“[...] O inconsciente do qual vamos tratar é aquele que leva o ser falante a responsabilizar-se pela invenção de seu estilo singular de usufruir de seu corpo e de sua vida. No discurso da psicanálise difundida nos meios de comunicação, responsabilidade e inconsciente não são termos que aparecem conjugados, chegando a ser considerados excludentes. Assim, a responsabilidade estaria associada à consciência plena e onde houvesse inconsciência não poderia haver responsabilidade. Diante de um ato que cometeu – voluntária ou involuntariamente – e sobre o qual estranha a própria participação, é comum a pessoa ‘Só se foi o meu inconsciente’. No século xxi, o psicanalista que acredita no inconsciente irresponsável não trata o sintoma e não cura. É urgente considerar a responsabilidade pelo que é inconsciente, pois já não podemos mais contar com as ficções – tais como a do mito paterno – que, até o século passado, nos permitiam escapar, ‘Foi por causa de papai’. Também a clínica psicanalítica, por essas mesmas razões, atravessa um novo momento. […]”
Jorge Forbes é um médico psiquiatra e psicanalista brasileiro, especialista em Jacques Lacan, foi um dos introdutores do ensino dele no país. Frequentou seus seminários em Paris, de 1976 a 1981. Um dos criadores da Escola Brasileira de Psicanálise, da qual foi primeiro diretor-geral e presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana. É mestre em Psicanálise pela Universidade Paris VIII, doutor em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e também doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo.
Desenvolveu o projeto do programa TerraDois na TV Cultura e preside a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano da USP desde 2006.
“Por nossa posição de sujeito, somos sempre responsáveis.”
Fui pegar um livro com uma proposta de uma psicanálise mais atual e me deparo com grandes conceitos lacanianos que, sem saber, estavam contidos em toda abordagem e manejo da minha última terapeuta. Agora me encontro aqui querendo me aprofundar ainda mais nessa psicanálise tão fenomenológica. Puro século XXI.