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Racismo em Português: O Lado Esquecido do Colonialismo

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Os portugueses terão sido mais brandos e menos racistas do que as outras potências coloniais?
A partir de inúmeras entrevistas feitas em Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Joana Gorjão Henriques desconstrói o tema tabu do racismo no colonialismo português.

Inclui CD-ROM

230 pages, Paperback

Published June 1, 2016

10 people are currently reading
519 people want to read

About the author

Joana Gorjão Henriques

3 books34 followers
"Entrei para o PÚBLICO, no final de 1999, para estagiar na Cultura, onde fiquei durante dez anos, cobrindo um pouco de tudo e muito de teatro. Nessa altura, as vozes de contestação às medidas dos ministros eram diárias e a cobertura da política cultural intensa. Ao mesmo tempo, sempre escrevi sobre outras áreas. Em 2007 participei no lançamento do novo Ípsilon, onde estive como editora adjunta até 2009. A seguir fiz uma pausa na profissão e no país. Primeiro, ganhei a bolsa de um ano da Nieman Foundation for Journalism na Universidade de Harvard, EUA; depois, fui estudar Sociologia na London School of Economics, em Londres, e nesses dois anos foi quase como aprender tudo de novo. Desde o meu regresso em Julho de 2011 que escrevo sobre várias áreas, cá dentro e lá fora."

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Displaying 1 - 26 of 26 reviews
Profile Image for Bea.
31 reviews3 followers
November 28, 2023
em vez das falsas e desculpabilizadoras narrativas sobre o colonialismo português não ter sido "assim tão mau" porque "os espanhóis foram piores" ou em vez de discursos paternalistas de "coitados... se não fôssemos nós hoje não teriam nada" ou as narrativas que nos contam na escola do "grandioso período dos Descobrimentos" com frases nos livros que misturam "açúcar, escravos e especiarias" como se fosse tudo igual, em vez dessas narrativas fabricadas é urgente falar do colonialismo português como ele foi: uma história de exploração, ocupação, apartheid, violação e destruição. está aqui tudo, neste livro.

a versão praticamente integral pode ser lida aqui - https://acervo.publico.pt/racismo-em-...
Profile Image for Elga Fontes.
82 reviews158 followers
March 23, 2021
Este livro nasceu de uma reportagem publicada pelo jornal Público. Através de uma investigação histórica e do recolhimento de diversos depoimentos, reconstituiu-se o trajeto colonial de Portugal em Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique. ⁣

Um golpe profundo ao mito do “bom colonizador” que até hoje mancha a percepção histórica dos portugueses e um impulso para um maior entendimento das consequências resultantes das políticas coloniais que perduraram nas antigas colónias durante séculos.⁣

Os testemunhos aprofundam uma realidade frequentemente rejeitada pelos manuais de história, desde a criação do estatuto de índigena em Angola ao modelo de apartheid em Moçambique. Foi uma leitura enriquecedora em muitos aspectos. Serviu para denunciar, questionar, aprender e refletir. ⁣

Cumpre o dever de contextualizar uma problemática que, tão convenientemente, tende a desvalorizar as suas raízes lusitanas para preservar o argumento indefensável de que Portugal e Racismo são conceitos incompatíveis. A informação é uma das maiores armas da luta anti-racista, porque a partir do momento em que nos dispomos a aprender sobre o passado, criamos as condições para a salvação do futuro.⁣

