Uma ameaça sobrenatural pode significar o fim de todos os membros da aldeia de Papa-Capim. E o jovem índio tem não só a difícil missão de detê-la, mas também de convencer o pajé de que foi o escolhido para essa tarefa. Em Noite Branca, a roteirista Marcela Godoy insere o conhecido personagem indígena de Mauricio de Sousa numa trama tensa e surpreendente. Tudo no belo traço realista do artista Renato Guedes.
This turned out to be one of the weakest MSP graphic novels to date.
While I appreciated the illustrations, the coloring didn't resonate with me.
My biggest issue, however, was with the story itself. The concept is intriguing, but the narrative execution failed to captivate me, leaving me bored at times. Additionally, I didn't feel any immediate danger for the characters when I should have, which I attribute to a lack of tension-building structure.
Unfortunately, if you choose to skip this one, you won't be missing much.
Papa-Capim é um indiozinho pataxó que, nas HQs de Mauricio de Sousa, nunca representou muita coisa pra mim. Nem sequer diversão. Histórias eco-xaropes que, confesso, muitas vezes eu até pulava. Mais maçante que o Bidu conversando com a Dona Pedra. Com a hercúlea missão de deixar a indiarada mais interessante, a roteirista Marcela Godoy e o ilustrador Renato Guedes se uniram para fazer uma história de... terror. Hummmm... Como assim?
OK. Já sei que não seria fácil. Pois, no mínimo, precisaria manter a (chata) essência de Papa-Capim e sua turma, criados originalmente no começo dos anos 60. Naquela época, a questão das terras indígenas era muito forte e, arrisco dizer, ainda pertinente. Passadas décadas, com índios urbanizados e descaracterizados, o glamour de outrora desapareceu. De qualquer forma, achei o desafio válido e - em linhas gerais - eles conseguiram cumpri-lo. Na história, a tribo de Papa-Capim, Cafuné e Jurema é atacada por... espíritos-zumbis-canibais-vampiros. Pois é... mas vamos lá. A trama é meio confusa, o que era pra ser terror não assusta, muito menos empolga. Os monstros da noite branca não tem originalidade e seguem um roteiro muitíssimo previsível. A roteirista é dedicada e fez um ótimo trabalho de pesquisa, mas senti falta de suspense e de um fator-surpresa. Tentaram inserir um clima sombrio com o uso das cores escuras, mas passaram longe de um “Wytches”, de Scott Snider, por exemplo. Papa-Capim ganhou poderes sobre a natureza que me remeteram a algo bizarro entre o Aquaman e o Fauno (do Labirinto).
Gostei muito das ilustrações realistas de Renato Guedes, fazendo com que a nova concepção dos personagens se afastasse bastante do traço infantil dos originais. Isso não é problema, pois a releitura atualizada exige algumas mudanças, sejam sutis ou mais radicais. O traço é muito bom, mas achei que a colorização não foi bem feita em alguns quadros e páginas. A diagramação em "Papa-Capim - Noite Branca" é moderna e muito dinâmica, de modo que encobre defeitos na arte, sobrepõe a fraqueza do roteiro e faz com que a média geral suba bastante, considerando que os autores beberam na fonte de filmes de terror trash. A propósito, lembrei de um (uma bomba!) que pode tê-los inspirado: “The Green Inferno” (“Canibais”, em português), de 2013, dirigido por Eli Roth, conhecido por dirigir “O Albergue” e pela codireção (com Quentin Tarantino) de “Bastardos Inglórios”.
Meh. Achei o volume mais fraquinho da coleção Graphics MSP. O desenho é muito bonito, mas é bem comunzão - curto mais quando os traços são mais particulares, como nos outros volumes da coleção (exceto os do Astronauta, que também têm esse traço mais parecido com HQ clássica). Mas o que mais me incomodou foi o roteiro/ambientação... Na realidade, o que mais me incomodou MESMO foram os diálogos, que (na minha humilde opinião) têm ZERO verossimilhança. Claro que não precisava ter usado dialetos indígena nem nada, mas os diálogos estão muito ocidentalizados, se estivesse só lendo a história eu jamais adivinharia que os personagens são indiozinhos. Além disso - o que eu acho que é ainda pior -, as atitudes dos índios também são muito falsas, baseados na nossa cultura e na nossa lógica. Por último, achei a história MEGA clichê, típica jornada d'O Escolhido. Mas tem coisas boas sim: há umas referências bem interessantes no meio da história, a premissa em si é bem legal (mistura a lenda do vampiro com um mito indígena) e o fim traz um pedaço de um depoimento de Davi Ianomami, que faz a página inteira ser bem bonita e filosófica. Enfim: não é ruim não, por isso que a nota fica em três estrelas e não menos. Mas tinha altas expectativas... :(
Observação: tô devendo muito resenhar as outras HQs da Graphics MSP, mas a princípio estou mais preocupada em resenhar conforme leio... Depois, prometo que volto para os passivos. :)
Adorei! Uma história de horror e magia! Sem dizer a forma como acontece o desenrolar e a arte! Me surpreendeu, porque eu esperava uma coisa mais "simples".
