Se reúnen en un volumen los dos primeros libros de poemas de Claudio Rodríguez, Don de la ebriedad, reflejo de su adolescencia, y Conjuros, ya de su juventud. Don de la ebriedad (1953) es un solo poema dividido en fragmentos ordenados simbólicamente, en el que el tema constante es la emoción del poeta ante el paisaje contemplado, la claridad y la poesía como un don, la entrega del poeta al mundo a través del acto creador, y la tensión entre muerte y salvación que esto conlleva. Conjuros (1958) consta de veintisiete poemas distribuidos en cuatro “libros” o secciones en los que se hace patente un cambio en la actitud del poeta, que, con un lenguaje sencillo que habla de cosas, al parecer cotidianas, nos lleva al mundo trascendental de las verdades universales. Junto al tono exclamativo predominante, aparecen la meditación y reflexión características de su obra posterior.
Un Neruda compuesto de rastrojos. De ebrio el libro sólo tiene el título. ¿Ebriedad de la vida o la naturaleza? Neruda y Ted Hughes, gracias. De Dylan Thomas o Arthur Rimbaud, que tanto le gustaban a este señor, no tiene ni de lejos el lirismo mágico de «ser aparte» del primero (no se puede tener todo y sólo se engaña al necio: a mí el lirismo nerudiano de segunda mano de este señor tan prosaico no me hace ni cosquillas) ni la inteligencia ni el talento del segundo. Sobra decir que estuvo tan lejos del malditismo de ambos como le fue posible.
Não é por chover que serei digno. Mas quando o serei, em que momento? Entre a pausa que vai de gota a gota? Se viesses de súbito num par com a manhã, a par deste crescente mês, sabendo, como a chuva sabe da minha infância, que uma coisa é vir e outra vir a mim desde essa vez aquela para nada … Se viesses já, que diria eu? Cada ser cheira a silêncio e veloz a visão desce sempre dos altos cumes. Como o húmus dos campos, basta, ao meu coração basta uma semente para se dar até ao limite. Tal como basta, não sei porquê, à nuvem. Ponho-me a pensar que a chuva não tem o sal das lágrimas. Talvez porque seja já um pouco mais digna. E é pelo sol, por este vento, que alça a vida, pela névoa dos montes, pelo rochedo, na noite ainda mais rigorosa, pelo longínquo mar. É pela única coisa que purifica, pela que nos salva. Gostaria de estar contigo não por ver-te mas para ver o mesmo que tu, cada coisa em que respiras como nesta chuva de tanta simplicidade, que lava.
"Siempre la claridad viene del cielo; es un don: no se halla entre las cosas sino muy por encima, y las ocupa haciendo de ello vida y labor propias." CR
***** A claridade chega sempre do céu; é um dom: não se acha entre as coisas mas bem por cima, e ocupa-as fazendo disso vida e labor próprios. Assim o dia amanhece; assim a noite fecha o enorme aposento das suas sombras. E isto é um dom. Quem os seres fará cada vez menos criando-os? Que abóbada os contém no seu amor? Se já nos chega e ainda nos espera, já se torna redonda à maneira dos teus vôos e se agita, e se distancia e, ainda que remota, não há nada tão claro como os seus impulsos! Oh, claridade sequiosa de uma forma, de uma matéria que a deslumbre queimando-se a si mesma ao cumprir a sua obra. Como eu, como tudo o que espera. Se tu à luz a levaste toda,
como irei eu sem da alba pedir nada? E, ainda assim –isto é um dom–, a minha boca espera, e a minha alma espera, e tu esperas-me, ébria perseguição, claridade solitária mortal como o abraço de uma foice, mas um abraço até ao fim e que jamais afrouxa. *****