Ler Dom Tanas de Barbatanas é deparar com uma razão convincente para considerar Tomaz de Figueiredo, «escritor de nobre tinta» e «cristalina água clássica», como o próprio diria de Manuel da Fonseca, na proporção indisputável de um exímio, para não dizer ímpar, cultor da língua portuguesa com cumes dificilmente igualáveis. De resto, se assim não fosse, é de supor que dificilmente o escritor poderia sequer aspirar à criação picaresca, que requer, sejamos claros, uma destreza retórico-estilística que não se acha ao alcance de qualquer autor.
TOMAZ DE FIGUEIREDO nasceu em Braga, a 6 de Julho de 1902. Cursou Direito em Coimbra e Lisboa, onde se formou. Foi Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ponte da Barca (1937-1941) e Vice-Presidente da Junta Nacional dos Resinosos (1941-1947). Até 1960 trabalhou como notário em Tarouca, Nazaré, Ponte da Barca, Abrantes e Estarreja. Nessa data fixou-se em Lisboa, entregue apenas à actividade literária. Com a sua tardia estreia, A Toca do Lobo (1947), obteve o Prémio Eça de Queirós. Tiros de Espingarda (1966) mereceu o Prémio Nacional de Novelística. Contribui para o ressurgimento da tradição romanesca camiliana, sendo as suas obras caracterizadas por um estilo onde o casticismo se funde com o lirismo e por uma técnica narrativa singularmente moderna. Outras obras de ficção: Nó Cego (1950), Um Noite na Toca do Lobo (1952), Procissão dos Defuntos (1954), A Gata Borralheira (1961, Prémio Diário de Notícias), Dom Tanas de Barbatanas - O Doutor Geral (1962), Vida de cão (1963), Dom Tanas de Barbatanas - O Magnífico e Sem Par (1964) e a série Monólogo em Elsenor (Noite das Oliveiras, 1965, A Má Estrela, 1969); de poesia: Guitarra (1956) e Viagens ao meu reino (1968); de crónicas: Dicionário Falado (1970), e de teatro Os Lírios Brancos (1958) e A Rapariga da Lorena (1965). Faleceu em Lisboa, a 29 de Abril de 1970.
"However, it’s one of the few Portuguese novels I’d single out as worthy of translation. It’s a hilarious verbal tour de force, drawing its strength from the novel’s past but also fresh, unique, unlike anything written in the 20th century, and for those reasons deserving of more attention, of better readers." --Miguel guesting at The Untranslated https://theuntranslated.wordpress.com...
Promissor início, prenhe de piadas de merda (literalmente), que depois se arrasta ingloriamente por mais 350 páginas (e, para além dessas, ainda mais 500, pois, pasme-se, há 2º volume da obra (!)), debruçando-se sobre vinhetas humorísticas focadas na titular personagem, escritas num invariável registo de português tão prolixo quanto obtuso.
Uma coisa é certa, com tanta proficuidade de vocabulário de sentido obscuro empregue, diga-se, em sua defesa, que Tomaz de Figueiredo faz o mestre Aquilino parecer, por cotejamento entre o par, um mero aluno de pré-escolar em matéria desse mesmo domínio.