Muito mais do que diário de garota de província do final do século XIX, 'Minha vida de menina' antecipa a voga das histórias do cotidiano ao traçar um retrato vital e bem-humorado do dia-a-dia em Diamantina entre 1893 e 1895. Publicado pela primeira vez em 1942, o livro é um painel multicolorido daquele momento histórico singular no Brasil, com o sabor e a vivacidade de um diário de adolescente.
Alice Dayrell Caldeira Brant (August 28, 1880 – June 20, 1970) was a Brazilian writer. She was born in Diamantina, Minas Gerais, Brazil to a British father and a Brazilian mother. Her diaries were published under the pseudonym Helena Morley. Her girlhood diaries spanning the years 1893 and 1895 were first published in 1942 as Minha vida de menina (translated into English by Elizabeth Bishop as The Diary of Helena Morley). The book was adapted to film in 2004 by Helena Solberg as Vida de Menina.
I don’t know how I found out about this book…and why I bought it. But it was one of the most enjoyable reads of mine this year. It is a diary of a Brazilian girl started at age 12 and ended at age 15 written in the years 1893-1895. I think she kept her diary on scraps of paper and in notebooks. It was originally published in Portuguese and limited to readers in Brazil apparently. But the poet Elizabeth Bishop who is famous in her own right (1928-1979, the Pulitzer Prize winner for Poetry in 1956, the National Book Award winner in 1970) was in Brazil in 1952 and enquired of colleagues what books she should be reading. After listing a few classics they mentioned Minha Vida de Menina (The Diary of Helena Morley”). It was a pseudonym of Senhora Augusto Mario Caldeira Brant, and halfway through reading it she fell in love with it and eventually found the protagonist. It was originally published mainly for the girl‘s extended family (in 1942, when Helena was now about 66 years old) but it spread to other hands and well, it finally got into the hands of Elizabeth Bishop who asked Senhora Brant (Helena) if she could translate it.
How to describe it? Helena is dirt poor, often hungry, she thinks of herself as homely and unintelligent. Religion enters heavily into her life but she is no saint! She kept a diary that she would place entries in sometimes daily, sometimes weekly…no rhyme or reason to when she made entries. You are literally reading her diary – I don’t think she ever intended it to be read by anybody else. She was essentially writing to herself. Entries are often less than a page. She tells you about things that happened that day or the previous day. You learn about her family and the town she lived in. Elizabeth Bishop had a long introduction which at first before reading the book bored me a bit and I was not sure about the book (why did I buy this book?). Then I started to read it and more often than not I would chuckle after an entry, or say “hmmph” after an entry or shake my head…and I think after about 50 pages of this I realized that this was simply a remarkable diary…that this girl and her writing from over 100 years ago in a dirt-poor town had made me want to go on reading and reading. She was humorous, sarcastic, petty, remorseful…not all at once. On any given day who knows what she would write? By the middle of the book I was keeping bookmarks and telling myself “I have to tell people on Goodreads about this book”. I have no idea of how many people on this website have read this book. I wanted to put this stuff down in writing and post it, and then read reviews. Maybe I am 1 in 10 people who have reviewed it or maybe 1000 people have reviewed it. Anyway I will close with 5 examples of what I bookmarked…just because for one reason or another it struck a chord in me.
