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As Cores de Branca

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António Galvão, o homem mais importante de uma pequena vila do interior, decide dar o mesmo nome a todas as filhas. Elas eram apenas a espera, o desgosto, o antes, as vidas que apenas existiam para que o homem chegasse. Mas a natureza não colaborou com os seus planos e António viu nascer sete Brancas.
Uma macabra tragédia abate-se sobre a família Galvão e um inesperado fenómeno começa a ser construído naquela pequena localidade. Da palidez do nome daquelas meninas, da ferida de toda a insignificância daquelas irmãs nasce uma revolução sem precedentes que deixará Galvão, para sempre, na história dos homens.
«Os galvenses olharam para o céu e o dia iluminou-se. Os galvenses olharam para a terra e as obras descobriram-se. Eram todas. Eram todos.»

224 pages, Paperback

First published April 1, 2016

14 people want to read

About the author

Lara Morgado

5 books4 followers

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Community Reviews

5 stars
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Displaying 1 - 11 of 11 reviews
Profile Image for Catarina Magalhães.
310 reviews39 followers
January 28, 2020
Já li "As Cores de Branca" há uma semana, e ainda não sei bem o que dizer.

Mesmo sabendo que não me esperava um livro feliz, pensei que esta seria a história de um crime trágico, um mistério por resolver.

Na verdade, é uma história sobre o comportamento humano. Sobre o trauma, talvez. Sobre o que acontece a alguém, a todos, a uma vila inteira, depois de uma grande tragédia. Como se devem comportar, quando alguém é uma recordação viva de um tão grande horror? Quando o facto de essa pessoa viver ali, caminhar, cumprimentar as pessoas, não permite que todos eles finjam que não aconteceu nada?

Branca cresceu com um plano, desconhecido de todos, para repor o equilíbrio que perdeu na infância, em Galvão.

Ainda criança, Branca perde a mãe, o pai, as irmãs. Uns, verdadeiramente, outros, por força da culpa. E essa menina, que sempre foi parte de um todo, de um conjunto (desejando secretamente ser vista como a sardinha, e não como parte do cardume), de repente viu-se única. Mudou de cidade, cresceu com toda a liberdade de seguir os seus sonhos, ultrapassando o que aconteceu. Mas para Branca, o plano implicava voltar. Era preciso enfrentar Galvão e as suas gentes, era preciso que ninguém esquecesse.

Inicialmente, ninguém compreende o regresso de Branca, nem mesmo os que lhe são mais próximos. E quando vai ficando, agora venerada pelos habitantes (que antes não sabiam como reagir perante ela), acaba por fazer o impensável, valorizando a vida de todo e cada habitante da vila de forma que ninguém esperava.

O que julgavam ser o final é, na verdade, apenas mais uma etapa. O plano de Branca vai mais longe, e ninguém vai interferir nele. Para Branca, a paz só existirá quando o que era para ter acontecido antes antes se realizar. Só assim se conseguiria o equilíbrio. O que não sabemos, e só percebemos depois, é que o "acontecer" pode e deve ser simbólico, porque de outra forma, para quê o equilíbrio? Ainda assim, custou-me este final, embora me esforce por entender Branca como se ela estivesse aqui ao meu lado, sem se justificar.

Esta é uma história que nos obriga a pensar, a tentar colocar-nos no lugar do outro, que nos força a reavaliar certezas. Terá Branca razão, não existirá o cardume, mas apenas a sardinha? Não devemos nós ser, até certo ponto, condicionados pelas regras da sociedade? Ficam mais questões que certezas, depois desta leitura. E isso é bom, na verdade. Fechamos o livro mas não saímos deste mundo criado por Lara Morgado. Lemos a última página, mas as dúvidas ficam, insistentes.

Para Branca, cada pessoa é uma pessoa. Todos são importantes, sem exceção. É esta convicção resultado do que sofreu em criança? Será realmente o mesmo matar uma pessoa ou matar 50? E será que, se dissermos que não é o mesmo, estamos a diminuir o valor de uma só pessoa ou, pelo contrário, estamos a somar o valor de todas? Fará diferença, na verdade? Haverá pecados que mereçam a "expulsão" de quem os comete da sociedade? Afinal, a vida não é a preto e branco, embora fosse tão mais fácil se assim fosse...

