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Entropia

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Um ousado romance do mesmo autor de ''Parafilias''. Em ''Entropia'', Alexandre Marques Rodrigues mais uma vez mostra pleno domínio das técnicas narrativas: em um ousado romance, o autor se emaranha por toda a complexidade de seus personagens, em um enredo que se desconcentra na ideia, concretizada ou não, de viagem, de procura (ou será de fuga?) de si mesmo ou do corpo enterrado da mãe. Tudo cumprido, Alexandre Marques Rodrigues vai muito além. O jogo de identidades entre personagens – que perturba o leitor tanto quanto lhe impõe investigá-los, decifrá-los, mapeá-los, confirmá-los a cada página – é caso muito sério, ocasião em que a literatura capta o espírito dissolvido de um tempo sem que da engenharia do escritor se ouça o mais mínimo ruído.

304 pages, Paperback

First published July 4, 2016

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About the author

Alexandre Marques Rodrigues

3 books2 followers
Alexandre Marques Rodrigues nasceu em 1979, na cidade de Santos, litoral de São Paulo. É formado em Psicologia, pela Universidade Católica de Santos.

Parafilias, livro de estreia publicado pela Record, foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2014, na categoria Contos, e finalista do Prêmio Jabuti. Em 2016, também pela Record, lançou seu primeiro romance, Entropia.

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Displaying 1 of 1 review
Profile Image for Nícolas.
58 reviews5 followers
September 13, 2016
Não conheço Alexandre Marques Rodrigues. Sobre ele, sei que trabalha em um banco, é formado em psicologia e coleciona indicações a prêmios importantes. Mas, pude perceber algumas coisas a partir da leitura de seu segundo livro.
1) Alexandre é exibido: ele destrói mais uma vez as convenções. Parágrafos que terminam em vírgulas, iniciam com letras minúsculas e tem maiúsculas no meio. Não bastando, tem capítulos narrados em primeira pessoa, outros em terceira, listas, partituras, uma biografia dentro do livro. Ele não quer apenas fingir que é descolado, tirando a linearidade da narrativa. Ele quer esfregar em sua cara que o narrador é um artifício. Se em Parafilias, ele escreve cada conto com uma técnica, aqui ele simplesmente aniquila o que se espera de um romance. É como se todas as vanguardas se encontrassem e ele fosse o mestre de todas.
2) Alexandre é corajoso: o livro é uma coleção de personagens que quebram todos os tabus da sociedade. O sexo em seus mínimos detalhes é exposto, a podridão do ser-humano está lá. Não há respostas fáceis em canto nenhum. Correndo o risco de ser rejeitado pelo público (e pela crítica conservadora também), ele investe em um hall de episódios que incomodam muito o leitor. Ele não brinca de desconstrução, ele vai até o fim.
3) Alexandre é manipulador (pelo menos na hora de escrever seus textos): sempre levando o leitor numa direção e jogando ele no rumo oposto, ele orquestra um livro que está sempre te enganando. Uma delícia para quem está cansado de obviedades. Ilustrar vai acabar estragando algumas dessas surpresas, por isso, sigo para o próximo ponto.
4) Alexandre é consciente de seu papel como artista: Há um momento no livro em que um personagem olha uma estátua inspirada na obra de Goethe que causa estranhamento aos que a observam. Satisfeito, este personagem chega à conclusão de que o escultor deveria ser uma pessoa muito perturbada. Pausa. Risos. É claro que uma possível leitura está em rir de quem lê sua obra e conclui automaticamente que Alexandre é uma pessoa perturbada. Momento dois: a biografia de Stein, onde ele fala que o autor é incompreendido em sua arte de misturar diversos movimentos artísticos em um. Mais uma vez, faz a defesa de sua própria obra. Quando os personagens debatem Kundera, Alexandre quer firmar-se como um autor contemporâneo.
Só não recebeu 5 estrelas porque me decepcionei um pouco com o final. Depois de um livro tão explosivo, um desfecho super caminho seguro. Para um escritor do naipe dele (e ele é grandioso), esperava um pouco mais.
Em suma, uma grande obra, de um grande artista. Sobre ele, continuo sem saber. Não sei se é machista e asqueroso como seus personagens, não sei se simpatiza com os direitos humanos e por isso expõe a barbárie humana. Sinceramente, não me interessa muito também. Lobato está aí para mostrar que autor é uma coisa, obra é outra.
Um romance que não é fácil de ser digerido, e, justamente por isso, tão prazeroso. Se continuar escrevendo, é só uma questão de tempo até figurar entre os maiores do Brasil. Uma luz na literatura contemporânea.
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