[Helena is spending the night at a relative’s house. A cousin of Helena’s has a flea in her ear. She is screaming and waking up the whole household.] In Helena’s diary: …” Uncle Conrado got out of bed and and said “It’s nothing, child, nothing! Just a flea!” He tried to get it out, without any result and Beatriz kept screaming, “Help me! I’m going crazy!” He got even more excited than she was and begged us, “For the love of God. Give me a flea! Find me a flea to put in my ear to show this girl that it doesn’t amount to anything!” But nobody could find a flea. It was impossible. I hunted with might and main, just so he could put it in his ear and not keep saying such silly things. I never was so eager to do something disagreeable. But at the sight of two of them, Beatriz screaming with her flea and Uncle Conrado wanting one, too, to put in his ear, I couldn’t contain myself, I wanted to laugh so hard. (pp. 49-50, Bloomsbury edition of the book, 1997)
….Helena is at a relative’s house and somebody does something stupid that makes her want to laugh. But if she laughs she’ll embarrass the girl who did the stupid thing. “…Naninha looked at me with such a stern face, afraid of one of my fits of laughing. But at such moments, in order to contain myself, I think about something sad: mama with a broken leg, Luizinha (her younger sister) stretched out in her coffin, and I manage not to laugh”. (p. 157)
“My music examination yesterday was a surprise to everyone. Who would have imagined I’d do so well? My schoolmates don’t see anything in me. Sometimes I wish I had willpower, and studied a little, just to show them all what I’m capable of. But it’s better this way. Nobody likes to see that other people are more intelligent.” (p. 181)
Aunt Carlota’s the aunt who makes us laugh, not because of her sense of humor, because she hasn’t any… (p. 187)
[A woman, Maria, steals a hen from a neighbor’s coop so she can make Helena’s family a dinner.] …(Helena) …“And the chicken? Where did you find that?” She (Maria) said, “Oh, since there were so many neighbors’ hens in the yard, annoying us, I caught one and cooked it.” “Maria, that’s a sin!” I said. “How could you do such a thing?” She replied, “Sin? I was born knowing that it’s a sin to steal and not get away with it.”
Uma das grandes obras do Brasil escritas durante o século XIX, apesar de publicada somente na década de 40. Menos conhecida nos círculos literários brasileiros, "Minha vida de menina" pode causar um certo estranhamento por ser um diário, e, assim, não possui uma linha narrativa única e retilínea, mas sim uma série de fatos que se interligam por meio da narradora, a jovem Helena Morey (pseudônimo da autora Alice Caldeira Brant). Como apontou Roberto Schwarz, Helena é uma perspicaz observadora das relações sociais num Brasil interiorano em transição do período imperial para o começo da república, ainda com relações um tanto escravistas e preconceitos velados. A história da vida provada de Helena conjuga elementos cômicos excelentes com uma narrativa fluida e bastante profunda poeticamente pela simplicidade. Guimarães Rosa apontou corretamente que dificilmente há qualquer tipo de representação da juventude-infância como está aqui colocada neste pequeno diário de três anos da garota de 13-15 anos. Ainda acima de tudo, as observações de Helena a respeito de sua família, a escola, as amigas, os vizinhos, a igreja corre uma linha de descoberta de uma vida no Brasil que poucos conhecem: o interior numa época em que havia poucos relógios, não havia luz elétrica, as relações sociais eram muito próximas, a capital era um lugar muito distante e praticamente inalcançável aos indivíduos comuns, e outros elementos que percorrem a narrativa refinadíssima de Caldeira Brant. Sem dúvida é uma das obras mais interessantes que já li pelo exotismo e peculiaridade, sem contar seu valor poético muito bonito, uma obra digna de Balzac no Brasil, mas acredito que traga uma legitimidade e autenticidade brasileiras que os românticos e realistas nunca conseguiram alcançar.
