Na obra de Armando Freitas Filho, diversificada ao longo de mais de cinquenta anos de trabalho poético, "Lar" (2009), "Dever" (2013) e este "Rol" formam uma trilogia involuntária. "Rol" se estrutura através de dez séries de poemas e três longos. Sob os títulos gerais, cada uma das séries vai analogicamente abrindo o leque do assunto motivador das correlações, dispostas no desenvolvimento da composição. A sequência dos capítulos trata, como diz o "Poema-prefácio", "de tudo um pouco", tendo como pano de fundo a morte vista de perto pelo poeta de 76 anos. A obra, por isso mesmo, é austera: escrita com afinco e coragem. Não chega a ser um livro despedida, uma vez que muito ficou de fora deste volume.
Não é, usualmente, o tipo de poesia que mais me chama atenção, especialmente porque as palavras são sempre muito duras entre si, sem qualquer intimidade uma com a outra, um lugar de desconforto no papel, que não necessariamente reflete um ou outro sentimento, mas porque o estilo é esse e pronto. Deste rol criado pelo Armando, cada poema parece ter sido esculpido com cinzel. Primeiro porque aquilo que ficou me parece o mínimo que poderia ter ficado para um poema existir; também é porque aquilo que sobra fala mais. Aí fiquei pensando se não era essa a proposta: o poema do poeta funciona mais fora do poema e nós, leitores, é que precisamos ir testando o que incluir aqui e acolá. Não sei, talvez jamais saiba.