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Originalmente publicado em 1965 e considerado um marco na moderna literatura portuguesa, este romance-poema faz parte da chamada Trilogia Lusitana e influenciou, entre outros, Raduan Nassar, no seu Lavoura arcaica. Dividido em três partes (Manhã, Tarde e Noite), A Paixão se desenrola durante a Sexta-Feira Santa, numa propriedade rural do Alentejo, sul de Portugal. O autor dá voz aos diversos habitantes da pai, mãe, filhos, empregados. Os fluxos de consciência se alternam, assim, a cada capítulo, e compõem uma verdadeira sinfonia polifônica, de orquestração magistral.

160 pages, Hardcover

First published January 1, 1965

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About the author

Almeida Faria

35 books19 followers
ALMEIDA FARIA nasceu em Montemor-o-Novo, a 6 de Maio de 1943. Em Lisboa frequentou as Faculdades de Direito e de Letras, sendo licenciado em Filosofia, e é actualmente professor de Estética na Universidade Nova de Lisboa. Viveu como escritor residente (1968-69) nos Estados Unidos (International Writing Program, Iowa City) e em Berlim, onde fez parte do Berliner Künstlerprogram no qual participaram, entre outros, Gombrowicz, Michel Butor, Peter Handke e Mario Vargas Llosa. Tem colaborado em diversas publicações colectivas, nomeadamente em revistas alemãs, brasileiras, francesas, holandesas, italianas, suecas e norte-americanas. Os seus romances foram objecto de várias teses universitárias em Itália, Holanda, Brasil, França e, mais recentemente, também em Portugal. Em 1979 seleccionou e traduziu Poemas Políticos de Hans Magnus Enzensberger.

Ficcionista e ensaísta, Almeida Faria obteve o Prémio Revelação de Romance da Sociedade Portuguesa de Escritores com o livro Rumor Branco (1962), confirmando depois a sua maturidade literária com A Paixão (1965), primeiro romance de uma «Tetralogia Lusitana» de que fazem parte Cortes (1978) – Prémio Aquilino Ribeiro da Academia das Ciências de Lisboa, Lusitânia (1980) – Prémio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus, e Cavaleiro Andante (1983) Prémio Originais de Ficção da Associação Portuguesa de Escritores. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas.

Almeida Faria publicou ainda o conto Os Passeios do Sonhador Solitário (1982) e o ensaio Do Poeta-Pintor ao Pintor-Poeta (1988). O seu último romance, O Conquistador, foi dado à estampa em 1990. Em 1997 adaptou ao teatro o romance A Paixão, sob o título Vozes da Paixão (1998), peça que não pretende ser subsidiária do romance, até por ter sido escrita em verso livre. Nesse mesmo ano, foi estreada em Lisboa no Centro Cultural de Belém. Em 1999, na colecção "Caminho de Abril", publicou a peça intitulada A Reviravolta.

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Community Reviews

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9 (5%)
1 star
6 (3%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
785 reviews145 followers
January 17, 2024
Este livro é uma pequena maravilha. Mas basta só imaginar que foi escrito aos 22 anos para nos deliciarmos com a obra do autor.
Profile Image for Sara Jesus.
1,683 reviews123 followers
November 20, 2020
Um romance reflexivo e muito ligado a natureza.
Uma história de uma família que vive paixões avassaladoras
Capítulos curtos e poéticos
Lisboa, Alentejo e Évora são cidades que são descritas ao longo do livro
" A paixão " marca pela originalidade e diferença!
Profile Image for Margarida Galante.
467 reviews44 followers
January 16, 2024
Romance publicado em 1965, faz parte da Tetralogia Lusitana que inclui ainda os romances "Cortes", "Lusitânia" e "Cavaleiro Andante".

A acção desenrola-se num dia, numa sexta-feira santa, e o livro divide-se em três partes, manhã, tarde e noite. As personagens, que vamos conhecendo na primeira parte como narradores, são uma família abastada, pai e mãe, os seus cinco filhos, duas criadas da casa e um empregado da herdade.

