Decidido a matar todas as mulheres solteiras do reino, após ter descoberto a traição da sua mulher, o sultão Shahriar casa-se a cada noite com uma jovem diferente que será morta ao amanhecer. Mas a filha do grão-vizir, a impetuosa Sherazade, decide enfrentar o desafio e interromper esse ciclo vingativo, oferecendo-se para a noite seguinte. Noite que se multiplica, assim como as histórias de Sherazade, adiando sua morte indefinidamente. Até que passadas mil e uma noites, o sultão, apaixonado pela envolvente narradora, suspende a ordem cruel. Obra-prima da literatura oriental, As mil e uma noites ganhou destaque também no Ocidente a partir da versão do orientalista francês Antoine Galland, no qual esta edição é baseada. Galland selecionou as lendas mais curiosas e de enredo mais palpitante, traduzindo-as para o francês. O livro alcançou êxito extraordinário, sendo a partir daí traduzido para vários idiomas. Com apresentação de Malba Tahan, admirador da cultura árabe e um de seus principais divulgadores no Brasil, esta edição reúne as histórias exóticas e maravilhosas que vem povoando o imaginário de muitas gerações de leitores.
Books can be attributed to "Anonymous" for several reasons:
* They are officially published under that name * They are traditional stories not attributed to a specific author * They are religious texts not generally attributed to a specific author
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a principal história do livro é a de sherazade e o sultão da índia que é meio pirado e mata suas esposas por medo de ser corno, o livro conta as histórias da sherazade inteligente e culturada que consegue enrolar o maluco nesse volume por 226 noites. ele deveria merecidamente ser corno, concluo agora quando depois de 220 noites o sultão ainda considerava matar ou não a mulher (totalmente sem alma).
Comecei a ler este volume 1 de "As mil e uma noites" no início de julho, sem saber bem o que esperar, porém com muita curiosidade. A única coisa que eu sabia sobre o livro era a respeito do enredo do casamento de Sherazade, que para evitar ser morta pelo sultão Shahriar, lhe conta histórias todas as noites, sem nunca terminá-las. Acontece que "As mil e uma noites" é uma coletânea de contos de tradição árabe e de autoria desconhecida, originalmente contados de forma oral, tão antigos que não há certeza de onde exatamente podem ter vindo - se criados por uma só pessoa ou por várias, se originados em países diferentes, etc. A versão que podemos ler aqui no Ocidente, porém, foi traduzida, organizada e selecionada por Antoine Galland, um estudioso orientalista francês, que não apenas escolheu as histórias que considerava mais interessantes, como também retirou delas algumas passagens explicitamente sexuais ou ofensivas para cristãos e judeus. Essas informações são apresentadas nos textos introdutórios do início desta edição. Apesar disso, as histórias ainda conservam bastante misoginia e violência contra mulheres, e são comuns as passagens que falam de agressões, espancamentos ou assassinatos de mulheres. As histórias de "As mil e uma noites" são as mais diversas possíveis. São histórias de aventura, de crimes, de amor, de fantasia, viagens, traições, vingança , brigas e mágoas familiares, encontros e desencontros. Seus personagens são mercadores, viajantes, sultões, seus conselheiros e suas amantes, príncipes e princesas, pais e filhos, animais, e também seres fantásticos como fadas e gênios. Me surpreendeu ver que, ao contrário do que somos levados a acreditar devido à popular história de Aladdin adaptada pela Disney, os gênios, em "As mil e uma noites", não são seres de todo bons. Muitos gênios mencionados nessas histórias são vistos como seres ruins, maliciosos, assustadores ou monstruosos. Perceber isso foi uma coisa curiosa para mim. As histórias contadas por Sherazade não têm a estrutura lógico-narrativa de início, meio e fim que somos acostumados a ver em histórias modernas ocidentais. Muitas delas não tem lógica ou sentido, acabam de forma repentina, ou mesmo numa acabam, porque no meio de uma, o personagem se encontra com outro que, por sua vez, também começa a contar sua própria história. Por causa disso, é possível até mesmo confundir as histórias ou os personagens. Mas isso se deve ao artifício de Sherazade de permanecer entretendo o sultão, sempre começando a contar uma nova história e interrompendo-a na parte mais interessante para continuar apenas no dia seguinte. Mas a falta de lógica é o que torna os contos mais interessantes: tudo pode acontecer! E por causa disso, algumas histórias são surpreendentes. Os contos das viagens de Simbad, por exemplo, são impressionantes. A riqueza dos contos de "As mil e uma noites" é tão grande que cheguei a identificar até mesmo uma história muito semelhante à de Édipo Rei, com um protagonista que recebe uma previsão de seu futuro e tenta a todo custo evitá-la, mas na tentativa de fugir de seu destino, acaba causando aquilo que tentava evitar. Essa história foi uma das minhas favoritas. Também gostei muito de uma história sobre três gerações de uma família que estava dividida devido a uma briga de irmãos, e que se reencontra e se une novamente graças ao acaso de alguém experimentar uma torta que tinha uma receita especial. E a última história, por fim, foi a que mais me encantou: é sobre um príncipe árabe e uma princesa chinesa que não queriam se casar com ninguém, até que magicamente se encontram um com o outro. Esse conto é repleto de encontros e desencontros e eu torci muito pelo casal. O livro termina interrompendo essa história para que seja concluída no volume 2, e estou louca para saber como termina! Li o livro no formato físico, um exemplar em capa dura vendido em um box de dois volumes. É uma edição muito bonita e cuidadosa, com notas de rodapé explicando termos e tradições tipicamente árabes ou islâmicos. Gostei muito da primeira parte e estou curiosa para continuar com a segunda. Apesar de ter feito uma leitura lenta, foi uma leitura riquíssima.
