A vida é uma estreia permanente. Desde o momento em que nascemos, vivemos situações pela primeira vez: algumas inusitadas, outras tristes, muitas corriqueiras e outras tantas insólitas — aprendizados ganham um tom diferente quando vistos a partir do olhar de Mariana Kalil. Para ela, vomitar em um jantar de gala pode ser um exercício de elegância; chamar a polícia, um ensinamento sobre a natureza dos vizinhos; e uma lua de mel no paraíso, tornar-se o inferno. Essas e outras histórias, mais do que lições, garantem boas risadas e divertimento.
"A primeira vez que li um livro de Mariana", esse seria o título do meu review. Dei gargalhadas, viajei por várias partes do mundo e me emocionei com Mariana. Li o livro em plena quarentena, e agradeço à Mariana por ter me transportado ao mundo das risadas e primeiras vezes... Uma leitura leve e imperdível!
A primeira vez que li Mariana Kalil foi meio por acaso. Eu estava dando uma olhada na seção de “Contos e Crônicas” da livraria quando descobri cinco exemplares verdinhos em sequência e pensei comigo: “Deve ser um livro novo”. Puxei um deles pela lombada e fiquei em dúvida se era realmente um livro de crônicas. Como não encontrei uma resposta, comecei a ler o livro ali mesmo – a primeira vez que li Mariana Kalil foi na própria livraria. Devo ter chamado a atenção de outras pessoas, porque o que eu lia era tão agradável e divertido que, vez ou outra, eu me via obrigado a soltar uma risada. “Tudo tem uma primeira vez” (Dublinense, 2015) é de fato um livro de crônicas e Mariana Kalil é uma cronista de mão cheia – vale a pena lê-la pela primeira vez.
De início, já é interessante o recorte que ela propõe. Porque muitas coletâneas de crônicas são lançadas sem que exista entre os textos nenhuma relação além do fato de terem sido escritos pela mesma pessoa. Com o livro de Mariana não é assim, Mariana juntou 28 crônicas que tem como mote algumas das experiências inéditas pelas quais passou ao longo da vida. Mas não é um livro com o propósito de exaltar a sua capacidade de enfrentar novos desafios: é antes a bem-humorada reflexão dos equívocos a que estamos sujeitos em nosso universo de estreias.
Mariana sabe rir de si mesma, o que vem muito a calhar com a essência da crônica. É por isso que, em meio ao relato de virgindades que desfez ao longo da vida, estão situações altamente embaraçosas e constrangedoras para ela – como a primeira vez que vomitou em um jantar de gala. Nem sempre as primeiras vezes saem como prevíamos, como provam as histórias sobre o dia em que participou de uma corrida de rua ou aquele em que visitou a Ilha de Capri. O risco de dar errado, afinal, faz parte de toda novidade – e Mariana sabe rir dessas imperfeições.
Até porque ela sabe que, apesar do medo por trás das novas sensações, as primeiras vezes são necessárias para a nossa própria saúde e sanidade mental (é digna de nota, neste caso, o texto em que ela conta sobre a primeira vez que disse “não”). Ao longo das crônicas, se percebe uma Mariana em busca de autoconhecimento, à procura da sua essência, e nesse caminho é natural que, de vez em quando, precise fazer coisas com as quais não está acostumada. Mesmo com a insegurança de não saber como será, Mariana arrisca – uma tatuagem sua diz “Coragem”.
São textos que trazem memórias de seus medos, suas surpresas, suas curiosidades. É um livro que pode ser lido sem riscos – é, seguramente, uma primeira vez de leitura muito prazerosa.
"Desejo viver até o último suspiro.Quando morrer, quando tiver que cruzar para o plano de lá a fim de continuar aperfeiçoando o espírito,quero que essa passagem seja tranquila.Quero olhar para trás e seguir em frente sem arrependimentos,quero ter consciência de que estou abandonando o meu corpo e indo para outra história.Sem sofrer,sem lamentar.Apenas saindo de cena com coragem,clareza e lucidez."
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