(opinião completa em www.quemmelera.pt)⁣
Profile Image for Joana.
370 reviews
March 21, 2021
Outro livro muito interessante desta autora. Sendo verdade o que está escrito neste livro, nós portugueses não fomos muitos diferentes dos americanos a tratarem a população negra como habitantes de segunda.
Realmente, está explicado o facto de as antigas colónias portuguesas quererem a independência.
Profile Image for João.
64 reviews
September 26, 2021
Um conjunto interessante de entrevistas a pessoas, nacionais de 5 ex-colónias Portuguesas em África, sobre qual a sua visão do racismo nos seus países de origem. As pessoas entrevistadas representam várias idades, profissões, géneros e raças. Falam de qual foi o impacto das políticas coloniais de Portugal nos seus países, e como é que essas políticas se reflectem nos dias de hoje.
Um livro muito bem escrito e bastante revelador.
Profile Image for Lorena.
70 reviews15 followers
July 3, 2020
Uma colecção de relatos e testemunhos na voz das pessoas que mais interessam: as que foram vítimas ou as que continuam a ser vítimas da discriminação. Um dos aspectos mas interessantes foi a questão da glorificação da cultura eurocentrista por parte de algumas destas nações africanas, ainda hoje fortemente sentida. Nascendo e vivendo a vida toda na Europa, torna-se difícil termos a percepção do forte impacto que o eurocentrismo e o ocidentalismo continuam a ter em muitas culturas intercontinentais. Esta standardização e globalização da cultura ocidental traz com ela tristes consequências—idiomas perdidos, tradições desprezadas, culturas esquecidas, um mundo onde nada nem ninguém se destaca, onde choques culturais tendem a ser cada vez menos, e menos acentuados.
Profile Image for Joana Pereirinha.
37 reviews4 followers
January 7, 2021
Este livro é um conjunto de entrevistas a pessoas de várias gerações de cinco ex colónias. É um livro fundamental para entender o colonialismo e o racismo nestes países, principalmente porque nada disto é dado na escola. O único ponto negativo que encontro no livro é o facto de as vezes ser difícil distinguir as diferentes entrevistas. Mas em resumo muito interessante.
8 reviews
March 31, 2024
És português e não aprendeste muito sobre racismo nas ex colónias na escola? Lê este livro e prepara-te para levares com uns pontapés na cabeça.
Profile Image for Jorge Pinto.
Author 5 books100 followers
July 17, 2016
Racismo em português - O lado esquecido do colonialismo junta os textos e os vídeos (num dvd que acompanha o livro) que foram sendo publicados no jornal Público ao longo do ano de 2015, quando se celebraram 40 anos de independência na maioria das ex-colónias portuguesas em África. Este livro não é, portanto, um livro de investigação académica, mas sim um livro de relatos, de histórias, de vivências, de pensamentos e de opiniões, o que faz com a sua leitura seja fluida. Com mais de cem entrevistas feitas em Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, a jornalista Joana Gorjão Henriques tinha um objectivo declarado: perceber até que ponto foi o colonialismo português mais brando que o de outros países e entender quais são, ainda hoje, as consequências de séculos de políticas coloniais.
Publicado pela Tinta-da-China, este livro começa a ser lido e entendido pela (mais uma) excelente capa: fundo negro, como negra é a pele da população nativa das ex-colónias, bota branca, como branca é a pele dos colonizadores, desmesuradamente grande e salpicada de um vermelho a fazer lembrar a cor do sangue. Contrariamente ao usual, é também este vermelho-sangue que colora as folhas de guarda, tanto no início como no final do livro.
Este livro tem o enorme mérito de desconstruir a ideia de que houve apenas um tipo de colonialismo português em África. Pelo contrário, Portugal promoveu vários colonialismos, criando tensões entre comunidades e etnias que ainda hoje se fazem sentir. É também um livro importante na medida em que tenta desmontar a ideia do lusotropicalismo de Gilberto Freyre, teoria que, ainda nos dias de hoje, continua a ter enorme popularidade junto dos portugueses. Bruno Vieira Amaral, na crítica que faz ao livro no sítio do Observador, afirma, por duas vezes (como querendo convencer-se a si próprio), que Racismo em português corre o risco de "apresentar como intacto um mito [lusotropicalismo] já desfeito várias vezes". Mas será que foi mesmo? Como é, em 2016, estudado o período colonial? Seremos um país que já fez as pazes com os esqueletos que guarda no armário? O simples facto de nos considerarmos "descobridores" e não "conquistadores" como os espanhóis não dirá já quase tudo sobre o modo como, enquanto país, vemos o nosso colonialismo?
Foi o colonialismo português diferente dos restantes? Certamente que sim, do mesmo modo que os outros também foram diferentes entre si. Terá sido mais brando? Lendo os relatos apresentados neste livro torna-se difícil responder que sim a essa questão. De um sistema de apartheid em Moçambique e Angola, à escravatura (mascarada de "contratados") em São Tomé e Príncipe em plena 2ª metade do século XX, não faltam exemplos que desmentem a ideia da brandura do colonialismo português.
Mas nem sempre a agressão se fazia de forma física. Para controlar os nativos, era necessário rebaixá-los, despi-los de toda e qualquer forma de identidade e moldá-los à medida do colonialismo. Para além da obrigação da alteração do nome de modo a soar português e do vergonhoso estatuto do indigenato que pretendia fomentar a assimilação, há um exemplo quase cómico que mostra até que ponto o colonialismo português não admitia variações à sua visão de identidade. Conta Fernanda Pontífice, ex-ministra da Educação e Cultura de São Tomé e Príncipe, que, numa composição sobre frutos pedida na escola primária, todos aqueles que não fossem frutos existentes em Portugal (tais como a maioria dos frutos existentes no seu país) eram riscados e não considerados.
O colonialismo fará sempre parte da história portuguesa; e, sendo História, não temos que nos sentir culpados por aquilo que os nossos antepassados fizeram. Não devemos, ou melhor, não podemos, é permitir que se prolongue o mito do colonialismo brando. Temos que, sem qualquer tipo de complexo, olhar para a nossa própria história e, assumindo os erros cometidos, com ela aprender. Este não é um livro neutro e nem o pretende ser. Não é tampouco um livro de respostas, sendo antes um livro que coloca muitas e boas questões, concentradas nas seis perguntas com que autora termina a introdução e de onde destaco uma: até quando iremos contribuir para uma mentalidade acrítica sobre um dos fenómenos mais violentos da nossa história? Nesse sentido, uma das frases de Frantz Fanon, um dos principais pensadores do (pós)colonialismo, continua actual: "Ó meu corpo, faça sempre de mim um homem que questiona!"