É difícil avaliar esse livro em estrelas. Gostei? Sim, mas gostei mais como retrato de um período, um documento histórico e os elementos que traz nesse sentido. Foi bem curioso encontrar certas expressões e questões similares às nossas. Mesmo porque Helena é e não é uma menina fora dos padrões - tanto pelo que eu entendo(ia) como padrões da época quanto pelos pequenos comentários feitos por outras pessoas e retratados em seu diário. Ela é mais "rebelde", extrovertida, cheia de opiniões, mas ao mesmo tempo muito religiosa. A obra também trouxe novos elementos para o que eu entendia por trabalho na mineração, por exemplo quais são as atividades comerciais e as relações de trabalho que vêm com a busca por minérios. Além disso, as questões políticas do período, embora não diretamente tratadas, aparecem aqui e ali e é bem interessante notar como disputas nacionais, por exemplo, se expressam no âmbito local. O racismo (mais) e o machismo (menos) aparecem e nos dão um belo de um tapa na cara, saindo da zona de conforto do retrato da vida (relativamente boa) de uma menina no interior de Minas Gerais. "Minha vida de menina" fornece, pelas observações de uma menina/adolescente, um retrato complexo da sociedade brasileira na região de Diamantina. As pessoas parecem reais, no sentido de que você conhece alguém parecido com um ou outro "personagem" (podemos chamar pessoas num diário de personagem?) - e isso me espantou. Mais de um século depois, fiquei com a impressão de que não mudamos tanto assim. Aviso: as entradas de Helena no diário são um pouco repetitivas e, por isso, essa leitura vale a pena ser feita de modo mais espaçado, do contrário, é um pouco maçante.
Obra para ser lida aos poucos, sem nenhuma pressa. É o relato confessional (real) de uma menina doce, esperta, com opiniões fortes e bem à frente do seu tempo, embora carregue toda a tradição de um povo que vive num Brasil rural do século XIX. Tem passagens muito divertidas, quando Helena comenta sobre a chatice das pessoas, sobre alguns rituais antigos e enfadonhos que ela, adolescente, era obrigada a fazer, sobre como ela achava chato ter que estudar e morria de inveja das alunas mais aplicadas. Enfim, uma típica jovem de 12 anos, que escreve até seus 15.
De fato é bastante chocante ler sobre pessoas sendo abertamente racistas (e o livro é carregado de racismo em todas as páginas), mas é preciso lembrar a todo momento que esse diário foi escrito apenas 5 anos após a abolição da escravatura e logo após o fim da Monarquia e início da República, sendo que os negros simplesmente não tinham um lugar para ir nem apoio do Estado, então ainda dependiam de suas "famílias empregadoras", digamos assim, e essas famílias, claro, traziam aquele racismo cordial, presente até os dias de hoje.
O mais interessante, do ponto de vista histórico, é que Helena consegue nos transportar para aquela época de maneira magistral. É possível identificar vários costumes de hoje que vêm daquela época, assim como conseguimos identificar várias pessoas de hoje que soam iguaizinhas a família e amigos de Helena. Recomendo!
Translated by Elizabeth Bishop A teenager records her day to day thoughts in this interesting glimpse of Brazil in 1893. “Helena” (alias for Alice Dayrell Brant) is half English, half Portuguese, and has an extended family. She is her Portuguese grandmother’s favorite and many of the incidents she relates revolve around her grandmother. Lots of interesting, sometimes amusing, anecdotes of this fairly spoiled, self-centered girl, and lots of detail of a small mining town in the Brazil of that time period. Also interesting is the glimpse of slavery in Brazil. The author depicts life on her grandmother’s farm in the 1890s, shortly after Brazil finally abolished slavery.
Somente lendo esta preciosidade para entender como um simples diário de uma menina no interior de Minas Gerais foi capaz de encantar grandes escritores e várias gerações, a partir da década de 40, quando foi publicado. É com suavidade e rebeldia, que Helena Morley, a pequena e inquieta descendente de ingleses, retrata a curiosa e rica vida da nossa querida e tradicional Diamantina no final do Século XIX. Cheia de esperança e vida, nos conta seus dias em tempos de grandes mudanças: o fim da mineração de diamantes e decadência econômica, o fim da Monarquia no Brasil e início da República, e a chegada de sua adolescência. Helena Morley, com sua sagacidade e desconcertante naturalidade, revela de maneira divertida as belezas e contradições de um lugar, de um tempo, e de suas pessoas.
(Review written to myself in 2002.) I read this book for a long time. It was the book in my car or in my coat pocket. It's about a young teen girl in a small diamond mining town in Brazil called Diamantina. It's a charming read filled with bits of daily life and the concerns of a young girl and her family. I enjoyed it a lot. There is something very life-affirming about it. I savored it and think I might miss it now that I've finished reading her daily updates about school, neighbors, crazy townsfolk, and her perception of religion and religious holidays, death and chores and especially her relationship with her grandmother. It's charm lies in the fact that it's very open and unselfconscious.