Hmmm, eu gostei do início dessa história, mas não gostei da conclusão. Eu acho que é um enredo que facilmente tem potencial para durar muuuuitas páginas e acabou ficando bem corrido por causa disso. O traço realista é bonito, mas eu confesso que das HQs MSP que li é o menos impressionante.
Uma ótima HQ! Nunca pensei que veria os personagens da turma da Mônica em uma história de terror, mas foi muito legal a leitura, assim como os elementos da cultura indígena. A arte, também, é linda. No entanto, a história não me envolveu tanto quanto eu esperava, e foi um pouco curta demais.
Mais um excelente álbum (o 11º, o mais recente e o primeiro de 2016) do selo “Graphic MSP”, ou seja, graphic novels dos Estúdios Maurício de Sousa. Embora haja na coleção muitos outros de extraordinária qualidade em que não é feita uma revisão gráfica e conceitual tão forte, os que me atraem mais são aqueles em que esta ocorre de maneira mais radical.
Como é o caso deste álbum do Papa-capim, de Marcela Godoy e Renato Guedes, que vão fundo na reinterpretação dos personagens clássicos, assim como já inventaram de fazer vários autores, incluindo o próprio Maurício de Sousa mesmo antes da atual série e Uderzo e Goscinny com Asterix, por exemplo. Vou ter de pesquisar muito antes de poder falar deles com propriedade, mas por ora basta dizer que Guedes é outro artista brasileiro com passagem significativa pela Marvel e pela DC. Roteiro e arte fora do comum e um álbum muito, mas muito bom. E tiro da apresentação de Maurício: “.... a pesquisa que essa moça realizou e a forma como inseriu cultura e mitologia indígenas na trama mostram que ela é uma grande contadora de história.”
Ao final, os “Extras” que são um destaque em toda a série, com estudos de personagens e de capas, um passo-a-passo das etapas do desenho e finalização de uma página e informações sobre os personagens originais, com reproduções de antigas tiras incluindo a primeira, de 1963, e ainda informações sobre os autores.
As publicações da série Graphic MSP (Volumes 11 em diante)
Esta colecção têm aproveitado as personagens conhecidas dos “quadrinhos” Maurício de Sousa para as fazer viver aventuras bastante diferentes das tradicionais. Neste caso trata-se de Papa-capim, um índio jovem, um futuro grande guerreiro que ainda não é reconhecido como tal.
Quando um grupo de monstros pálidos começa a atacar várias aldeias e os sobreviventes chegam à aldeia de Papa-capim, este jovem índio começa a ter sonhos premonitórios de que algo irá acontecer brevemente – algo semelhante ao que ocorreu nas restantes aldeias.
Dado o seu baixo estatuto na tribo, os seus sonhos são descurados e banalizados. Felizmente, alguns dos seus amigos ficam alerta e afastam-se da aldeia nessa noite. Também Papa-capim irá estar atento e assim ajudar a enfrentar os monstros que ameaçam a tribo.
Pegando na mitologia local os autores desenvolvem uma história de horror que pode ter uma interpretação metafórica. Um grande mal assola as várias tribos exterminando-as, uma a uma, e convertendo os elementos em novos monstros – assim aumentam as hordas ameaçadoras que corrompem tudo à sua passagem.
Visualmente agradável, Noite agradável proporciona uma leitura agradável, carregada de elementos sobrenaturais num cenário onde se lida comummente com espíritos e premonições, vistos como sendo parte da natureza e do equilíbrio com o passado e o futuro.
Uma história de horror que não me deu medo, mas talvez eu tenha visto filmes de terror demais na vida. Ou talvez seja porque não é uma história surpreendente, mas o horror não precisa surpreender. Histórias de monstros são mais antigas que a civilização humana e a Marcela Godoy deixa bem claro que sabe disso, citando mitologia tupi-guarani e adicionando seus detalhes, sempre com muito respeito aos personagens e sua cultura. Além disso, é um ótimo monstro, e isso sempre conta para esse tipo de história. Entre o ritmo do roteiro e a fluidez da arte, eu tenho pena de dizer que li a HQ inteira em alguns minutos. Pena, porque a arte do Renato Guedes é fantástica, com uma narrativa fácil de ler que faz parecer fácil costurar uma história com tantos personagens. Se algo deixa a desejar, seriam as cores. Nada que estrague a HQ, mas alguns painéis ficaram confusos, com a luz muito difusa para saber o que é frente e o que é fundo, mas isso também pode ser só os meus olhos. No geral, uma boa HQ e uma abordagem muito interessante do Papa-capim, que eu gostaria de ver retornar.
