Autor de uma das colunas mais discutidas da imprensa brasileira (publicada às segundas-feiras no jornal Folha de S. Paulo), o escritor, professor e filósofo Luiz Felipe Pondé parece se divertir cutucando esquerdistas, feministas, ecologistas, ateus e qualquer um engajado nas causas politicamente corretas da moda.
Alguns temas abordados em Filosofia para Corajosos são bem interessantes pra mim, então vou usar alguns trechos do livro para expor melhor minha opinião sobre a obra, pois a mesma se trata da opinião do autor sobre muitos destes temas indigestos
O Livro é dividido em três partes e organizado em 30 capítulos, Pondé argumenta porque acha que o mundo contemporâneo é tão ridículo, a partir do seu ponto de vista ele responde no livro perguntas dos mais diferentes temas filosóficos.
Sempre polêmico e carismático em Filosofia para Corajosos você encontrará muitos dos temas que o Pondé debate diariamente em seus canais no Youtube e outras redes sociais.
O que estamos fazendo aqui no mundo?
Pondé: Ninguém tem a mínima ideia.
Concordo!
Vejo o mundo de forma secular e acredito que a resposta a essa pergunta esteja dentro de cada um de nós, pois cada um de nós e impulsionado por emoções diferentes que nos levam a caminhos e histórias de vidas diferentes, ou seja cada um de nós é resposável por dar sentido a sua propria vida. Nunca existirá uma resposta que inclua todos nós nessa questão, porque uma resposta única onde todos estejam incluidos teria que levar em conta que todos temos as mesmas emoções e histórias de vida, o que soa meio surreal não acha? Por isso concordo que ninguém tem a mínima ideia do porque estamos aqui.
Existe vida após a morte?
Pondé: Não há como ter certeza.
Eu particulamente acho que não exista. O tema, para alguns, é de vida ou morte. Essa é uma questão que atormenta muitos porque para eles, se não existir vida após a morte, não há por que respeitar a moral, uma vez que morreu, acabou. Logo, tudo é permitido. Por outro lado, se existir vida após a morte, pensam eles, podemos ser julgados por Deus ou reencarnar numa situação muito ruim, por causa do que fizemos nesta vida.
Normalmente quem crê em vida após a morte o faz como forma de alívio da angústia da aniquilação absoluta que a morte parece significar, já para mim a morte tem outro sentido, como sou materialista é não acredito em reencarnação ou paraiso apesar de achar elegante a ideia de viver para sempre, sustento a ideia de que não exista um mundo metafísico como muitos defendem pois acredito que a mente "sua consciência ou alma" seja produto do cérebro como argumenta Michael Shermer em "Cérebro e Crença” de 2011, a sensação que temos de estar dentro de um corpo se dá porque somos seres sensoriais e percebemos o mundo a nossa volta através desses sentidos que por sua vez são convertidos em sinais e enviados ao nosso cérebro onde são processados para que o mundo a nossa volta possa fazer sentido. Todo esse processo acontece no cérebro que por sua vez é feito de matéria, com a sua destruição acredito eu "sua consciência ou alma" é destruída junto a matéria que compõe o cérebro.
Até que exista uma maneira de salvar as informações contidas no cérebro e transferi-las a outro corpo ou máquina como no filme Transcendence: A Revolução de 2014, a vida após a morte vai continuar sendo para mim uma doce ilusão.
Se Deus não existir, tudo é permitido?
Ponde: A imortalidade da alma associada à existência de Deus nos levaria à sustentação de um julgamento moral eterno.
Verdade.
Essa pergunta famosa foi feita pelo personagem Ivan Karamázov, no romance Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski, no século XIX. Essa questão decorre da anterior porque a inexistência de Deus supõe que, uma vez tendo escapado da lei dos homens, uma pessoa estará segura de que não enfrentará nenhum outro juiz absoluto no pós-morte. Por isso, a imortalidade da alma associada à existência de Deus (ou algo similar) nos levaria à sustentação de um julgamento moral eterno.
Se Deus não existe, tudo é permitido significa que se você for bom na vida e sair perdendo, na soma total do cosmos, você fez uma má escolha, porque se você fosse mau, não faria nenhuma diferença no final das contas.
---- Essa afirmação é bem polêmica e pode levar você a considerar que no final das contas ser justo pode não ser tão recopensador assim, já que no fim levando em conta a não existência de uma vida pós-morte você não seria recompensado ou punido por suas ações.
Gente como Nietzsche e Camus, filósofos ateus (e, por tanto muito próximos do materialismo), apostaram na busca da coragem como virtude máxima, tentando virar o jogo e dizer que a coragem de enfrentar a aparente falta de sentido da vida (intrínseca à ideia de materialismo, finitude, e inexistência da fundamentação do bem moral) é que nos daria gosto pela vida, e não o medo dessa falta de sentido.
Sustento a ideia que semear o bem mesmo que a vida pareça ter uma certa falta de sentido e o que nós deveríamos fazer sobre qualquer circunstância, mesmo que não exista uma recompensa final por isso, a bondade em certa medida torna o mundo dos vivos um lugar melhor para todos.
Dinheiro compra amor verdadeiro?
Pondé: Todo mundo tem um preço, mesmo os que não valem nada.
Exatamente!