O livro é um retrato extremamente interessante do Brasil do final do século XIX. É fascinante poder ler o relato de uma menina de 13-15 anos e ter acesso à sua visão de mundo e pensamentos sobre temas tão complexos quanto a transição para a República e a precária situação dos negros no país logo após a abolição de 1888. Contudo, apesar de ser uma leitura rápida devido ao seu formato em diário e, consequentemente, a suas passagens curtas, o livro é um pouco maçante em alguns momentos e a leitura só pelo prazer da leitura não é particularmente agradável. Eu daria 3.5 estrelas pelo valor histórico da obra.
[...]" o bonito veve, o feio veve". Ela disse: É verdade,mas o bonito veve melhor" Comi estou hoje feliz de ter ficado bonita!
Tantas histórias anônimas de mulheres ou de relevo que se perderam na História por não serem consideradas " importantes ou de valor " que é quase miraculoso ter esse diário, com valor cultural,histórico e literário de uma jovem menina vivendo na cidade de Diamantina no fim do século XIX. É claro que ela dá um interessante contexto histórico/social bem interessante do lugar em que vivia, pois além de ser uma menina espirituosa e observadora, tinha acesso a uma certa educação graças a sua ascendência cultural inglesa que a influenciou a manter um diário. De festas religiosas,bailes,Carnaval,causos interioranos, política, culinária, o cotidiano e intimidade da família e amigos ou mesmo , e vida dos ex 3scravos,está é uma obra rica em detalhes. O que me fez rir e o aspecto que se destacou para mim foi a linguagem, tão mineires, ou brasileira, que ainda sobrevive, apelidos,diminutivos de carinho, a identidade do português brasileiro. E claro a vida de menina e sua relação complicada/ amorosa e inspiracional com outras mulheres do seu círculo, tão real.
Minha vida de menina é o que exatamente? É um diário? É literatura? Auto ficção? É talvez um pouco de tudo isso. Helena Morley é o pseudônimo de Alice Dayrell (1880-1970), mineira de Diamantina, que aos 12 anos foi incentivada pelo pai a manter um diário com as suas impressões do dia-a-dia. Ela faz isso com um texto muito saboroso. É o mundo do interior brasileiro (ou mineiro, mais precisamente) da última década do século XIX, tempos do início da república, ao mesmo tempo em que a escravidão tinha recém acabado. Ao mesmo tempo, é um Brasil rural, meio atrasado, materialmente pobre, mas meio ingênuo – talvez também coisa da adolescente, mas também muito bruto porque as marcas da escravidão estão por toda parte da vida cotidiana das pessoas. As entradas do diário acabam sendo pequenos ensaios. Ao mesmo tempo em que ela anota o aconteceu durante o dia, reflete sobre a sua família – bem grande – e ao mesmo tempo acaba por pensar sobre a própria vida. Eis alguns exemplos: “Eu acho que se fosse má seria mais feliz do que sou. Pelo menos não teria tanta pena de tudo como tenho, nem sofreria como sofro de ver os outros fazerem tanta maldade.” “O dia pior para mim é o dia seguinte a qualquer festa: mamãe é que tem pena de mim porque diz que eu não vou ser feliz com este gênio de querer aproveitar tudo, que a vida é de sofrimentos. Mas eu é que não serei tola de fazer de uma vida tão boa uma vida de sofrimentos”. Enfim, uma menina com um olhar muito agudo e muito atento para o mundo. Pode ser lido tanto do começo ao fim, quanto se escolhendo ao acaso alguma entrada do diário. Muito sensível, muito delicado, mas também muito profundo.
