Ele a aborda no trânsito, interceptando o carro que ela dirige. Tem nas mãos uma arma e, com um pano embebido em clorofórmio, faz com que ela adormeça. Ela acorda amarrada em uma cadeira e logo percebe que está em um cômodo especialmente projetado para que nenhum ruído, ou mesmo um grito de pavor, possa ser ouvido do lado de fora. Na sua frente, apenas aquele homem que nunca vira antes.
Ele não quer dinheiro. Uma coisa é certa: sua motivação é obscura, assim como a história que irá narrar em um monólogo fascinante e assustador. Mas ela não está ali apenas para ouvi-lo – há mais por acontecer. Aquele homem precisa retomar algo que perdeu há muito tempo, e ela lhe servirá de escada. Mas por que justamente aquela mulher? Deve estar tudo escrito em algum lugar, ele diz, não adianta chiar ou se lamentar.
Flavio Carneiro dá voz a um grande personagem, um homem sem nome, atormentado e sedento por narrar os acontecimentos inexplicáveis de seu passado. Erigido em uma prosa ao mesmo tempo delicada e crescentemente carregada de tensão, “A Confissão” é mais do que um thriller policial de primeira linha. É uma viagem às profundezas da mente de um homem partido e incapaz de sentir medo. Nós, os leitores, seremos as testemunhas do encontro entre esses dois personagens e, de alguma forma, também seus algozes e vítimas.
Flávio Carneiro nasceu em Goiânia, em 1962, e mudou-se para o Rio de Janeiro no início dos anos 80. Desde 2003, mora em Teresópolis, região serrana do estado. Escritor, crítico literário, roteirista e professor de literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), publicou 17 livros e escreveu 2 roteiros para cinema. Como ficcionista, é autor de romances, contos e crônicas, novelas para crianças e jovens e ensaios literários. Participou de várias antologias de contos, no Brasil e no exterior. Dentre elas, Rio Noir (New York: Akashic, 2015, org. Tony Belloto); Le football au Brésil: onze histories d'une passion (Paris: AnaCaona Editions, 2014, org. Paula Anacaona); Der schwarze Sohn Gottes: 16 Fußballgeschichten aus Brasilien (Berlim: Association A, 2013, org. Luiz Ruffato); Brazil: A Traveler's Literary Companion (Richmond: Whereabout Press, 2010, org. Alexis Levitin); O conto brasileiro contemporâneo (Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 2011, org. Carmen Villarino e Luiz Ruffato), Os cem menores contos brasileiros do século (São Paulo: Ateliê, 2004, org.: Marcelino Freire) e 22 contistas em campo (Rio de Janeiro: Ediouro, 2006, org. Flávio Moreira da Costa). É autor de diversos artigos em revistas especializadas e, de 2000 a 2007, foi colaborador regular dos suplementos literários do jornal O Globo (caderno Prosa & Verso) e Jornal do Brasil (caderno Idéias). Em 2007 e 2008, assinou a coluna “Passe de Letra”, com crônicas sobre futebol e literatura, no jornal Rascunho, de Curitiba.
São 230 páginas de monólogo, e a escrita é boa, você lê o livro bem rápido, até porque você não esquece que está lendo um diálogo de uma pessoa só...
O meu problema com esse livro é que teve partes da história do narrador que não me pareceram de toda importância. Então acho que mesmo sendo um livro curto, poderia ter sido um pouco mais curto e sucinto, e até talvez desse mais impacto para o fim.
Gostei de como o livro terminou e gostei da escrita, achei interessante um livro inteiramente de monólogo. Mas no momento em que terminei de ler fiquei lembrando de outras partes da história e pensando que na verdade não faziam diferença ou que não davam peso emocional para o final.
Conta a história de um rapaz que sequestra uma mulher e a leva para uma casa em uma praia e deserta e diz que precisa contar uma história pra ela. O livro todo é narrado por ele, enquanto ele conta a história para mulher. Toda vez que ele dorme com alguém, ele “pega” pra ele tudo dessa mulher, os conhecimentos e a história dela, e a pessoa morre. No fim descobrimos que ele se sente vazio, não tem mais motivação, e o motivo pra sequestrar a mulher é que ele quer tomar o medo dela para ele. Gostei bastante da proposta dele narrando a história como uma história pra ela, mas achei o livro muito cansativo e arrastado.
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Existe um tipo de marketeiro de internet que ganha dinheiro vendendo "cursos" em vídeo. A estratégia pra atrair os clientes começa com a criação de um texto ou vídeo onde ele declara ter o segredo pra resolver algum problema genérico (timidez, perder peso, etc.). Nesse texto, ele começa com a promessa do segredo e segue explicando porque ele é a pessoa certa pra lhe vender o mesmo. Depois volta a lembrar que vai revelar o segredo só pra voltar a falar de si mesmo novamente. Basicamente, é um texto de auto-promoção, salpicado de promessas de que se vai revelar segredo. No final, o segredo só pode ser obtido comprando-se o tal curso. Se o curso funciona, nunca vou ficar sabendo. A impressão ao ler este livro é a de que se está lendo um texto desses. A história é simples. O cara sequestra uma mulher e a leva pra uma casa isolada. Lá, ele quer justificar à vítima porque a escolheu, e vai contando suas aventuras com várias outras mulheres. No fim, fica claro que ele poderia ter escolhido qualquer outra mulher. O segredo era pura fumaça. Existe até uma revelação interessante no final, devido ao mau desenvolvimento da história, acho que perdeu o impacto.