A escrita é poética, cheia de metáforas e outras figuras de estilo que, principalmente nas descrições da natureza, resulta em imagens muito bonitas. Mas é uma escrita difícil. A utilização constante do fluxo de consciência e as frases longas com pouca pontuação, dificultam a compreensão, sendo necessário voltar atrás e recorrer à leitura em voz alta. É um livro pequeno que pede uma leitura atenta e lenta.

O conhecimento do contexto histórico é importante para entender o ambiente presente neste romance. Uma época marcada pela estagnação do regime, pelo atraso e pela diferença de classes, mas também pelo início de alguma revolta e vontade de mudança. O declínio da família abastada, no que diz respeito à fortuna e bens herdados, e a posição de um dos filhos face à repressão do regime, adivinham ventos de mudança.

Seguirei para a leitura do segundo volume da tetralogia com boas expectativas.
Profile Image for Telma Castro.
132 reviews6 followers
March 26, 2024
A Paixão, primeiro volume da tetralogia Lusitana, é passado numa sexta-feira santa, onde se cumpre o ciclo de um dia: manhã, tarde e noite. Vamos vagueando pela luz e pelas trevas de dez personagens (mãe, pai, cinco filhos, duas criadas e um antigo servo). Os discursos são variados: ora mais amargurados, ora resignados; outros existencialistas; uns mais pueris salpicados de esperança; outros a caminho do abismo, numa estrada de sentido único.

Retrata um período obscuro da ditadura portuguesa, onde se viviam tempos conturbados, parcos em liberdade; embalsamados num universo mortiço, "num ambiente frio, que nenhum fogo acende".

Tal como Portugal, crucificado numa ditadura, cada uma das personagens carrega o seu fardo, abismando-se do seu fado nesta Sexta-feira da Paixão. Temos um país, em modo de espera, da tão ansiada aleluia, com esperança na ressurreição.

Este livro é um tesouro literário. Há um domínio exímio da língua portuguesa. E, espantem-se, foi escrito aos vinte e dois anos, por Almeida Faria. A linguagem é poética, recheada de arcaísmos e ricamente estilística. É uma leitura desafiante, que requer ao leitor vagar para poder apreciar dignamente esta beleza e saboreá-la.
A salientar o pertinente prefácio de Oscar Lopes, que para mim foi posfácio, de forma a não interferir no processo de leitura.
Recomendo muito.
Profile Image for Fernando Neri.
17 reviews1 follower
March 6, 2018
Não é atoa que em uma reportagem de TV portuguesa Almeida Faria tenha dito que seu livro inspirador nos tempos que escreveu este livro seja Ulisses de Joyce, assim como este, A Paixão se passa na sexta feira santa (ou como ele mesmo diz sexta-feira de trevas) e dividido em três partes: manhã, tarde e noite, e em 50 breves capítulos.

O autor diz em suas entrevistas que esse livro foi escrito em um momento de trevas em Portugal (a ditadura de 48 anos) e que ele de certa imprimiu neste livro certa revolta (que confesso, talvez por inexperiência minha na leitura, tenha encontrado pouco).
O livro é uma obra prima, mas como outras opiniões aqui exprimidas, um livro que requer muita concentração. E poético e desafiador. Excelente para se conhecer mais sobre a literatura portuguesa.
Aquele livro que você termina e (pelo menos para mim) sente que não o desvendou por completo, necessitando de outras leituras futuras.

