Uma rua imaginária, onde várias coisas estranhas e aterrorizantes acontecem, é o cenário para sete contos de terror em que Júlio Emílio Braz que usa o terror tradicional, de demônios e vampiros para abordar os medos mais profundos e assustadores do cotidiano. Assim, os contos são pretexto para abordar a solidão, a não-aceitação das diferenças, a separação dos pais, a violência doméstica, o medo do envelhecimento e de perder as pessoas.
Um dos mais prolíficos autores da literatura infantil e juvenil contemporânea, Júlio Emílio Braz nasceu em abril de 1959, na cidade de Manhumirim-MG. Aos cinco anos foi para o Rio de Janeiro. Aprendeu a ler sozinho, aos seis anos de idade, através das revistas de terror a que tinha acesso.
Iniciou a carreira de escritor “por acaso”, quando perdeu o emprego e um amigo o aconselhou a procurar uma editora e oferecer-lhe as histórias que havia escrito. Assim, começou publicando histórias em quadrinhos e, mais tarde, escreveu narrativas de bang-bang, sob 39 pseudônimos diferentes.
Júlio Emílio Braz publicou mais de cem livros infanto-juvenis e a grande maioria deles trata de problemas sociais, sobretudo aqueles relacionados às crianças e adolescentes. O primeiro livro nessa linha é Saiguairu, de 1988, com o qual ganhou o prêmio Jabuti de Autor Revelação.
Acho que os jovens do meu país têm direito de saber como ele realmente é, até para mudá-lo no que ele tem de ruim e aprimorá-lo no que ele certamente tem de bom. Por isso, gosto tanto de abordar tal temática em meus livros.
Dessa forma, grande parte de sua obra discorre sobre a miséria das ruas, a sexualidade, o preconceito racial, a violência e outros aspectos que seguem o mesmo viés. Frequentemente o escritor ministra palestras nas escolas públicas, e faz questão de ressaltar que não cobra por elas, pois, na sua concepção, falar de literatura é maravilhoso e o contato com o público leitor lhe causa grande satisfação.
Além dos prêmios citados, Júlio Emílio Braz recebeu ainda outros, como: Austrian Children Book Award, na Áustria, pela versão alemã do livro Crianças na Escuridão (Kinder im Dunkeln) e o Blue Cobra Award, do Swiss Institute for Children's Book, com o mesmo livro.