Sim, esta história, a Branca, deixou-me com mais perguntas do que certezas. E isso é o bom deste livro. Todos nos devemos debater com questões desta natureza, mesmo que não esteja nas nossas mãos decidir sobre elas depois. Talvez seja assim que nos distinguimos no cardume...

(São 4 estrelas e meia, porque o livro foi lido num ápice, não quis deixar para o dia seguinte, e a história ficou comigo, como bem percebi ao escrever isto, mas o final... Faltou-me aqui um sorriso, e comigo o coração manda sempre...)
Profile Image for Dora Santos Marques.
964 reviews498 followers
September 30, 2025
A minha opinião em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=3Qg72...

História intrigante de uma família obcecada por ter um filho homem, depois de uma série de filhas chamadas… Branca.
A escrita é envolvente, devorei-o em pouco tempo, mas o final perdeu gás e deixou-me menos entusiasmada do que esperava. Ainda assim, um livro simpático e bem escrito, fiquei curiosa para ler mais da autora.
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,406 reviews238 followers
May 3, 2019
8 de 10*

Este foi um daqueles livros que despertou muito a minha curiosidade assim que li a sua sinopse. Como ficar indiferente à história de uma família cujo pai ambiciona ter um filho rapaz, para dar continuidade à herança, mas assiste, impotente ao nascimento de sete… meninas? Baptiza todas elas de Branca, o que por si só já revela a pouca importância que elas têm. Impossível não querer saber o que irá acontecer no seio desta família e qual o rumo da história.

Comentário completo em:
https://abibliotecadajoao.blogspot.co...
Profile Image for Tânia Tanocas.
346 reviews49 followers
January 19, 2019
Projectos Enquadrados: #esvaziarestantes (Escritora) #aviciadadoslivros (Autor Português) / #lusiteratura /#leiturtugas (Livro há Escolha)

Gostei, mas não me arrebatou... :/
Achei que a estória merecia um final diferente, depois de tantas peripécias não compreendi algumas atitudes das personagens.
Pessoalmente acho que o facto de a autora ser psicóloga e querer evidenciar a condição humana tenha atrapalhado mais do que ajudado...
Profile Image for Sofia.
1,059 reviews128 followers
May 31, 2019
Indecisa entre as 3 e as 4 estrelas. O livro tem uma primeira parte muito boa, diria excelente mesmo. Enredo promissor, tensão permanente, personagens interessantes...e uma segunda parte muito virada para a psicologia e menos centrada na ação.
No conjunto, é um livro que se lê muito bem e que não deixa de ser interessante, mas senti que a segunda parte poderia ter mais dinamismo.
Profile Image for Isabel.
21 reviews1 follower
December 30, 2022
o livro deixou-me desconfortavelmente entretida, fala da total insignificância de mulheres na família Galvão, na obsessão nojenta para ter um filho homem, na eterna culpa e remorso, na morte e o peso e resultados que carrega. amei completamente
Profile Image for Bea Kim.
90 reviews
February 17, 2018
Vamos lá falar deste livro.

Fechei-o há cinco minutos e já o superei. É difícil explicar este livro e as suas mensagens mas vou dar o meu melhor para expressar a minha opinião o mais claramente possível.

Na primeira parte do livro (é mais como o primeiro terço do livro mas é a introdução do resto da história) é-nos apresentada a história da família Galvão, em especial a geração de António e Branca e as suas sete filhas, que partilham o nome com a mãe. Na minha mais honesta opinião, o livro poderia ser todo sobre esta tragédia. A autora conseguiria escrever 224 páginas focando-se no desenvolvimento das personagens, dos motivos que as levaram a fazer o que fizeram, do efeito que o acontecimento principal provocou nelas. Mas talvez não fosse o que ela pretendeu ao escrever este livro. Pelo menos não apenas isso.
Estava na página 15 quando pensei "Este vai ser um livro merecedor das 5 estrelas" e talvez seja; mas o meu amuo em relação ao pouco esclarecimento de algumas situações não me permitiu dar-lhe mais de 4. Mas sim, o estilo da autora é bastante original.
Desde esta primeira parte, ela adaptou a sua escrita e o seu vocabulário ao que seria de esperar de uma terra do interior do país, o que nos permitiu acreditar mais nesta história peculiar, e que se manteve na segunda parte do livro.

