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Apologia do Ócio e A Conversa e os Conversadores

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Estes dois ensaios-pepitas, tão brilhantes como concisos, irradiam o palpitante calor da vida e a luminosa mensagem de que o futuro pertence aos ociosos e aos bons conversadores. Revelando o ócio e os seus ditosos derivados não como inércia inútil, mas sim tónicos diários ao alcance de todos, Apologia do Ócio (1877) e A Conversa e os Conversadores (1882) são páginas para folhear com deleite, em que cintila uma arte de viver com benefícios comprovados e se desmonta um quotidiano acinzentado pelas obrigações laborais. Essenciais para converter trabalhadores inveterados, fãs de horas extraordinárias e gurus dos lucros anuais em gente com alegria crónica, estes textos demonstram que o ócio e a conversa merecem figurar como felizes vícios, a cultivar, na vida do homem.

88 pages, Paperback

Published January 1, 2016

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234 people want to read

About the author

Robert Louis Stevenson

6,917 books6,960 followers
Robert Louis Balfour Stevenson was a Scottish novelist, poet, and travel writer, and a leading representative of English literature. He was greatly admired by many authors, including Jorge Luis Borges, Ernest Hemingway, Rudyard Kipling and Vladimir Nabokov.

Most modernist writers dismissed him, however, because he was popular and did not write within their narrow definition of literature. It is only recently that critics have begun to look beyond Stevenson's popularity and allow him a place in the Western canon.

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Displaying 1 - 30 of 45 reviews
Profile Image for Ritinha.
712 reviews137 followers
September 21, 2020
Um excesso de actividade como sintoma de vitalidade deficiente. Capacidade para o ócio implica um apetite ecuménico e uma vigorosa identidade pessoal.
Com este par de ideias espirituoso e certeiro, Stevenson deixa claro ao que vem este texto sobre o ócio, que já então era mal visto e é, por estes dias, de ímpar necessidade.
"Não há um dever tão subestimado como o dever de ser feliz.
.
Fecha com puro ouro.
Profile Image for João Francisco Ferreira.
82 reviews6 followers
February 21, 2022
3.5
Adorei o primeiro ensaio que dá título ao livro. Absolutamente revelador como passados 145 anos continua relevante. Semana de 4 dias de trabalho para ontem.
O segundo ensaio, "A Conversa e os Conversadores" é bastante razoável e às vezes aborrecido.
De qualquer forma, surpreendeu-me a escrita de Robert Louis Stevenson, e fiquei com curiosidade para ler mais ensaios dele.

"A devoção perpétua ao que um homem considera o seu trabalho só pode ser sustentada negligenciando todas as outras coisas."
Profile Image for Bojan Ostojić.
Author 41 books57 followers
December 27, 2022
Ovo je Biblija, ovoliko neopširna i neposredna i još važnije : nema druge!
Profile Image for Miguel.
66 reviews16 followers
December 18, 2019
Existe uma classe de pessoas, vulgares e quase-mortas, que mal têm consciência de
estarem vivas excepto em pleno exercicio de alguma ocupação convencional. Levem um destes individuos ao campo, ou numa viagem marítima, e vereis como anseia por regressar à secretária ou ao gabinete. São desprovidos de curiosidade; não conseguem entregar-se a paixões momentâneas;

Como se a alma humana não fosse já demasiado pequena, encolheram as suas ainda mais, com uma vida inteira de trabalho e pouco ócio;

Os prazeres são mais proveitosos que os deveres, porque, tal como a virtude da misericórdia, não são forçados e oferecem uma dupla bênção. Duas pessoas bastam para um beijo, enquanto uma festa admite uma dúzia; mas sempre que existe um elemento de sacrifício o favor é conferido com sofrimento e, entre pessoas generosas, recebido com confusão. Não há dever
tão subestimado como o dever de ser feliz (...)
Um homem ou mulher feliz é uma
descoberta mais afortunada do que uma nota de cinco. Ele ou ela tornam-se um foco que irradia boa vontade; e quando entram numa sala é como se uma segunda candeia se alumiasse. Não é importante sabermos se seriam capazes de enunciar o quadra-
gésimo sétimo problema, pois fazem algo mais valioso que isso, demonstrando na prática o grande Teorema da Vivibilidade da Vida. Consequentemente, se uma pessoa não consegue ser feliz sem ser ociosa, então ociosa deve permanecer.

