Apologia do Ócio chamou-me à atenção não só pelo título, mas também pelo autor do mesmo que, para quem não se recorda, foi o autor de “A Ilha do Tesouro”, um clássico que ando para reler há bastante tempo.
Como uma verdadeira Apologia, Stevenson defende o Ócio como essencial à preservação da humanidade e faz uma dura crítica à sociedade do séc. XIX (e que se estende aos dias de hoje), completamente focada em objectivos e com desprimor pelas pequenas coisas da vida.
O ócio não deve ser negativamente conotado, deve ser apoiado como um bem essencial ao nosso bem estar, mental e físico, assim como à preservação da nossa Humanidade. Afinal, se apenas nos focarmos em objectivos e apenas vivermos para trabalhar e apresentar resultados, não só criaremos um vazio emocional e de moral, como criaremos resistência ao movimento natural da vida. O ócio combate a inércia, não é a inércia. E é este o ensaio que Stevenson descreve sabia e brilhantemente.
Como disse anteriormente, na verdade, este livro é um dois em um, com a adição de “A Conversa e os Conversadores”. Creio que há aqui uma correlação entre os dois ensaios, dado que o autor enaltece o valor da conversa como essencial para a realização pessoal, entre outros aspectos, identificando todos os aspectos positivos de uma boa conversa e alguns tipos de conversadores. Afinal, “(…) a conversa (…) é o discurso harmonioso de duas ou mais pessoas, é de longe o mais acessível dos prazeres. Não custa dinheiro algum; tudo é lucro; suplementa a nossa educação, propicia e nutre as nossas amizades, e pode ser desfrutada em qualquer idade e em quase qualquer estado de saúde.(…)”.
Aconselho a quem precisar de uma leitura leve, com uns toques leves de humor e queira pensar um pouco sobre estes assuntos, o ócio e a conversa.