Profile Image for Andreia Morais.
454 reviews33 followers
Read
July 9, 2023
TW: Racismo, Discriminação; Referência a Violência, Escravatura e Assédio/Abuso Sexual

A premissa deste livro é clara e resulta de reportagens publicadas na Revista 2 do jornal Público. Joana Gorjão Henriques, graças a um trabalho de investigação minucioso, do qual fizeram parte testemunhos valiosos, traçou o percurso do colonialismo português nas cinco ex-colónias africanas. Assim, viajando por Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique, questiona esta herança tão pesada, que, 40 anos depois, continua a manifestar-se de várias formas. Já tinha ficado bastante impressionada com a jornalista, quando li Racismo no País dos Brancos Costumes, porque creio que tem a capacidade de colocar as perguntas certas, confrontando-nos com os nossos valores, as nossas verdades e os nossos preconceitos. Nesta obra, voltei a reforçar a admiração, porque desconstrói mitos, informa com pertinência e conhecimento e deixa-nos muito mais conscientes da luta anti-racista. Como refere Miguel Bandeira Jerónimo, no Posfácio, trabalhos como este ajudam-nos a «perceber como e porquê». E ajudam-nos, sobretudo, a compreender que é crucial continuar a denunciar. Conhecer o passado tem de nos auxiliar nesta missão de construir um futuro melhor. Para todos.
Profile Image for Nuno.
19 reviews1 follower
September 19, 2020
Nunca tinha lido nenhum livro que abordasse a história do colonialismo português. Tinha, no entanto, presente a ideia de que não foi brando e benevolente como muitas pessoas insistem em pintar.
Apesar disso, tendo agora lido este livro, fiquei com uma noção muito mais esclarecedora do que realmente foi essa época. A cada página que lia, sentia vergonha do meu país. Capítulo a capítulo, país a país, testemunho a testemunho, sentia-me encolerizado com aquilo que Portugal arquitetou durante séculos.
A revolta torna-se maior quando pensamos em todos os portugueses que, hoje em dia, recusam-se a enxergar isso e vivem uma negação de responsabilidade histórica que se reflete nos dias de hoje, insistindo nos termos "descobrimento" e "conquista", em detrimento de "invasão" e "colonização".
Infelizmente, muitas dessas falácias são-nos ensinadas na escola desde muito cedo.
E é por isso mesmo que este livro é, indubitavelmente, uma leitura obrigatória para todo o cidadão português.
Profile Image for Helena.
54 reviews
August 18, 2016
Um livro sobre a história comum do colonialismo e do que esses séculos nos deixaram a todos: aos que chegaram e os que não chegaram (os que "já estavam lá", todos os "pretos chamados Zé Mário").
Sobressai toda a hipocrisia da CPLP e a conversa luso-tropicalista que se prolonga nos discursos políticos, jornalísticos, populares e até escolares.