Pouco me importa que trabalhe tanto ou tão bem, um indivíduo assim é uma mancha perversa nas vidas dos outros. (...)
E no entanto vemos mercadores que se esforçam por acumular grandes fortunas e acabam no tribunal das falências; escribas
que laboram nos seus pequenos artigos ate que o seu temperamento se transforma numa cruz para todos carregarem, como se o Faraó tivesse ordenado aos escravos que fabricassem agulhas em vez de erguerem pirâmides; e jovens que trabalham até à morte, para serem transportados em carros fúnebres adornados com plumas brancas. Não é de supor que algum mestre-de-cerimónias terá sussurrado aos seus ouvidos a promessa de um destino magní-
fico? E que essa tépida bala pela qual viveram uma farsa se dirigia ao centro do universo inteiro?

------------------------------------------

Não há lei que chegue ao Parlamento sem que antes tenha sido preparada pelo grande júri dos conversadores; livro algum é publicado que não tenha sido es crito
com a sua inestimável colaboração. A literatura, em todas as suas vertentes, não é senão a sombra de uma boa conversa; mas essa imitação fica muito aquém do original em vitalidade, liberdade e efeito.

Em último lugar, enquanto a literatura, amordaçada com um trapo de seriguilha, apenas pode tratar de uma fraccão da vida humana, uma conversa pode libertar-se
e chamar os bois pelos nomes. Não consegue, mesmo que o quisesse, tornar-se meramente estética oumeramente clássica, como a literatura. Uma laracha intromete-se, a impostura é dissolvida pelo riso, e as palavras emancipam-se dos seus trilhos con-
temporâneos, desbravando o campo aberto da natureza, alegres e bem-dispostas, como rapazes fora da escola.

Na verdade, a conversa é, ao mesmo tempo, o cenário e o instrumento da amizade.

Existem, aliás, poucos temas; e, dentro dos
que são genuinamente merecedores de provocar uma conversa, mais de metade podem ser reduzidos a três: que eu sou eu, que tu és tu, e que há outras pessoas que percebemos vagamente serem diferentes
de nós dois. Por maior distância que uma conversa percorra, andará quase sempre por estes caminhos eternos. E quando o tema é estabelecido, cada um toca a sua própria personalidade como um instrumento; afirma e justifica-se; saqueia o seu cérebro à procura de exemplos e opiniões, e exibe-os cunhados de fresco, para sua própria surpresa e consternação do adversário. Toda a conversa natural é um festival de ostentação; e faz parte das regras do jogo
que cada um aceite e inflame as vaidades do outro. É por esse motivo que arriscamos tão vulnerável exposição, que nos atrevemos a ser tão ternamente eloquentes, e que assumimos perante o olhar do outro uma dimensão tão vasta. Pois quem conversa, ao atingir o seu ritmo, começa a extravasar os limites da personalidade quotidiana, elevando-se às alturas das suas secretas pretensões, e transformando-se a figura heróica, corajosa, piedosa, artística e sábia
que, nos seus momentos mais arrebatados, aspira a ser. E assim tece com palavras, e por momentos habita, um palácio das delícias, simultaneamente
palco e templo, onde completa o círculo dos dignitários do mundo, e se senta à mesa com os deuses, exultando na aclamação geral. E quando a conversa termina, cada um segue o seu caminho, ainda com o rubor da vaidade e admiração no rosto, ainda arrastando atrás de si nuvens de glória; cada um desce do pedestal que idealizou, não de repente, mas num lento declínio.

