“Esta manhã julguei descobri-lo em casa de Chistoganov. Qual nada! Chistoganov remete-me para Parepalkine. Aí, a mesma história. Em resumo: fiquei extenuado. Não tive, pois, remédio senão escrever-lhe. Não se trata, porém, de literatura no caso referido (Bem me percebe!). Mais valia que nos explicássemos de viva voz e o mais depressa possível."
Não estava à espera deste tipo de humor por parte de Dostoievski, mas “Romance em Nove Cartas” tem o seu quê de comédia de enganos. Escrita quando o autor ainda era jovem, esta história epistolar parece uma conversa de surdos, em que os autores, com uma dívida por saldar, se desencontram, desconversam e se fazem de desentendidos, mas estando tão absortos nas suas quizilas, não percebem de onde verdadeiramente vem o perigo.
“A pena é tão falaz! Devia ter-me expressado obscuramente e você iludiu-se. Não ignora que sou fraco em matéria de boas maneiras e que evito elegâncias ocas e afectadas. A experiência já longa ensinou-me quanto as exterioridades enganam e que a víbora se oculta entre as flores.