As mais recentes descobertas da neuropedagogia mostram tanto que inteligência se aprende quanto que o processo de aprendizagem ocorre no momento do estudo solitário e não durante as aulas. Por isso, o papel da família torna-se crucial e muito mais importante do que se presumia até pouco tempo atrás.
Pierluigi Piazzi é professor de um dos maiores cursinhos pré-vestibulares de São Paulo. Formado em física pela Universidade de São Paulo, tem viajado por mais de 10 anos pelo Brasil visitando centenas de escolas para ministrar palestras para alunos, pais, professores e coordenadores, ensinando como os erros comuns ao viciado processo de ensino brasileiro podem ser evitados. Desde 1980, o prof. Pier é membro da Mensa, organização internacional reconhecida na América do Norte e na Europa, e praticamente ignorada no Brasil por algumas "autoridades de ensino", por ser uma instituição que se dedica, conforme consta em seu estatuto, a "identificar e cultivar a inteligência humana para o benefício da humanidade, proporcionar um ambiente social e intelectualmente estimulante para seus membros e encorajar pesquisas sobre a natureza, características e usos da inteligência".
1. Uma nação que não lê é uma nação intelectualmente defasada. 2. O ambiente familiar molda o comportamento do aluno, e a cobrança para que ele seja um bom estudante deve vir primeiro dos pais, o núcleo familiar é mais fácil de mudar do que o estudantil. 3. Os alunos e professores tem uma tremenda ilusão de competência a respeito dos estudos, somos uma nação que não sabe estudar e por isso somos defasados em quase quaisquer índices comparativos internacionais relacionados ao IDH
# 🎨 Impressões
É mais um livro muito bom da coleção, para mim foi um tanto repetitivo, achei o terceiro e o primeiro mais diretos ao ponto e com menos achismos, mas de qualquer modo a recomendação de leitura ainda é alta. Provavelmente eu não tenha vista tanta coisa de nova nessa discussão dessa parte da obra em específico porque esgotei todas as palestras do Pier que estão disponíveis no Youtube.
## Quem deveria ler?
Aos pais e mães, futuros ou já atuantes de "estudantes" nesse Brasil, e a qualquer um que deseja começar a conhecer o motivo do nosso sistema educacional ser terrível.
# Thoughts and frases
- Se você está perdendo o jogo não precisa mudar os jogadores, mude as regras do jogo. - Pierluigi Piazzi - A avaliação do governo da própria edicação nunca é confiável, é sempre autopromoção. Exames como o PISA são mais verossímios. - A existência dos cursinhos atesta a falha do sistema educacional brasileiro que cobra notas, presença, bons alunos ao invés de bons estudantes. - Nunca é de interesse de nenhum partido criar uma geração de políticos e eleitores inteligentes.
### 3 pontos a serem considerados:
1. Alunos(inclusive adultos) não sabem se comportar em sala de aula. O professor tem papel de instrutor, educador é pai e mãe. 2. Os alunos(inclusive adultos) não sabem estudar. O sistema dá importância para a nota/avaliação e não para o real desempenho de competências, o sistema foi desenhado assim. 3. Os alunos(inclusive adultos) não gostam de ler livros.
> Aqui abro um parênteses para uma reflexão que o professor Clóvis trouxe ao participar do Flow Podcast, a instrumentalização do ensino. A escola acaba sendo um meio para chegar ao vestibular, ao mercado de trabalho, e isso é reduzir a educação a apenas uma parcela ínfima da sua importância e significância. O prazer é aprender, é a aula, é ter a liberdade trazida pelo conhecimento, e infelizmente não existe o entendimento da classe docente dessa discussão, pregam a instrumentalização do ensino, a coisa está tão mal elaborada e executada que os professores precisam justificar a educação por meio de algo que está fora dela!
- A falta de disciplina instaurada nas escolas leva à indisciplina social que vemos hoje, com a escola passando a lidar com problemas advindos do lar.
Esses dois prints das páginas do livro demonstram duas ideias interessantíssimas(que preciso estudar mais a respeito inclusive)
A primeira refere-se a noção de equilíbrio estático e dinâmico(lembro do que penso sobre que as pessoas muitas vezes não mudam porque estão desconfortáveis mas não o suficiente para que mudem o seu meio e a si), e o professor aconselha que as vezes "traumas" induzidos pelo estudante ou um tutor farão que ele se adapte a um novo patamar de equilíbrio, porém se bem direcionado a um patamar intelectual superior, um mau tutor coloca o aluno em uma posição pior que a encontrada.
O segundo print fala sobre uma pesquisa de um psiquiatra ou psicólogo(não me recordo o nome, precisa consultar no livro) a respeito de como os estímulos devem ser direcionados de modo ao aprendizado não ser nem angustiante nem chato.
Conteúdo pertinente para pais que se preocupam com a formação de seus filhos. Apesar do conteúdo pertinente, o livro é repetitivo em suas 167 páginas, girando sempre nos principais conceitos que são: o sistema de estudar para buscar notas é falido; melhor maneira de aprender é estudando através de maneira ativa (lápis na mão, escrevendo, de maneira individual, todos os dias - "aula dada, aula estudada hoje") e; a importância dos pais se aproximarem das escolas para co-construir um ambiente de ensino e aprendizagem efetivo.
Na essência do processo de aprendizagem efetiva está a disciplina (e é basicamente sobre este conceito que o livro apresenta seu conteúdo). Por fim, destaca sistemas de ensino como o finlandês e reforça que estudar rotineiramente + ter o hábito da leitura para toda a vida + reduzir distrações como televisão e internet (em seu lado "ruim") é a chave para estudantes de sucesso.
Assim como o primeiro volume da série (Aprendendo Inteligência), o livro apresenta alguns conceitos e ideias interessantes, e consegue, com sucesso, apontar causas importantes da falência do modelo educacional brasileiro. Da mesma forma um pouco infantil do primeiro volume, o autor sempre se coloca em uma posição de autoridade intelectual e ego inflado sobre o assunto discorrido, o que torna a leitura um pouco arrastada. O uso excessivo de exclamações e a citação de estudos com ausência de referências claras e objetivas, tornam certos apontamentos dignos de descrédito. Mais uma vez, a leitura é válida e interessante, desde que você tenha espírito crítico e capacidade de filtragem.
Uma boa introdução à neurociência e hábitos de estudo. Mesmo achando que o professor Pier pesa a mão algumas vezes não tenho dúvidas de que valha a pena ser lido.