O conteúdo desta edição em língua portuguesa compreende duas obras de Tagore: "Stray Birds" ("Pássaros Perdidos") e "Fireflies" ("Pirilampos"), que têm em comum o facto de estarem escritas num estilo literário que se expressa servindo-se de um número reduzido de palavras. Estamos, assim, no campo do aforismo, da epígrafe, do poema breve. A atmosfera onde este exercício literário se passa tem a ver com a natureza da acção do indivíduo neste mundo, sendo essa acção, na sua relação com o que está mais além da matéria, encarada segundo uma perspectiva unificada e unificadora supotada pelos pilares da paz, justiça e liberdade. Para falar das várias faces dessa relação, o autor vai servir-se da perene e humilde sabedoria, da frase simples mas profunda, da poesia rarefeita, do vulnerável silêncio, que às vezes se pressente espreitando por detrás do verbal e do escrito.
Awarded the Nobel Prize in Literature in 1913 "because of his profoundly sensitive, fresh and beautiful verse, by which, with consummate skill, he has made his poetic thought, expressed in his own English words, a part of the literature of the West."
Tagore modernised Bengali art by spurning rigid classical forms and resisting linguistic strictures. His novels, stories, songs, dance-dramas, and essays spoke to topics political and personal. Gitanjali (Song Offerings), Gora (Fair-Faced), and Ghare-Baire (The Home and the World) are his best-known works, and his verse, short stories, and novels were acclaimed—or panned—for their lyricism, colloquialism, naturalism, and unnatural contemplation. His compositions were chosen by two nations as national anthems: India's Jana Gana Mana and Bangladesh's Amar Shonar Bangla.
“Não sei que dedos invisíveis tocam sobre o meu coração, como uma brisa serena, a música das ondas.”
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“O meu coração rebenta as suas ondas na margem do mundo e deixa escrita a palavra «Amo-te».”
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“O peixe é silencioso na água; o animal é ruidoso em terra; o pássaro é cantor no ar. Mas o homem tem em si o silêncio do mar, o alvoroço da terra e a música do ar.”
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“Ó mundo, quando eu morrer, uma palavra quero que guardes de mim no teu silêncio: «Amei»!”
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“Quando a morte chegar e me sussurrar: «Os teus dias chegaram ao fim», vou dizer-lhe: «Vivi em amor e não no tempo.» Se ela perguntar: «E as tuas canções sobreviverão.?» Responderei: «Não sei, mas de uma coisa tenho a certeza, é que quando canto, encontro a minha eternidade.»”
Nada que seja poesia pode ter classificação. Entende-se, sente-se ou põe-se de lado. Para mim, é um prazer enorme ler estes aforismos.
"Rabindranath Tagore nasceu em Calcutá, Índia, em 1861 no seio de uma abastada família, há muito constituída por pessoas de espírito inovador no campo das letras e das artes. Eram hindus.
Em 1913, foi galardoado com o Prêmio Nobel da Literatura, com a obra "Gitanjali".
Fundou a escola de Santiniketan, com princípios de formação holística, entre saberes académicos básicos, expressões artísticas e a exploração da dimensão espiritual do ser humano, escola que ainda hoje existe.
Quanto ao livro, a poesia oriental é alimentada por aforismos, epígrafes e poemas breves. Este exercício literário tem a ver com a qualidade da ação neste mundo, com o que está para além da matéria, numa perspetiva unificadora suportada pelos pilares da paz, da justiça e liberdade. (adaptado da introdução do tradutor Joaquim Palma."
Deixo aqui alguns exemplos: "O Amor é um mistério infinito, pois ele nada tem para explicar"
"Deus prefere ver em mim, não o servo, mas a si mesmo servindo todos."
"O fardo do "eu" fica mais ligeiro quando me rio de mim mesmo."
Entre outros muito mais profundos, alguns difíceis de entender, porque estes génios têm uma qualidade que nós, comuns mortais, não temos. Têm uma visão alargada do mundo, do universo e estabelecem todas as ligações que o compõem. A maior parte de nós vive em bolhas (eu incluída).
Quando a morte chegar e me sussurrar: “Os teus dias chegaram ao fim”, vou dizer-lhe: “Vivi em amor e não no tempo.” Se ela perguntar: “E as tuas canções sobreviverão?” Responderei: “Não sei, mas de uma coisa tenho a certeza, é que quando canto, encontro a minha eternidade.”
Um conjunto de aforismos contemplativos, inseridos nas obras Pássaros Perdidos e Pirilampos, onde o paralelismo entre a natureza e o comportamento humano está sempre presente.
As palavras de Rabindranath Tagore são de uma beleza e sensibilidade únicas.
Uma vez sonhámos que éramos estranhos, E acordámos para descobrir que nos amávamos.
* “Lua de que estás à espera?” “De saudar o sol, a quem devo dar passagem.”
* Não culpes a tua comida se não tens fome.
* O pardal compadece-se do pavão por este carregar uma cauda tão pesada.
* O machado do lenhador pediu o seu cabo à árvore. E a árvore deu-lho.
* Lemos mal o mundo, e dizemos depois que ele nos engana.
* O amor continua a ser um segredo mesmo quando se fala dele, pois só o verdadeiro amante sabe que é amado.
Foi um regresso à poesia, após algum tempo. Poderá parecer de leitura simples, mas alguns dos aforismos fazem parar para pensar. Muitos são independentes ou isolados uns dos outros, mas outros estão tão intrincados entre si que revelam muita competência a transportar a espiritualidade para a folha.