A conversa é uma criatura da rua e do
mercado, que se alimenta de bisbilhotices; e mesmo o seu último recurso não deixa de ser um debate moral. Essa é a forma heróica da bisbilhotice; heróica em virtude das suas elevadas pretensões; mas bisbilhotice ainda assim, pois o seu alvo são perso-
nalidades. Dois homens em conversa estão condenados, mais tarde ou mais cedo -
mais cedo caso sejam escoceses -
a envolver-se numa discussão moral ou
teológica. Estas são, para o mundo em
geral, o que as discussões sobre leis são para os advogados; são as questões de ordem técnica que todos compreendemos; o meio através do qual tecemos considerações sobre a vida, e o dialecto que
usamos para emitir julgamentos. Conheço três jovens amigos que todos os dias durante dois meses passeavam juntos pela floresta durante um belo Verão de céus limpos: diariamente conversavam com incessante entusiasmo, e raramente se afastaram de dois temas- teologia e amor. E no entanto, creio que nem um tribunal do amor nem uma assembleia de teólogos concordaria com uma única das suas premissas ou conclusões. Não se chega, na verdade, a conclusões no decorrer de uma conversa com maior frequência do que
acontece em pensamentos privados. Nem é esse o objectivo. O proveito reside no exercício, e acima de tudo na experiência; pois quando raciocinamos demoradamente sobre qualquer assunto, passamos em revista a nossa própria condição e trajectória na vida. De quando em vez, no entanto, e especialmente, creio, em conversas sobre arte, a conversa torna-se eficaz, capaz de conquistas como a guerra, e de alargar as fronteiras do conhecimento como a exploração. Coloca-se uma questão; esta assume uma dimensão problemática, desconcertante, e todavia estimulante; os conversadores começam a pressentir uma conclusão próxima; avançam nessa direcção com ardor partilhado, cada um pelo seu caminho, disputando o direito de lá chegar primeiro; e depois um deles atinge o cume do assunto com um grito, e quase ao mesmo tempo o outro junta-se a ele; e, olhai!, ambos concordam. Ainda assim, o progresso é ilusório, um mero castelo de cartas, erguido e derrubado com palavras. Mas a sensação
de descoberta mútua não deixa de ser estonteante e inspiradora. E na vida de um conversador, tais triunfos, ainda que imaginários, não são poucos nem raros; são sempre alcançados com velocidade
e prazer, numa ocasião alegre; e, pela própria natureza do processo, são sempre proveitosamente partilhados.

Há uma certa atitude, ao mesmo tempo combativa e deferente, ansiosa pela disputa, mas adversa à discussão, que distingue de imediato o género de homem com quem se pode conversar. Não se trata de eloquência, nem obstinação, mas de uma mistura proporcional de todos estes atributos, que mais gosto de identificar nos meus adversários amigáveis. Não devem ser como pontífices a doutrinar, mas como caçadores seguindo o rasto de alguns elementos da verdade. Nem devem ser como rapazes
à espera de instrução, mas como colegas professores, com quem eu possa debater e concordar de igual para igual. Devemos chegar a uma solução, a alguma sombra de consenso; pois, sem isso, a conversa torna-se uma tortura. Mas também não devemos querer lá chegar gratuitamente, ou demasiado depressa, sem o esforço e a peleja que são a fonte do prazer.

Com ambos, é possível passar dias a fio numa terra encantada, com pessoas, paisagens e costumes próprios; viver
uma vida paralela, mais árdua, activa e incandescente que qualquer existência real; e regressar de novo quando a conversa termina, como quem sai de um teatro ou
desperta de um sonho, para descobrir que
o vento ainda sopra de leste e que as chaminés da velha cidade decrépita ainda se erguem à nossa volta.

Há frases dele nas quais conseguiu estampar a sua personalidade no próprio grão da linguagem; quase acreditamos que usou as palavras no corpo e dormiu com elas.

Na primeira, é radiosamente educado e até algo silencioso, como se sentado num trono no topo de uma colina, abençoando-nos com as suas observações como se fossem favores reais. Nunca parece implicado nas nossas contendas terrenas; não mostra qualquer sinal de interesse; e de repente deixa cair um pequeno cristal de perspicá-
cia, tão subtil que os mais obtusos nem dão conta, mas tão apropriado que os mais sensíveis se remetem ao silêncio.


Descansam pouco, é verdade; mas o sossego é virtude do gado.

Outros procuram numa conversa não tanto o conhecimento ou a clareza de pensamento, mas o contacto com os seus congéneres. É o drama da vida, e não a sua filosofia, que lhes estimula a actividade intelectual. Mesmo quando buscam a verdade, desejam
tanta paisagem humana quanto possivel ao longo da viagem.

Mas a superioridade das mulheres está perpetuamente sob ameaça; ao contrato dos mais velhos, não podem repousar no trono das suas enfermidades; são súbditos, além de soberanos.
Profile Image for Rita Moreira.
77 reviews1 follower
October 27, 2023
Dois ensaios de Stevenson — Apologia do Ócio & A Conversa e os Conversadores. Ambos maravilhosos e com lições importantíssimas, mais atuais que nunca.

“A devoção perpétua ao que o homem considera o seu trabalho só pode ser sustentada negligenciando todas as outras coisas. E não é de forma alguma uma certeza que o trabalho de um homem seja a coisa mais importante.”

