Vasco Pulido Valente é, de longe, o colunista mais influente do país – escreve sobre políticos e sobre partidos; sobre economia e sobre empresários; sobre pequena e grande corrupção; sobre terrorismo e sobre religião; sobre desporto, jornalismo, educação e costumes. E é o colunista mais influente do país há muito tempo. Nas crónicas reunidas em De Mal a Pior, escreve sobre inúmeros primeiros-ministros, sobre vários presidentes da República, sobre três papas. Escreve também sobre si próprio. Vasco Pulido Valente recusa aceitar mansamente a forma como o Estado pretende mandar na vida de todos, proibindo o tabaco, combatendo a comida pouco saudável ou forçando cada pessoa a zelar pelo seu corpo, quer queira quer não. Ao constatar que, na sociedade actual, «o indivíduo morreu», protesta e lamenta: «Não fui feito para isto». Nada que deva espantar muito. Num outro livro de crónicas, Vasco Pulido Valente já tinha avisado: «Eu sempre fui assim».
VASCO PULIDO VALENTE nasceu em Lisboa, a 21 de Novembro de 1941. Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e doutorado em História pela Universidade de Oxford, é Investigador-coordenador do Instituto de Ciências Sociais (ICS-IUL). Leccionou no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Foi Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro e Secretário de Estado da Cultura no VI Governo Constitucional (1980-1981) e deputado à Assembleia da República (1995). Colunista dos jornais Expresso, Diário de Notícias, A Tarde e O Independente. Comentador da T.S.F., da Rádio Comercial e da TVI. Foi ainda co-argumentista dos filmes O Cerco, de António da Cunha Telles (1970) e Aqui d'El Rei!, de António Pedro Vasconcelos (1992) e argumentista do filme O Delfim, de Fernando Lopes (2002). Publicou, entre outros, Os Militares e a Política: 1820-1856 (1997); A República Velha: 1910-1917 (1998); Glória (2001); Marcelo Caetano: As Desventuras da Razão (2002). Faleceu a 21 de Fevereiro de 2020.
Concorde-se ou não com as ideias e ideologias do Vasco Pulido Valente, é inegável a sua habilidade para a escrita, a sua coerência em muitos assuntos, a sua eloquência e clareza de discurso. Certamente que vai ficar na história como um dos maiores cronistas portugueses de sempre.
É animador ler esta compilação de crónicas, pois além da escrita brilhante, Vasco Pulido Valente (apesar de ser considerado muitas vezes como "um velho do Restelo") sempre foi rebelde e corajoso - abordando os temas sobre os quais ninguém queria falar. E nesta altura, em que o politicamente correto é a nova religião e em que ninguém toma posições - ler esta coletânea faz ainda mais sentido.
O livro é uma colectânea de crónicas, ordenadas por temas. De Durão Barroso a Pedro Passos Coelho, de João Paulo II a Francisco o livro atravesso o fim do século XX e o inicio do século XXI. Inteligente e mordaz VPV explica os factos e revisita o passado para explicar o presente.
São crónicas dos mais variados temas, algumas mais interessantes, outras menos, com as quais concordo mais ou menos. Sinto que poderia ser uma seleção mais curta das crónicas, chega a certo ponto em que se torna muito repetitivo
Lúcido, crítico e mordaz sem olhar a quem. Para quem não se recorda, ou para aqueles que não lhes convém recordar, é extraordinariamente esclarecedor relativamente a acontecimentos das últimas décadas e ao passado de algumas personalidades medíocres que agora estão nos altares, e não me refiro apenas ao incompetente indeciso do “Gutierrez”. Os ciclos repetem-se, ele como historiador sabia-o muito bem, esperemos que o futuro nos dê outro Vasco que este, infelizmente, já se foi.