar com a realidade posta ao nosso lado.
Displaying 1 - 8 of 8 reviews

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