“Muitos de nós, graças à versatilidade humana, somos capazes de falar, até certo ponto, com qualquer pessoa; mas a verdadeira conversa, a que desperta os nossos melhores e mais adormecidos atributos, só é possível através de uma peculiar comunhão entre espíritos; tem raízes tão profundas como o amor no âmago do nosso ser, e é algo para apreciar com toda a energia enquanto dura, e merecer a nossa eterna gratidão quando termina.”
Profile Image for mariana.
202 reviews
December 20, 2021
“O chamado ócio, que não consiste em não fazer nada mas sim em fazer muitas das coisas não reconhecidas pelas formulações dogmáticas da classe dominante, tem tanto direito a afirmar a sua posição como o próprio trabalho.”

Mensagem extremamente importante nos tempos em que vivemos.
Profile Image for Pedro Dinis.
6 reviews
Read
May 18, 2025
"Lembro-me bem, no entr'acte de um concerto vespertino, de emergir à luz do sol num belo recanto verdejante de uma cidade romântica; e quando me sentei a fumar, a música ainda a pulsar-me nas veias, era como se destilasse pelos poros O Holandês Voador (pois era essa a ópera em cena) com um maravilhoso sentimento de vida, ternura, bem-estar e orgulho; e os ruídos da cidade, vozes, sinos, passos em marcha, ressoaram nos meus ouvidos como uma orquestra sinfónica. Da mesma forma, a excitação de uma boa conversa perdura no sangue muito depois de ela terminar, o coração ainda quente dentro do peito, o cérebro ainda a fervilhar, e a terra a girar cá dentro com todos os matizes do pôr-do-sol.

(...)

Aqueles que não gostam de se esconder a um canto, que exultam na tempestade social, têm alguma razão na sua escolha. Descansam pouco, é verdade; mas o sossego é virtude do gado; todas as virtudes humanas são activas, a vida deve viver-se num estado de alerta, pois é quando repousam que os homens se expõem ao mal."

(de A Conversa e os Conversadores)

/

Um esbanjador para derramar o azeite, um sovina para o vinagre, um estadista para o sal e o proverbial louco para misturar tudo. (Provérbio espanhol sobre quantos homens são necessários para preparar uma salada)
Profile Image for Micaela Santos.
28 reviews4 followers
May 11, 2025
"BOSWELL: O ócio é fatigante.

JOHNSON: Isso acontece, caro senhor, porque estando os demais ocupados, nos falta companhia; mas se todos fossem ociosos, nunca nos aborreceríamos; passaríamos o tempo a entreter-nos uns aos outros."
Profile Image for Joana Gonzalez (Elphaba).
704 reviews35 followers
September 5, 2022
3,5 estrelas

Tinha muita curiosidade sobre este título, entre outros com a mesma temática, mas este em particular por se tratar de Robert Louis Stevenson, cuja escrita só conhecia de Dr. Jekyll and Mr. Hyde lido há muitos anos e cujo trabalho quero conhecer melhor.

Dito isto, procurava algo breve e despretensioso para me entreter e foi isso mesmo que encontrei. Não que eu precisasse de ser convencida do valor do ócio ou de uma boa conversa, ambos são priorizados na minha vida, ainda assim foi um prazer descobrir estes ensaios.

Apologia do Ócio é, como próprio título indica, uma franca análise do autor à desvalorização que é feita da arte de não fazer nada e apreciá-la por isso mesmo. Eu acho fundamental e difícil, confesso, desconectar-me nos dias de hoje. Aliás, muito atuais, estas narrativas 1877 e 1882, respetivamente, mostram que desde sempre somos empurrados para a necessidade de ser úteis, de estarmos a produzir e a acrescentar em cada momento das nossas vidas. É uma pressão absurda e prejudicial que nos deveríamos esforçar para desconstruir.

Igualmente, A Conversa e os Conversadores, traz-nos uma reflexão sobre os vários tipos de intervenientes de uma conversa e os prazeres da mesma. Uma vez mais, já estava comprada antes de começar a ler.
Poucas coisas me dão tanto prazer como conversar ou apreciar uma boa conversa entre todo o tipo de interlocutores. Eu acho fascinante, como os discursos e as posturas se alteram mediante cada um e cada tema, enriquecendo e temperando as vidas dos que os rodeiam. Desde que haja sempre respeito, uma conversa pode ter um valor incalculável, não concordam?