Recomendo uma leitura sem pressa, apesar de ser um livro curto.
Profile Image for Jose Garrido.
Author 2 books21 followers
August 25, 2025
Cada vez estou mais convencido de que há que tomar sempre com um grãozinho de sal as classificações estratosféricas que se atribuem a certas obras...
Desconhecia por completo o autor e a sua obra. Quando li “marco na moderna literatura portuguesa” e “romance-poema” fiquei curiosíssimo. Lamento sempre o quanto ainda me falta conhecer da literatura portuguesa do século XX e a frequência com que se encontra indisponível…
Eu, homem do marketing, caí que nem um patinho. Quando li também que influenciou Raduan Nassar, no seu Lavoura arcaica, deveria ter desconfiado. Deveria ter consultado as minhas notas – o que não fiz.
Quiçá se não viesse acompanhado de tantos encómios teria apreciado mais: tenho quase a certeza.
Não encontrei nada de errado na ‘Paixão’ – como poderia? – mas o marco da moderna literatura escapou-me e continuo a ignorar o que é um romance-poema.
Ainda assim gostei mais do que do ‘lavoura’.
Ler, viver e aprender…
Profile Image for Paulo Bugalho.
Author 2 books72 followers
August 13, 2024
Tenho tanta pena. Vinha tão lançado de Rumor Branco, sempre a perguntar-me porque é que não avançava para o resto da obra. Algo me avisava. Dir-me-ão, ah, mas era muito novo e conseguir, com essa idade, fazer algo tão diferente da literatura de então, e etc. Mas esse era precisamente o milagre: não termos de dar o desconto porque tudo parecia tão bom e novo. A gente espanta-se, como com Raduan Nassar, como foi possível ter começado tão bem e depois desistido. Mas então percebe. É que isto já começava no seu próprio esgotamento. É que o autor, a bem dizer, não queria escrever romances. Não se interessava assim tanto por personagens e o que se interessava pelo país não era suficientemente forte para produzir dele uma imagem definitiva. Como conservar o entusiasmo perante tanta imperfeição, como aceitar a complexidade deste modernismo sem termos de volta mais força, mais vincos? Não sei. Mas não é nada difícil perceber a diferença entre um começo espantoso, que logo se esgota por ter aprendido tudo e mostrado de uma vez, e a intensidade permanente de Maria Velho da Costa, que pega neste momento e faz dele a mais bonita das catedrais. Digo eu.
Profile Image for Lee.
171 reviews
October 8, 2016
"Jó vivia para dentro, o seu medo era outro, pertença só desses sonhos despertos, dos sonhos vigilantes; no seu medo não cabia o que era do medo externo, do medo real dos homens, do fogo, violência ou guerra; porque era bem uma guerra, essa que ali corria; guerra de morte entre homens e os seus sonhos de terra; entre dinheiro, fortuna e a vida futura; o seu era um fogo íntimo, numa floresta interior"
Profile Image for Bárbara Sofia .
86 reviews
May 1, 2024
QUE LIVRO BOM!!!!!
Amo a minha professora de literatura, de facto, só ela me podia ter feito encontrar este livro.
Profile Image for Inês  Fonseca.
132 reviews
July 16, 2024
É um livro atemporal, daqueles em que a carapuça se adapta a cada cabeça. Fala sobre a arte do renascer, de se revolver e recriar quando a morte (mental principalmente) bate à porta.
Os meus caros colegas de turma deram esta obra numa cadeira que eu não tive, e lembro me de lhes perguntar no final de cada aula como tinha sido, se tinha gostado e sobre que falava o livro. Um deles dizia me que estava a odiar, que não entendia nada; outra dizia me que estava a amar, que era arte. Adivinhem qual deles não percebeu que a carapuça lhe serviu tão bem.
Há imensas críticas à sociedade envolvidas, que fazem questionar como é que este homem escreveu isto na década de 60. Este livro namora com a minha inveja: quem me dera ter sido eu a escrevê-lo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for António Esteves.
197 reviews10 followers
March 26, 2023
Romance/ensaio de grande riqueza linguística.
Um dia (sexta-feira santa) de várias personagens, dividido em três espaços temporais, manhã, tarde e noite.
Escrito numa linguagem intimista, vemos descritos os anseios, preocupações e os seus desejos.
Almeida Faria tem uma forma de escrever semelhante a António Lobo Antunes mas sem as várias camadas que ALA costuma empregar.
Profile Image for carolina.
50 reviews
Read
August 17, 2023
Os últimos 3 capítulos deste livro são o seu pico em termos de escrita; são lindos, poéticos e uma espécie de reflexão final que reflete (desculpem-me o pleonasmo) o todo do livro tão bem. Não gostei tanto de nenhuma outra parte de A Paixão como do final.
Profile Image for Sofia.
46 reviews1 follower
Read
June 19, 2021
Não consegui terminar pois chato
Displaying 1 - 17 of 17 reviews

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