Depois da tragédia, o enredo foca-se na terceira Branca; mas ela não é a personagem principal da narrativa, ao contrário do que possa parecer. A população de Galvão é.
Confesso que gostei bastante menos dos últimos dois terços do livro do que do primeiro mas eu entendi onde a autora quis chegar. Apesar de Branca ser uma personagem demasiado pretensiosa e ligeiramente lunática, as suas ações não foram totalmente descabidas. O final, também ele pretensioso, deu a impressão de ter sido desnecessário. As outras personagens tinham as suas personalidades definidas mas foram muito pouco exploradas. Repito: talvez esse tenha sido exatamente o objetivo da autora.

Como já referido anteriormente, acharia mil vezes mais interessante se ela tivesse contado a história da tragédia da família Galvão e tivesse desenvolvido mais os personagens e o combustível das suas ações (como por exemplo, o facto de António Galvão desejar tremendamente um filho HOMEM- coisa que eu achei interessantíssima no livro, e que, apesar de ter sido brevemente explicada, se ele tivesse tomado outra direção, poderia ter sido facilmente estendida). Seria incrível poder ver mais interações entre estas irmãs, a mãe, as outras pessoas da vila. A autora poderia até ter entrado na mente da Senhora Branca Galvão e ter explorado o seu desespero e o seu amor pelas suas meninas. Mais do que fez. Mas isto já é mais uma sugestão, que, apesar de inútil, não podia deixar de expressar. Se a trama tivesse sido apenas o primeiro terço daquele livro (e fosse bem feita, claro) eu certamente lhe teria dado as cinco estrelas. Mas não, o relato da existência dos restantes Galvenses não foi uma catástrofe total; foi uma boa tentativa da autora para incluir vários aspectos filosóficos espalhados pelas 224 páginas. Novamente, por vezes, um pouco forçados e ambiciosos, mas compreensíveis dada a situação. Ligeiramente decepcionante quando comparado aos meus sentimentos enquanto lia as primeiras 50 páginas.

Apesar do livro ter perdido a oportunidade de seguir um pouco a linha de narração de um romance russo (tragédias de famílias é com eles), foi uma boa leitura e seguramente lerei futuras obras da autora!
Profile Image for Cristina | Books, less beer & a baby Gaspar.
452 reviews119 followers
August 3, 2017
É uma história muito simples, bonita e triste, sobre uma mãe e as suas filhas, que só conheceram tristeza e dor. Uma aldeia inteira e isolada é retratada nesta história. A personagem de branca, apesar de um pouco distante, mostra-nos o lado negro do ser humano, o seu desprezo, o seu egocentrismo, a sua loucura! Com laivos de realismo mágico, a história faz-nos questionar sobre as nossas atitudes e consequências das mesmas. Adorei a escrita da autora (foi o primeiro contacto que tive com ela) e estou curiosa para ler mais!
328 reviews6 followers
February 7, 2017
O que me chamou a atenção para o livro foi a sinopse pois fez-me lembrar algo que podia ter sido escrito pelos autores Sul Americanos que adoro como Sepulveda ou Garcia Marques.
Claro que quando comecei a ler o livro proriamente dito, me apercebi que a autora é diferente destes autores, falta-lhe talvez dar uma dimensão maior á personagem principal porque durante a leitura achei que Branca mantinha a distância até do leitor. Contudo devido ao passado da personagem talvez fosse essa a intenção da autora.
Há no entanto algo em que o autora é mestre: colocar-nos frente a frente com os defeitos da humanidade, o nosso egocentrismo, a nossa cobardia, a nossa capacidade de fingirmos que não vimos,a loucura em cada um de nós...mas também a coragem de enfrentar fantasmas que por vezes vêm á tona.
A personagem de Branca é tão inositada quanto a sua estória, mas mantem-me interessada até à última página.

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