Enfim, são dois ensaios breves de que o leitor pode usufruir de forma descomplicada numa leitura breve. Eu não fiquei arrebatada, mas gostei bastante.
Profile Image for Margaret.
788 reviews15 followers
October 29, 2017
É curioso como há livros que continuam extremamente atuais, mesmo tendo sido escritos há mais de 100 anos! “Apologia do Ócio” reúne dois ensaios de Robert Louis Stevenson – o primeiro tem o nome do livro e o segundo chama-se “A Conversa e os Conversadores”.

No primeiro texto, o autor defende os momentos de ócio como vitais para uma vida mais plena, criticando as pessoas obcecadas com o trabalho, que não sabem divertir-se.

“Existe uma classe de pessoas, vulgares e quase-mortas, que mal têm consciência de estarem vivas exceto em pleno exercício de alguma ocupação convencional. Levem um destes indivíduos ao campo, ou numa viagem marítima, e vereis como anseia por regressar à secretária ou ao gabinete. São desprovidos de curiosidade; não conseguem entregar-se a paixões momentâneas; são incapazes de desfrutar o exercício das suas faculdades pelo mero prazer de as exercer.”

No segundo texto, o autor define a conversa como uma disputa agradável e valoriza as conversas com os mais velhos, que têm muito para nos ensinar. Sobre a diferença entre homens e mulheres, temos esta pérola:

“As mulheres são melhores ouvintes do que os homens; cedo aprendem, talvez com angústia, a suportar a aborrecida e infantil vaidade do sexo oposto.”
Profile Image for Newton Santos.
16 reviews
January 1, 2022
Este conjunto de dois ensaios, foi das obras mais cativantes que li nos últimos tempos. A maneira como Stevenson abordou assuntos simples com fluidez mantém-nos presos às folhas, até fazendo perder a vontade dormir para ler mais algumas páginas.
“Apologia do ócio” obriga o leitor a avaliar a importância de desacelerar, corroborando o apelo moderno às vantagens do jejum de dopamina e a uma sociedade menos absorta pelo trabalho.
O segundo ensaio, “Conversa e os Conversadores”, faz-nos valorizar ele local metafórico de educação, que são as conversas. É incontornável os perfis de conversadores que o autor descreveu. Todos nós temos amigos que poderiam ser encaixados em casa um daqueles perfis.
Apesar de tudo, não deixa de ser uma leitura exigente, que não dispensa um dicionário por perto, visto serem utilizadas palavras de uma corrente portuguesa menos utilizada.
Recomendo
Profile Image for Ricardo Santos.
41 reviews14 followers
August 27, 2022
3.5*

“A devoção perpétua ao que um homem considera o seu trabalho só pode ser sustentada negligenciando todas as
outras coisas. E não é de forma alguma uma certeza que o trabalho de um homem seja a coisa mais importante. De uma perspectiva imparcial, parece evidente que muitos dos papéis mais sábios, virtuosos e proveitosos no Teatro da Vida são desempenhados gratuitamente, e são vistos, pelas pessoas em geral, como produtos do ócio.”
Profile Image for borderline.
84 reviews2 followers
June 9, 2024
Um bom livro para apreciar o dito ócio e de seguida uma boa conversa sobre o mesmo.
Profile Image for Manuel Pinto.
149 reviews6 followers
February 15, 2025
“Em boa verdade, é raro que uma conversa desemboque numa conclusão - tanto como uma reflexão pessoal. O interesse não reside aí. Reside no exercício em si mesmo, e acima de tudo na experiência, pois quando fazemos grandes raciocínios sobre seja que assunto for, passamos em revista a nossa situação e história pessoal. No entanto, de tempos a tempos e sobretudo, penso eu, quando se trata de arte, a conversa torna-se incisiva e belicosa, empurra as fronteiras do conhecimento como o faria uma missão de exploradores.”
Profile Image for Patricia Posse.
252 reviews2 followers
September 30, 2024
O ensaio "A apologia do ócio" é um texto notável, sobre a importância de descansar, não fazer nada aparentemente é tão necessário quanto o lufa-lufa diário. O segundo ensaio já não me consquistou tanto.
Profile Image for luca.
37 reviews
Read
March 2, 2025
mto fixe o ócio é revolucionário :D
Profile Image for Rui Alves de Sousa.
315 reviews50 followers
June 19, 2025
O primeiro ensaio é fundamental e de uma actualidade tremenda. O segundo é menos interessante, mas mantém algumas ideias importantes para os leitores contemporâneos.
Profile Image for Margarida Dionisio .
22 reviews2 followers
September 16, 2025
O livro reúne dois ensaios: A Apologia do Ócio e A Conversa e os Conversadores. O primeiro é excelente e continua muito atual, apesar da distância no tempo. O segundo, embora interessante, não me envolveu tanto.