Mais clara fica a noção do trabalho que temos por fazer, todos os que interiorizaram a desigualdade e o racismo, porque este entranha-se e perdura nas instituições e nos mais pequenos gestos do quotidiano.
E nós, portugueses, temos complexos de ambos os lados da barreira. Os de superioridade relatados no livro, mas também os de inferioridade em relação aos europeus. Afinal, quem nunca ouviu na rua que isto, se não fossem os alemães, estava muito pior, porque os portugueses não se sabem governar?
Profile Image for João Martins.
35 reviews14 followers
April 13, 2019
Racismo em Português é um excelente conjunto de textos compilados por Joana Gorjão Lopes nas antigas colónias portuguesas em África (Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Principe e Guiné) em reportagem para o jornal Público.

Reunindo vários testemunhos provenientes de diferentes backgrounds, a autora consegue apresentar de forma crua e inegável o outro lado - leia-se racista, segregador - do colonialismo português em África, esse que nos livros de história em Portugal é (acidental ou propositadamente) aligeirado ou distorcido: o mito do lusotropicalismo.

Bem complementado com videorreportagens no DVD que acompanha o livro.
Profile Image for Colin.
1,693 reviews1 follower
January 15, 2023
"Racismo em Português" é um livro e uma série televisiva criados por Joana Gorjão Henriques, uma jornalista que trabalha no jornal Público. Comprei-o pensando que fosse um documentário sobre o racismo em Portugal mas não é. A jornalista entrevistou várias pessoas - jornalistas, músicos, ativistas - em cada um dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa ("PALOP"). O objetivo do documentário é confrontar o racismo do Império português e os efeitos que permanecem nos países ex-coloniais nos dias de hoje. Estou ligeiramente desiludido porque queria saber mais sobre a realidade em Portugal em si, mas não importa muito porque este assunto é fascinante também. Não há narração durante o documentário. A jornalista deixou os entrevistados falarem sem os interromper. Foi interessante ouvir as opiniões deles sobre o seu ambiente, onde tantos edifícios ficam com o estilo do antigo poder colonial, e sobre as atitudes mentais que persistem ainda na vida cultural do povo.