Livro da memória. Estou muito advogado deste livro. Eu o defendo pra todos que eu conheço. Uma delícia de ler, uma literatura muito acessível, com toques de antropologia e livro de história. Mas o que me fez advogado foi a memória mesmo. Dependendo da sua geração vai comparar as coisas de hoje com as coisas de antigamente, vai se lembrar de causos da sua própria vida, vai se relacionar com as situações pelas quais Helena passa e também vai poder se colocar de maneira diferente em relação a muito mito sobre como era a vida de antigamente.
This is a diary written by a 13-, 14-, 15-year old girl in 1893, '94, and '95. The girl lived in Diamantina, in the very rural Brazilian diamond-mining state of Minas Gerais (General Mines).
In the introduction the translator Elizabeth Bishop writes about meeting Helena Morley, later known as Dona Alice, in the 1950s. By then Dona Alice had become one of the most influential persons in Brazil due to her marriage to a bank president.
Her childhood is economically impoverished, but rich in connections to her family. She has many aunts and uncles, and whether they are really blood-related is not very important. Her father works in a series of diamond mines, always having to invest a little, and in the end not carrying away much in profit. He works several miles away from the family, mostly. And that's okay! Her mother and father's marriage is wonderful. The teenager describes the family trips to Boa Vista, where her father mines, and how happy her mother and father are to see each other. The family, including the kids, drink coffee all day long.
The teenage author is not trying to impart any wisdom. She's just writing about her daily experiences in Diamantina in the years 1893–95. She goes to school. She gets good marks, and she cares about that. She has boys express interest. She has one friend/neighbor/aunt who steals other neighbors' chickens, but she never steals Helena's family's chickens. And she has aunts and uncles who she hears things about.
Helena visits her grandma's chacara often. Her grandmother's land is such that you can go pick fruit off the trees in the grove on the property, but still walk into town easily.
And in the background, and sometimes the foreground, is the aftermath of slavery. Slavery was only abolished in Brazil in 1888, and like American slavery, it was race-based. Unlike the U.S., slavery in Brazil ended by statute. When this diary was written, the society was in the immediate aftermath of emancipation. Some Black people have left grandma's chacara. Others have stayed.
Elizabeth Bishop lived for many years in Petropolis, Brazil. The translation is beautiful and clear.
Nos diários de Helena, constrói-se uma menina que inquieta, sagaz e atenta para as mudanças políticas e os costumes do tempo antigo (expressão que Helena, assim como meu avô, usa, apesar de eles se referirem a épocas diferentes). Assim como Sybylla, de My Brilliant Career, a narradora demonstra sensibilidade e inteligência, apesar de que, mesmo ambas vindo da parte mais pobre da família, o ponto de vista é o dos privilegiados. Achei a maioria das histórias divertida, retratando a vida na casa da avó, com as vizinhas, com as primas, na escola, na igreja, falando também da mineração, da abolição, das festas religiosas e do sonho de ir ao baile de carnaval.
'Eu ainda me lembro de quando chegou a notícia da Lei de Treze de Maio. Os negros todos largaram o serviço e se ajuntaram no terreiro, dançando e cantando que estavam livres e não queriam mais trabalhar. Vovó, com raiva da gritaria, chegou à porta ameaçando com a bengala dizendo: "Pisem já de minha casa pra fora, seus tratantes! A liberdade veio não foi pra vocês não, foi pra mim! Saiam já!" (...)'.
Retrato da vída íntima da autora em Diamantina entre 1893 e 1895 - dos 13 aos 15 anos, Minha vida de menina foi concebido como diário e apenas veio a público em 1942. Fonte documental de um Brasil em fins do século XIX, o livro tornou-se um marco, conquistando nomes como o mineiro Carlos Drummond de Andrade e a poeta americana Elizabeth Bishop (esta, autora de uma tradução da obra para o inglês).