Questiona a glorificação do trabalho incessante e propõe uma defesa do ócio como espaço legítimo de criatividade, reflexão e liberdade.

“A devoção perpétua ao que um homem considera o seu trabalho só pode ser sustentada negligenciando todas as outras coisas.”

Esta frase não critica apenas a sobrecarga de trabalho, mas também põe em causa a forma como a sociedade define o que é considerado “útil” ou “produtivo”. Atividades como a leitura, a contemplação ou a conversa, frequentemente vistas como ociosas, são, na verdade, essenciais para o desenvolvimento pessoal e coletivo, mas frequentemente desvalorizadas.

É um livro curto, mas cheio de ideias que valem a pena parar e pensar.
Profile Image for Carla Coelho.
Author 4 books28 followers
December 17, 2018
O livro contempla dois ensaios - Apologia do ócio e Conversa e Conversadores. Os dois textos mantêm-se actuais. Por um lado, vivemos numa sociedade em que o trabalho e a realização através dele são dois dogmas intocáveis. O tempo que gastamos a trabalhar e ir e vir para o trabalho deixa-nos, porém, muitas vezes esgotados. É sobre o desaparecimento desse viço e da alegria e curiosidade que são partes intocáveis da experiência humana e da arte da vida que incide o primeiro texto que integra este livro. A arte da conversa está também muito esmorecida nos tempos que correm. Muitas pessoas não ouvem os outros apenas procurando nas suas palavras o eco de si próprias. Mais ainda, os temas de conversa, como se pressente na vida social, são comezinhos e pouco se afastam das preocupações do dia-a-dia. Não que isso seja sempre mau. Mas faz falta uma conversa a sério sobre os grandes temas, livros, filmes, enfim um exercício de vida social que é também a antecâmara da vida política. Stevenson escreve sobre si e sobre os grandes conversadores.
Em suma, dois pequenos ensaios, vivos e estimulantes, que servem de base a reflexão pessoal e a muitas e boas conversas.
Profile Image for Lula.
21 reviews5 followers
September 2, 2022
Uma leitura não tão fácil, dada a época de escrita, mas fascinante em relação ao quanto permanece atual e necessária. A segunda parte, sobre os conversadores, me fez valorizar eventos do cotidiano aos quais às vezes damos pouco valor. Uma obra importante para este século que ainda não superou as sombras da revolução industrial que nos vê como máquinas imparáveis e de alta produtividade.
Profile Image for J C.
15 reviews
December 26, 2025
Deveria ser leitura obrigatória, independentemente das crenças políticas que cada um tem e as suas visões sobre o que significa ser 《produtivo》nos dias de hoje.
Continua tão atual como há quase 150 anos!
1 review
August 24, 2025
"Apologia do Ócio" é um excelente ensaio que nos faz refletir sobre o estilo de vida que levamos hoje e, mesmo escrito no século XIX, está bastante atual, pois nada mudou nesse sentido. "A Conversa e os Conversadores" também é um bom ensaio mas já me custou mais a ler, fiz algum sacrifício para acabar, mas não deixa de estar bem conseguido.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Matthieu Rosy.
12 reviews
August 31, 2025
Un petit opuscule plein d’esprit et de descriptions impitoyables et tendres. Petit bijou à lire et relire pour le plaisir de la formule bien ciselée et de la pensée juste. Mention spéciale au portrait de la « catégorie de morts-vivants dépourvus d’originalité qui ont à peine conscience de vivre s’ils n’exercent pas quelque activité conventionnelle » !
Profile Image for Beatriz Landeiro.
13 reviews1 follower
November 2, 2024
“A devoção perpétua ao que o homem considera o seu trabalho só pode ser sustentada negligenciando todas as outras coisas. E não é de forma alguma uma certeza que o trabalho de um homem seja a coisa mais importante”
Profile Image for Gonçalo Cardoso.
23 reviews
April 3, 2025
3,5/5: Na primeira parte senti muito mais a argumentação e apelo à inaçao, mas na Conversa dos Conversadores fica-se muito pelo name dropping e pelas referências a autores muito anteriores e com obras mais vastas e ainda por explorar.
Displaying 1 - 30 of 45 reviews

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