"Diferentemente de Fidel Castro, o presidente Allende chegou ao poder através das urnas e todo o seu ""processo revolucionário"" foi pacífico, um consciente ""caminho democrático para o socialismo"", realizado com liberdade de expressão e de imprensa, e eleições multipartidárias regulares e competitivas. Essa revolução singularmente democrática ficou conhecida como a vía chilena - ""o caminho chileno para o socialismo"". Essa revolução chilena é o tema deste livro."
Peter Winn is a professor of history at Tufts University specialising in Latin America. He has written several books, including Americas, which he developed while serving as academic director for the 1993 PBS series of the same name.
Winn earned a BA from Columbia College in 1962 and a PhD from Cambridge University in 1972.
As revoluções, em especial as que ocorreram na América Latina são de particular interesse a mim, dado que é possível observarmos um correlato de atos que unem as revoluções do mundo, desde a sua ascensão, até o quase sempre, declínio. Além, é claro, de contar parte da história política de um povo, e do caos que impera após sua queda com a implementação de golpes militares.
A obra foca na demorada, mas exultante subida de Salvador Allende ao poder, que com seu sucesso inicial buscava a passagem do capitalismo para o socialismo no Chile por meio de uma revolução de cima para baixo, isto é, sem violência, no entanto, o incômodo de quem não conseguiu invadir a baía dos porcos em Cuba e de seus aliados, foi fator essencial para a desestruturação da economia e entrega do país ao comando de Pinochet, que fez da barbárie sua principal arma cooercitiva.
Nesse sentido, a revolução chilena não foge do habitual, assim como ocorreu no Brasil, na República Dominicana e no Irã, um conjunto de forças se uniram em proveito das lacunas sociais e dos interesses internacionais para instaurar o caos, sempre tendo como impulsionador os Estados Unidos, país esse que nunca mediu forças para romper com as democracias dos países latinos; de modo que se sua ação causará cenas brutais de tortura, estupro, assassinatos e exílios, ela se invalida na luta contra o suposto comunismo. Mais que isso, a obra tem como enfoque os projetos de poder, tanto de Allende, como de Pinochet, além dos laços partidários e militares da época, sendo um apanhado de tudo que ocorreu durante a revolução chilena, explicitando seu nascimento e declínio sob a ótica política-social e das consequências geradas para o país, sendo uma ótima obra para quem gosta do tema.
Muy movilizador. De a momentos se me hizo repetitivo pero de forma bastante concisa logró explicar este periodo tan complejo de la historia chilena. La revolución de Allende fue un proceso único en América Latina por su intento de implementar el socialismo de manera democrática. La dictadura de Pinochet encarnó una contrarrevolución y representó una transformación hacia el autoritarismo en Chile, marcada por la implementación del neoliberalismo que desmanteló las reformas sociales y políticas del gobierno de Allende.
“Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo”.
Um dos livros mais interessantes da coleção até agora. Apreciei o enfoque dado à ascensão de Salvador Allende ao poder e ao curto, mas eletrizante, processo revolucionário chileno entre o final de 1970 e setembro de 1973, culminando na derrocada e no golpe contrarrevolucionário que pôs fim ao sonho de uma transição pacífica rumo ao socialismo.
Não tinha conhecimento da “divisão” interna da Revolução Chilena entre a chamada Revolução de Cima — legalista, institucional — e a Revolução de Baixo — voltada à mobilização das classes oprimidas. O livro mostra bem como ambas, em determinados momentos, se fortaleceram mutuamente, mas também, em outros, acabaram se atrapalhando e enfraquecendo uma à outra.
Outro ponto valioso é a forma como a obra expõe o envolvimento direto dos Estados Unidos na preparação do golpe contra Allende. Além do financiamento e da articulação política, Washington promoveu um embargo velado contra o Chile, inclusive por meio de órgãos multilaterais de crédito e comércio, asfixiando economicamente o país. Tudo isso foi justificado com o cinismo característico de figuras deploráveis como Henry Kissinger e Richard Nixon.
O desfecho é narrado com um claro sentimento de tragédia: o bombardeio de La Moneda por militares que haviam jurado defender aquela instituição, e o suicídio de Allende — um homem que dedicou sua vida a lutar por uma revolução democrática — com a mesma AK-47 que havia recebido de presente de Fidel Castro.
A única lacuna que senti foi a ausência de uma análise mais profunda do processo gradual de redemocratização do Chile após Pinochet. A obra poderia explorar, por exemplo, como ele manteve algum poder como senador vitalício antes de perder influência, e os desafios institucionais e constitucionais enfrentados durante a transição democrática.
Ainda assim, considero este um dos processos revolucionários mais ricos em lições, extremamente pertinentes para o Brasil de hoje. A experiência chilena demonstra tanto as limitações quanto as potencialidades da democracia liberal como mecanismo capaz de reformar estruturalmente um Estado e uma sociedade, mostrando que avanços institucionais precisam estar acompanhados de mobilização social e atenção às pressões externas.
"Não está claro se abraçar a estratégia alternativa produziria um avanço revolucionário. Poderia ter precipitado um golpe ou até mesmo um massacre mais sangrento. Mas o que fica evidente em retrospecto é que a escolha de Allende de abandonar a revolução vinda de baixo e manter seu caminho democrático condenou a revolução chilena à derrota" Pag. 165
"No se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos. (...) Tengo fé en Chile y su destino... Mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor. Viva Chile! Viva el pueblo! Vivan los trabaladores!" Último discurso de Salvador Allende, 11 de setembro de 1973.
Para além de revoluções estrangeiras, como as da URSS, China e Vietnã, a Revolução Chilena me chama particularmente a atenção por dois fatores:
1. Sua tentativa de realização por vias democráticas (o que, infelizmente, não alterou seu trágico desfecho);
2. O fato de ser uma revolução pouco lembrada, mas ocorrida em um país vizinho. É impressionante como falamos tanto sobre Pinochet, mas conhecemos tão pouco de todo o processo que antecedeu a ditadura.
Curiosidade: a frase "O povo unido jamais será vencido", que tanto escutamos, está diretamente ligada à música homônima do grupo folk chileno Quilapayún, fortemente associado à Revolução de Allende: "El pueblo unido jamás será vencido".
“os processos sociais não são contidos nem com o crime nem com a força. a história é nossa, e a fazem os povos. (...) viva o Chile! viva o povo! viva os trabalhadores!” — Salvador Allende, 11 de setembro de 1973. 🇨🇱
que esse capítulo da história do Chile jamais seja esquecido.