Passados dez anos sobre a Cimeira da Lajes e o envolvimento português na preparação da intervenção no Iraque, importa perceber as razões que levaram à decisão de Lisboa e as motivações que justificaram o papel de Durão Barroso como anfitrião do encontro entre George W. Bush, Tony Blair e José María Aznar. Envolta em polémica internacional, dúvidas permanentes, certezas absolutas e num debate aceso que redefiniu alinhamentos entre países, a decisão portuguesa nunca foi explicada com o rigor que esse protagonismo exigiria. A intenção com este trabalho é contribuir para o entendimento de uma decisão da política externa portuguesa, a mais polémica das últimas décadas, um processo que extremou posições no interior do consenso partidário, mostrou uma tensão entre órgãos de soberania e acabou por conduzir a quatro moções de censura simultâneas ao governo. Tudo isto sobre uma matéria de política externa. Nunca tal tinha acontecido na democracia portuguesa.
BERNARDO PIRES DE LIMA nasceu em Lisboa, a 19 de Julho de 1979. É investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (UNL), do Centro para as Relações Transatlânticas da Universidade Johns Hopkins, em Washington, e colunista de política internacional do «Diário de Notícias». Foi investigador do Instituto da Defesa Nacional, comentador residente da Rádio Renascença e TVI 24, e colunista do jornal «i». As suas opiniões têm aparecido com frequência na imprensa nacional e estrangeira, nomeadamente na SIC Notícias, RTP Informação, TSF, Antena 1, RFI, Deutsche Welle, «The Huffington Post», «The National Interest», «The Diplomat», «Hurriyet Daily News» e «Majalla Magazine». É autor de A Cimeira das Lajes: Portugal, Espanha e a Guerra do Iraque (Tinta-da-china, 2013); Blair, a Moral e o Poder (Guerra & Paz, 2008) e A Síria em pedaços (Tinta-da-China, 2015).
Excelente ensaio sobre os jogos de poder que antecederam a realização da cimeira com um excelente ponto de visto sobre as tensões que se viveram no sistema semipresidencialista.