Quanto ao livro, a narrativa é mais estruturada: a jornalista encaixa as palavras transcritas dos entrevistados num contexto que (segundo a sua própria introdução) retira muita inspiração do pós-modernismo que está muito na moda em círculos académicos nos Estados Unidos, que tem uma visão muito simplificada do percurso da história, e uma visão de racismo para com pessoas negras como o pecado original que explica todos os males dos nossos tempos. Isso ressoa em várias entrevistas também, mas parece-me que a jornalista amplifica-o ainda mais. Uma entrevistada fala de "micro-agressões" que faz pouco sentido em geral mas faz ainda menos numa sociedade onde brancos e mestiços de pele clara constituem uma minoria da população. No capítulo sobre a situação em Angola, ela fala de "privilégio branco" ainda que haja poucos brancos para serem privilegiados. Um mestiço (ou seja "produto da miscigenação*" 😬) pergunta-se "Será que eu preferiria não existir, será que isso teria tirado algum peso, o não ter havido colonização [....] Então não dá para responder porque eu não estaria cá para responder e não há como comparar porque não há como voltar atrás". Esta conversa marcou-me muito, tanto no livro quanto no documentário, porque a vida daquele homem é emblemática do estado em que nos encontramos no século XXI. Devemos escolher: ou nós focamos no passado ou no futuro. Ou responsabilizamos as pessoas claras por existirem e por serem 'privilegiadas' ou afastamo-nos da ideia de raça e trabalhamos para criar um mundo em que nos tratamos como se fôssemos iguais porque somos iguais mesmo, digam o que os racistas disserem.

*esta palavra é usada no livro e várias pessoas a usaram quando discutimos o livro online mas sinto-me estranho porque a mesma palavra em inglês é considerada muito ofensiva
Profile Image for André.
33 reviews
September 12, 2021
Um contexto histórico tão importante e que é escortinado e contando uma forma glorificada pelos portugueses em que proclamamos que fomos mais brandos e menos racistas de que outros colonizadores quando na realidade obrigamos as populações a despirem-se da sua identidade e obrigando os costumes portugueses e traficando pessoas como objetos. Sendo que ainda há represália nos dias de hoje devido aos anos de submissão contínuo não só a nível de classe mas principalmente a nível mental com um complexo de inferioridade provocados por estes eventos.

Um livro bastante importante contextualizando com várias vozes que sofreram naquele tempo e também com perspectivas de pessoas em gerações após dependência das colónias.

Um debate tão importante e que ainda não se faz perpetuando uma mentalidade acrítica de um dos eventos mais negros na nossa história e que é ignorado, por exemplo, na educação na escola. Como podemos seguir em frente como sociedade, quando temos esta realidade que apesar de já ter passado uns 40 anos atrás, ainda tem percussões nos dias de hoje sendo que esta discussão não pode ser ignorada
Profile Image for Liliana Cardoso.
9 reviews10 followers
February 24, 2024
O “Racismo em português. O lado esquecido do colonialismo” é um livro fundamental. Não sendo um livro recente (foi publicado em 2016), e não sendo um livro científico, apresenta um vasto número de testemunhos das consequência contemporâneas das práticas coloniais em pessoas (maioritariamente) afrodescentes, em Angola, Moçambique, Cabo-verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Remete ainda para alguns factos históricos que, estou certa, são desconhecidos pela maioria dos portugueses. É um livro que ajuda a perceber como é que práticas racistas culminam em racismo internalizado, que teima em passar de geração em geração. Desta forma, alerta-nos também para o impacto transgeracional das práticas e mensagens (geo)políticas, o que significa que necessitamos de estar conscientes e adotar uma postura informada e responsável quando agimos no presente.
Profile Image for Caia_In_Wonderland.
1,057 reviews50 followers
October 9, 2024
Todos, brancos e pretos, descendentes de colonizadores e colonizados, devem ler este livro. Altamente jornalístico, sem imposição de pensamento, mas com imensas impressões das mais variadas pessoas que vivem nas ex-colónias, este livro é um espelho das diversas maneiras pelas quais os países hoje independentes e seus nacionais foram afectados pela colonização. A subjugação, a assimilação, a perda da identidade e cultura, o sentimento de inferioridade, e o racismo e o colorismo enraizado, são comuns a quase todos, mas também a crença num futuro africano, de pertença e identidade, de comunhão com todos, que sabem que vai demorar mas uns mais que outros lutam pra conquistar.
Uma coisa fica clara no livro, a ideia do lusotropicalismo e colonialismo brando dos portugueses foi só uma forma diferente de racismo, ocupação, e genocidio.
Profile Image for Nuno Miguel.
35 reviews8 followers
November 19, 2020
Um relato que mostra a crueldade do colonialismo português e as marcas que dele ficaram nestas sociedades pós-independência. Um relato que mostra a ausência de interesse real no combate às indiferenças, aos preconceitos e ao sistema colonial que ainda está enraizado em certos sectores da sociedade.