Gente inteligente e bem resolvida costuma fazer vista grossa para essa pergunta, demonstrando que é movida por valores superiores a grana, Nunca confie em alguém que afirma ser guiada por valores maiores que dinheiro. Quem diz que faz as coisas por algo maior que grana é quem pensa só em grana.
Eu acho que o amor demanda condições para respirar, assim como tudo que é vivo, acredito eu que, dinheiro compre amor verdadeiro do ponto de vista que uma vez que tenho grana me sinto melhor com as condições de vida que produzo para nós dois. Sacou? Vou tentar explicar melhor.
Quando concordo que dinheiro compra até amor verdadeiro, eu não quero dizer que faço da pessoa que amo uma garota de programa, mas sim que com melhores condições de vida, nós dois nos sentimos melhor porque podemos desenvolver mais nossas potencialidades, só isso. Isso é muito, se levarmos em conta a precariedade da vida.
A frase de Nelson Rodrigues “Dinheiro compra amor verdadeiro” fala de nossa dependência material profunda, eu não acho que devemos nos envergonhar disso. Devemos nos envergonhar de quem mente sobre isso, de quem acha que relacionamento e feito apenas de amor e flores.
Vale a pena ser honesto?
Pondé: Sem dúvida, precisamos acreditar em algumas virtudes, do contrário a vida pode se tornar um inferno maior do que já é.
O verdadeiro honesto não faz marketing de si mesmo! Concorda ?
Ser honesto e fazer as coisas de maneira correta é o que esperamos das pessoas, muitos fazem isso por terem um verdadeiro senso moral, outros o fazem por convicções religiosas ou medo de um julgamento no pós-morte. Mas a pergunta aqui é: Vale a pena ser honesto? O que a vida nos mostra é que as pessoas honestas às vezes acabam levando a pior. Podemos suspeitar que a honestidade seja falsa ou fruto de falta de oportunidade de agirmos de outra forma.
Quando digo que a honestidade soa como falsa ou falta de oportunidade de agirmos de outra forma, eu me refiro em como vemos a honestidade no mundo contemporâneo.
Muitos acreditam que cada ação gera uma reação e isso acaba por alimentar um ciclo infinito no universo. Em suma, se acredita que existe um mecanismo compensatório para equilibrar nossas ações na sociedade e no universo. Se somos pessoas boas, teremos coisas boas, mas o contrário também é válido.
Agora imagine que você tenha encontrado na rua uma carteira com muita grana, depois de ver todo aquele dinheiro você decide que o melhor a se fazer é devolver a carteira ao seu verdadeiro dono, feito isso durante sua volta pra casa você percebe que perdeu a sua própria carteira... Chato né? Onde está o mecanismo compensatório ai?
O que a vida tem nos mostrado é que você pode ser honesto e ainda assim se dar muito mal, ou seja, não existem garantias que ser honesto lhe traga algum benefício na vida, porém se você é honesto apenas porque acha que isso pode lhe trazer algum status ou vantagem, e não porque você tem caráter ou vontade de fazer a coisa certa, você pra mim não vale o que o gato enterra.
O verdadeiro honesto não faz marketing de si mesmo, o que em nosso mundo dominado pelo marketing, fica difícil de ser sustentado. Pra mim a honestidade pode ser entendida como dizer sempre a verdade, não atravessar ninguém, e valorizar mais o que as pessoas são e não o que elas têm.
Ter conhecimento faz de você uma pessoa melhor?
Pondé: Não. Quem diz o contrário é mentiroso ou ignorante.
--Verdade!
Você pode ter estudado na melhor faculdade com os melhores professores e ter acesso aos melhores livros e ainda assim ser uma pessoa completamente desprezível que não sente empatia por ninguém, uma pessoa ignorante por sua vez pode ser mais humilde, ter mais empatia pelo próximo do que alguém com formação acadêmica por exemplo.
Deste ponto de vista para ser uma pessoa melhor e fazer a coisa certa, você não precisa ser formado em Harvard ou ter doutorado em física quântica, fazer a coisa certa é apenas uma questão de caráter, é caráter não é uma aula que se aprende na faculdade concorda? Na maioria das vezes nossos pais são responsáveis por formar nosso caráter, já na idade adulta desenvolvemos esse caráter junto a nossa personalidade, e isso nada tem haver com inteligência ou conhecimento.
Passamos o dia a dia sem refletirmos sobre questões importantes, vivendo e sobrevivendo no piloto automático. Por isso o livro Filosofia Para Corajosos é importante para todos nós, porque o autor nos provoca a pensar, com a nossa própria cabeça, em uma série de comportamentos corriqueiros.
Filosofia para Corajosos
A filosofia é a mãe de todas as ciências. Ela nos ensina a pensar por nós mesmos, enxergar o mundo que nos cerca como um verdadeiro parque, onde podemos brincar com conceitos e descobrir mais sobre quem nos cerca. E o objetivo deste livro é usar essas bases da filosofia para ensinar você como pensar por si mesmo. Para tal, o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, autor de vários best-sellers, se apoia na história da filosofia para apresentar argumentos para quem quer discutir todo e qualquer tipo de assunto com embasamento. Afinal, os grandes filósofos estudaram, pensaram e escreveram sobre os temas essenciais com os quais ainda lidamos no mundo contemporâneo.