Rubem Fonseca é considerado figurar entre os grandes da Literatura Brasileira e de forma alguma pretendo julgar sua obra por essa coletânea de contos, que definitivamente deixa muito a desejar.
Procurei ler para aprender e encontrei, com surpresa, uma grande decepção. Como autor, que se inicia na seara de criar contos, não encontrei nada em que pudesse me apoiar. Os contos dessa coletânea nem sequer conseguem prender atenção, são monótonos, terminam muitas vezes de forma inesperada e não enxerguei qualquer criatividade na narrativa. Fonseca usa frequentemente de violência, palavras chulas, de baixo calão, o que por si só não condenaria, mas me pareceram forçadas, porque intentam mostrar a violência e a brutalidade de um mundo que não foi o dele apesar de ter atuado como advogado, aprendido medicina legal, bem como ter sido comissário de polícia, nos anos 50 no subúrbio do Rio de Janeiro.
Diferentemente de Tchékhov, que também já comentei aqui na Amazon, nos contos de Fonseca cujos enredos não me agradaram, não consegui encontrar aqueles elementos de narrativa repletos de enormes ensinamentos, que o contista russo nos brinda. Aliás, Tchékhov é considerado o criador dos contos sem enredo ou de atmosfera.
Como disse não pretendo julgar sua obra por esse volume e, com certeza, tentarei oportunamente enveredar por seus romances, buscando encontrar o Rubem Fonseca tão elogiado pela crítica. Mas antes disso, preciso deixar claro que se não encontrei o tipo de contos com os quais me identifico, não posso deixar de reconhecer a escrita brilhante e inteligente de Fonseca e nesse aspecto ele tem muito a ensinar.