"«O colonialismo é abominável. Não faço esse discurso de que o colonialismo é mau, mas... Não, o colonialismo é mau, ponto. Porque é a sujeição de uma comunidade por outra. É dominação, espoliação, apropriação dos recursos naturais. É também um sistema em que existe a dominação cultural. Isto é porventura a parte mais negativa na medida em que ela é perene, cria uma ideologia de subalternidade»"
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15 reviews1 follower
November 22, 2024
Um livro profundamente informativo, repleto de relatos na primeira pessoa que revelam as realidades do colonialismo português e as suas repercussões nas sociedades pós-coloniais. Desmistificar o lusotropicalismo é essencial, e esta obra cumpre esse papel de forma exemplar. É lamentável que o sistema educativo português continue a perpetuar o mito de que o colonialismo português foi mais 'brando' do que outros, desvalorizando os crimes de um sistema que discriminou, escravizou e deixou marcas profundas nos países colonizados.
Profile Image for José Alberto Silva.
67 reviews
December 26, 2021
Simplesmente obrigatório!!!
Com imensos relatos de várias pessoas que sentiram e sentem o colonialismo na pele, este é o trabalho mais completo que me lembro de ler acerca deste tema tabu da sociedade portuguesa.
1 review
August 6, 2019
Leitura importantíssima para melhor entender o passado colonial de Portugal e os vestígios do mesmo nas ex-colónias.
Profile Image for Filipe Novelha.
Author 5 books5 followers
July 1, 2020
Um retrato fiel do colonialismo português e do seu impacto na História de uma parte do mundo e de como isso afectou e ainda afecta as relações sociais, políticas e económicas desses países.
Profile Image for Rui Jarimba.
24 reviews2 followers
May 11, 2022
Testemunhos que desfazem o mito do "bom colonizador" e do lusotropicalismo. Peca por ser um bocado curto. 4.5 estrelas.
Profile Image for Catia.
21 reviews2 followers
August 8, 2022
Devia ser de leitura obrigatória no ensino básico.
Profile Image for Tânia.
17 reviews
March 24, 2021
Os mitos que têm sido veiculados na narrativa da História da Expansão Portuguesa são descontruídos a partir deste livro, especificamente a tese do lusotropicalismo de Gilberto Freyre, um vestígio do Estado Novo que ainda se encontra bastante presente na memória coletiva dos portugueses. O colonialismo português não foi, de modo algum, excecional - não nos podemos continuar a demarcar dos males inflingidos aos povos que habitavam as terras que ocupámos. Para além de haver um desconhecimento geral sobre o impacto sociocultural do colonialismo nas sociedades das ex-colónias, há também a difusão de mentiras sobre o carácter "leviano" do colonialismo português - tudo refutado neste livro, que reúne testemunhos de pessoas de várias gerações que vivenciaram e ainda carregam o peso do colonialismo. A subjugação psicológica dos povos africanos tem o seu eco nos dias de hoje, com muitos a desvalorizar a cultura que os envolve e a engrandecer o continente que os sujeitou a muitas atrocidades. A mente também ficou por descolonizar, e o reconhecimento do que é ser africano está ainda a ser descoberto pelas gerações que cresceram em países independentes, mas profundamente marcados pela experiência colonial.
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