As consequências imediatas da abolição da escravatura, a mineração em decadência, o surgimento de novas formas de trabalho e o alvorecer da República brasileira: tudo é retratado com clareza por Helena - em sua ótica de moça branca e privilegiada, por óbvio. Os pensamentos e causos da própria autora - ainda que contaminados pelo repulsivo senso de superioridade decorrente de sua posição -, propiciam bons momentos de descontração.
The various introductions to this book ended up interesting me more than then book itself. To be fair, it was not written for me as an audience. If you are interested in turn-of-the century Brazil, or how life was for a teenager back then, this may be the book for you. I tired soon of the descriptions of "funny" things done by Helena's cousins/servants/neighbors, and the inner workings of the pre-electronic teenager mind. I would be interested in someone doing a comparison between this and Anne Frank to look at how trauma and tragedy can affect what is written in a diary. (Full disclaimer: I did not actually finish the book)
I read this book for my 3rd year -and last- of high school (or was it the 2nd, 90% sure it was 3rd) ...anyways... It was boring, but so passages was REALLY interesting, so the feeling is totally mixed, but it surely is one of the books that you feel it was good once you finish reading, like the boring, and almost killing tedious part didn't exist or were minimal, compared to the passed reality (lol/kkk), in other words I guess it was worth it I read it for my Portuguese/Literature class The historic accuracy that it passes to you through the reading is impressive
Escrito em forma de diário, Minha vida de menina, é um livro doce, que conta, através dos olhos da adolescente Helena, cenas do cotidiano do Brasil, que acabara de abolir a escravidão e tornar – se uma republica. É uma leitura bastante agradável, elogiado por autores consagrados, como Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. O nome verdadeiro de Helena é Alice Dayrell Caldeira Brant.
Panorama histórico, é o que posso dizer. O diário é bem simples, com os relatos da vida em Diamantina e nos arredores, as prosas da família e a indignação de Helena com a escola e com as provas. Por isso mesmo, Minha Vida de Menina foi publicado. São relatos que apresentam o cotidiano de um Brasil recentemente republicano e liberto da escravidão. É uma leitura tranquila, e vale a pena ler sem pressa.
a maneira com que ela escreve quase diariamente os acontecimentos da vida em diamantina é um retrato muito único e simbólico do brasil na transição do século xix para o século xx. eu, tendo conhecido esses lugares que ela descreve, me sinto ainda mais parte da história do brasil sob o olhar de uma menina de 15 anos, descendente de ingleses, num cenário de decadência da exploração de diamante e mudanças políticas na recém inaugurada república brasileira.
Fornece uma perspectiva do final do séc xix a partir da visão de uma adolescente, mas pouca coisa me surpreendeu. As comunidades rurais permanecem com forte caráter escravista, todo o círculo social da protagonista é extremamente racista, inclusive ela, embora por vezes negue avidamente, demonstrando de certa forma sua hipocrisia.
“Minha Vida de Menina” é um gracioso livro narrado pela invulgar jovenzinha Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant. Sob as contemplações espirituosas de Helena, o livro revela-se ricamente histórico, apresentando o cotidiano de famílias diamantinenses do século XIX. Esta leitura foi uma gentil surpresa no começo de meu ano, és uma prazerosa leitura. ♡
A look back at a lost world. The diary of a teenaged girl in late 19th century Brazil. As a diary, not a memoir, it is disjointed and the numerous characters are a bit hard to follow but you cannot help but be uplifted by her joi de vivre. A vivid story need.
Um livro incrível. Sou chegada a livros de relatos e diários, mas esse em especial mostra uma família interessante e uma filha mais interessante ainda. Helena (ou Alice) tem uma escrita incrível, é divertida e o livro fluiu muito bem. Recomendo para todas as idades!
Eu amei em todos os sentidos, por conseguir ler o diário dessa doce e inteligente menina que mostra várias vezes estar acima e dentro do seu tempo. Especialmente, destaco o fato do romance ser um diário, porque me fez ser uma confidente dessa brasileira de Diamantina.
This book is based on a young woman's journal from the late 1800s, but doesn't really provide any insights into the writer's personality. Not worth finishing.