Uma estória muito boa que envolve parte da nossa cultura indígena. Arte única e diferenciada, muito bonita.
MAS...
É uma estória que funcionaria exatamente igual se fossem tirados os personagens do Maurício de Sousa. O Papa-Capim ou o Cafuné são meros acessórios da narrativa, não há qualquer aspecto nostálgico ou que nos remeta aos quadrinhos da nossa infância. Eles são apenas um pretexto para o quadrinho ser considerado Graphic MSP.
Embora outros discordem, o que me faz comprar as GN da Graphic MSP é o toque nostálgico e as lembranças da minha infância.
Gosto das releituras e inserções de novos elementos, mas neste caso são personagens que não carregam nenhuma bagagem dos gibis, e isso me incomodou.
Eu adorei esse volume! Uma ameaça está prestes a condenar a aldeia de Papa-Capim e ele foi escolhido para "passar a mensagem" deste mal, assim como outros guerreiros em outras aldeias. Porém, ele é ignorado pelo Pajé e acaba contando com a ajuda de Honorato, filho de Cobra-Grande (lenda amazônica). O Papa-Capim tão forte e líder ficou incrível! De início a arte não me interessou muito, mas no final das contas ela super combinou com o aspecto sombrio da história.
Tive pouco contato com o personagem Papa capim e sua turma. Por isso, não sabia muito o que esperar. De início parecia algo mais voltado para o terror, mas não segurou a tensão muito bem.
A trama foi interessante. Gostei muito da metáfora envolvendo os males trazidos de fora e afetam as aldeias. Senti muito a influência de alguns mitos estrangeiros, pode ser ignorância minha, mas, fiquei querendo algo mais do nosso folclore.
eu gostei da história. a arte me incomodou em alguns momentos porque as coisas ficaram meio confusas, mas é uma arte que combina bem com a história (que também dá uma confusãozinha às vezes). o uso de citações foi legal, mas meio que fora da história, não conversaram muito, só foram colocadas ali.
Voltei a ler os quadrinhos desse selo de que gosto muito. Esse aqui em específico me deixou um pouco decepcionada quanto à arte, porque ela é bem parecida com o que vemos em quadrinhos norte-americanos e eu espero uma proposta diferente pra algo nacional (ainda mais sobre um povo 100% brasileiro). Mas o enredo foi bacana - como apaixonada pela lenda, logo de cara notei a influência do vampiro europeu no antagonista dessa história, mas a repaginada com elementos do folclore nacional deixou ele bem encaixado no contexto. Me soou muito mais uma história de aventura do que de terror, mas não acho que isso seja um ponto negativo. E a citação de I-Juca Pirama foi linda demais!
Sinopse: algo sobrenatural está se manifestando na Terra e causando mortes às aldeias vizinhas, deixando sempre um guerreiro vivo. Em uma tarde de treinamento, Papa-Capim e Cafuné encontram o tal guerreiro sobrevivente e o ajudam levando-o até seu Pajé. Com isso, a vida do nosso indiozinho vira de cabeça para baixo.
Minha opinião: na graphic MSP Papa-Capim: Noite Branca, vemos uma versão realista do indiozinho criado por Maurício de Souza e confesso que fiquei encantada com a releitura. A forma como as lendas folclóricas e a chegada dos colonizadores foram abordadas, dentro do gênero terror, me fez perceber a força do Papa-Capim, ou melhor, a força dos índios e como seus hábitos influenciavam diretamente os guerreiros da tribo. Além disso, é uma graphic rápida de se ler, com escrita convidativa e uma cartela de cores maravilhosa de se ver.
Uma das melhores obras da MSP Graphic, Noite Branca surpreende tanto quanto Ingá, releitura do personagem Piteco. A HQ absorve a essência do personagem e o envolve numa história densa, cheia de metáfora e mitologia que te prende até a última página. Mais uma vez Sidney Gusman surpreende nos presenteando com estes talentos brasileiros que desta vez são Marcela Godoy e Renato Guedes (desculpem por não conhecê-los antes e me permitam ser fã de vocês daqui pra frente).
"Não é o poder que te foi emprestado que te define. E o poder só te foi emprestado, por você ser quem era antes de recebê-lo."
Me lembrou a Graphic Novel sobre Piteco (Ingá). Só teve algumas citações que a autora inseriu para dar mais realidade, mas fica claramente um "copiado + colado" e parece não conversar direito com a história.
Adorei a história. Amo Turma da Mônica e meu sonho de criança sempre foi ter uma dessas edições especiais. A história é muito boa e o desenho muito bem feito também.
Vou procurar saber mais sobre nosso folclore e cultura indígena.