A Famosa Edição de Antoine Galland As Mil e Uma Noites, coleção de contos árabes que datam do século IX, tornou-se conhecida no ocidente graças ao escritor e orientalista francês Antoine Galland. Galland traduziu a obra para o francês, os dois primeiros volumes sendo publicados em 1704, popularizando os contos árabes por toda a Europa. A obra de Galland foi traduzida em diversas línguas, e esta edição da Editora Nova Fronteira, dividida em dois volumes, é também uma tradução do trabalho de Antoine Galland.
A obra de Galland costuma ser criticada por não ser uma tradução integral das Mil e Uma Noites, e também pelo texto ter sido consideravelmente modificado para passar pelo crivo moral da época. No entanto, as alterações são perfeitamente compreensíveis, principalmente a retirada do erotismo dos contos árabes, que do contrário não teriam sido tão bem recebidos como foram por um público cristão. Ao mesmo tempo em que retirou algumas coisas, Galland incluiu outras, em sua edição estão presentes os contos de Simbá, Ali Babá e Aladim, que não faziam parte da coleção original, o que considero um excelente acréscimo.
Com relação a história em si, As Mil e Uma Noites se trata de uma fabulosa Narrativa em Moldura. Primeiramente somos apresentados ao Sultão Shahriar e seu irmão, depois, descobrimos as infelizes traições de suas esposas e a resolução louca de Shahriar de casar-se sempre com a intenção de executar a esposa no dia seguinte, evitando assim de ser traído novamente. Após a morte de várias moças, eis que surge Sherazade, filha do grão-vizir, que se voluntaria a casar com o sultão, tendo o brilhante plano de contar-lhe à noite uma história, interrompendo-a no seu clímax ao amanhecer, de modo que o sultão lhe poupa a vida para poder escutar o fim da narrativa, que Sherazade habilmente mantém todas as noites encadeando uma história após a outra, salvando assim sua vida e de todas as jovens do reino.
A príncipio, os contos de As Mil e Uma noites passam uma má impressão a respeito da mulher, representada como uma criatura perversa, encantadora, porém enganadora; no entanto vemos na figura de Sherazade uma mulher inteligente e bondosa, que usa sua esperteza para salvar vidas, e por quem se tem grande admiração. Outras mulheres ganham destaque em algumas das histórias contadas por Sherazade neste primeiro volume, como a prudente Zobeida, do conto dos Três Calândades; a apaixonada Chemselnihar, infeliz favorita do Califa Harum al-Rashid e a corajosa Badura, do conto do Príncipe Camaralzaman, que assume o lugar do marido quando este se encontra desaparecido. Ao considerar a época, os costumes e lugares onde se passam essas histórias, chega a ser surpreendente ler discursos como o de Fátima, mãe do príncipe Camaralzaman, ao repreender o filho, que não desejava casar-se por causa da malignidade das mulheres, falando-lhe que havia também muitos homens perversos, a quem mulheres boas eram obrigadas a suportar.
As Mil e Uma Noites é um produto de seu tempo, ao ler estas antiquíssimas histórias deve-se ter em mente o público ao qual esses contos se dirigiam, e saber relevar alguns pontos, pois o que realmente importa é a magia e o encantamento que sentimos com as fantásticas histórias de Sherazade.
Demorei bastante para ler esse livro, porque a linguagem é bem dificil. Admito que comecei pensando que era um conto por noite e que cada conto tinha inicio, meio e fim. Ainda tem seguir as histórias direitinho, mas depois fui apenas seguindo a "marola" rsr
Não é um livro fácil de ler, do tipo que a gente começa e vai de cabo a rabo de uma vez (e talvez os dois tomos imensos já sejam um indício disso). Mas vale a pena. Também não tem uma estrutura muito bem distribuída. No primeiro volume, as histórias são mais detalhadas, levam mais tempo para serem contadas, depois começam a ficar mais superficiais. No geral, gostei bastante